"da Folha Online
Para a tribo Tupi-guarani, "nheengatu" significa fala boa, fácil de ser compreendida. Por isso, este é um espaço para mostrar a minha e a sua insatisfação com os caminhos que a sociedade está tomando, da melhor maneira possível. Aqui, o que é notícia e o que teima em se esconder, será exposto e discutido, e é claro, através de "nambiquara", ou seja, uma fala inteligente. Foto: Roberto Jayme
Foto: Kristiano.Flickr.2007Achei um artigo interessante do jornalista e professor Manoel Dutra. O material foi retirado do blog do Jeso Carneiro, que aliás, possui um imenso arquivo sobre questões da Amazônia. Leiam abaixo a opinião de um especilista em jornalismo ambiental:
"A convite de um grupo de estudantes de jornalismo estive, há alguns meses, numa faculdade do interior de São Paulo para falar sobre 'como se faz jornalismo na Amazônia'.Expliquei o óbvio, que o jornalismo tem regras universais e suas práticas devem se realizar em qualquer ambiente, em qualquer cultura. A principal regra é a fidelidade do relato e da interpretação aos fatos.
Na Amazônia, o profissional da informação encontrará situações de relativa semelhança com qualquer outro meio urbano, igualmente como terá que vasculhar a imensidão dos rios e das florestas, se desejar efetivamente testemunhar e documentar aquilo que o senso comum chama, de modo difuso, de Amazônia, um mundo heterogêneo seja do ponto de vista de sua conformação física, seja nos aspectos sociais, políticos e culturais.
No encontro com os jovens paulistas, a primeira surpresa foi o esmerado preparo da pauta, com pesquisas prévias sobre o tema do encontro, tal como faz, ou deve fazer, qualquer jornalista. A curiosidade recaía preferencialmente sobre desmatamento, que naqueles dias preenchia os noticiários, e sobre as condições de trabalho dos jornalistas desta região.
Em certo momento, um dos futuros jornalistas sugeriu o desejo de vir trabalhar na Amazônia, para denunciar a irresponsabilidade social de aventureiros que se apresentam como empresários, ao mesmo tempo revelando a ação de empresários que, usufruindo dos bens da floresta, demonstram algum compromisso com o futuro das próximas gerações.
Em resposta, aplaudi o desejo, afinal cada um tem o direito de escolher onde trabalhar neste Brasilzão de tantas realidades admiráveis e realidades também extemporâneas. Porém, apresentei-lhes uma outra sugestão: que tal vocês, antes de decidirem fazer jornalismo na Amazônia, ainda como estudantes pautassem uma ou mais de uma reportagem para o jornal-laboratório da faculdade, tendo como motivo imediato a veemência dos noticiários daqueles dias, circunstância aliada ao fato de que é aqui, em S. Paulo, que se concentra o maior parque industrial do país, com milhares de empresas utilizando madeira retirada da Amazônia.
Disse-lhes que poderiam investigar a origem dessa madeira, utilizando todos os meios e o talento de que dispõe um jornalista preocupado em revelar a verdade, para mostrar quais indústrias, grandes ou pequenas, são capazes de exibir os documentos comprobatórios da legalidade da matéria-prima que utilizam. E, em caso positivo, investigar a autenticidade dos documentos.
Com isso desejei mostrar que a Amazônia é um 'caso' de todos os brasileiros e que as raízes da devastação acham-se onde está o capital, ou seja, o Estado de São Paulo e outros centros industriais do Brasil e do exterior, sem eximir a nós, amazônidas, da nossa parcela de responsabilidade. Tive, porém, o cuidado de não me apresentar como dono da verdade, como têm feito alguns jornalistas de 'grandes' jornais brasileiros que têm sido convidados a vir a Belém 'ensinar' como se faz jornalismo na Amazônia. A questão não é dos convidados, mas de quem os convida."
Quando os colonizadores portugueses chegaram ao Brasil, há mais de 500 anos, e fizeram um contato com os povos indígenas que aqui habitavam, mas não prestaram atenção de que estavam diante de uma sociedade auto-suficiente.
Muito pelo contrário, trataram de deixar claro, que nativos não possuíam uma cultura melhor que a deles. Afinal, eles eram desenvolvidos, com todas as suas armas e doenças européias. Isso é Etnocentrismo.
E casos como esses, ainda podem ser vistos, hoje em dia, como por exemplo, na absolvição do ex-apresentador do SBT, João Rodrigues, que visivelmente, incitou a discriminação indígena, durante o programa SBT Verdade, mas não o suficiente para ser considerado racismo pelo Supremo Tribunal Federal.
Vamos ver... Ele usou frases, como:
'Os índios tomaram conta do aeroporto, os aviões não podem pousar porque, quando pousam, a flecha come'
'A indiada meio que dificulta o processo lá, né, trabalhar muito pouco, não são chegados ao serviço. (...) O índio tem terra, mas não planta, é mais fácil roubar, tomar de alguém que plantou e se dizer dono, depois que colhe abandona a fazenda e vão invadir outra'.
Se isso não é racismo, vamos reavaliar o caso de todas as pessoas que foram presas por discriminação racial no país.
No site do Portal Imprensa diz que João foi denunciado "por infrações à lei de imprensa e condenado por um artigo conhecico como Lei Caó - que considera crime praticar, incitar ou induzir à discriminação por intermédio dos meios de comunicação - Rodrigues foi condenado a dois anos e quatro meses de reclusão em regime aberto. Segundo a Coordenadoria de Editoria e Imprensa do STJ, apesar de o crime de racismo ser imprescritível, o acusado teve a prisão substituída por penas restritivas de direito, além de pagar indenização de R$ 20 mil por danos morais."
Pouco. Casos como esses merecem uma atenção especial, pois contribuem para destruir a imagem do índio no país. A televisão tem um alcance imprenssionante. Dar declarações como estas é algo muito grave. O certo é que, cabe a nós tentar mudar essa falta de interesse e respeito pela cultura indígena, quase dizimada pelos "descobridores".
Como a questão das terras da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, voltou a estar em evidência, devido ao julgamento no Supremo Tribunal Federal, mostro um artigo do sociólogo Tiberio Alloggio, para entender bem esta questão:
"Apesar da tentativa desesperada do ministro Marco Aurélio Mello de tumultuar a sessão do Supremo para atrasar mais uma vez a decisão sobre a Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, a maioria dos ministros do STF, reconhecendo a legislação estabelecida, resolveram aprovar a demarcação contínua da Reserva na sua íntegra.
Isso leva à automática retirada dos 5 arrozeiros e 'outros grileiros' que se instalaram dentro da reserva, com indenizações variadas, enquanto a maior parte desses 'outros' não terá direito a qualquer indenização, pois invadiram a área depois de demarcada.
Caberá portanto aos índios dar continuidade à produção de arroz, o que não deverá ser difícil, uma vez que muitos deles já trabalham nessa produção.
Esta solução desagrada tanto aos arrozeiros que terão de deixar as áreas que ocuparam, quanto ao governo estadual que poderá ter perda de arrecadação. Mas também desagrada os antropólogos que, em nome da tradição, queriam na reserva a instalação do estado de primarismo
Esses antropólogos questionam a integração dos índios ao sistema de vida moderno, pois segundo eles, ofenderia a sua cultura, propondo a manutenção de reservas do tipo 'Jardim Antropológico', onde o índio possa ser observado pobre e de tanga, como objeto de curiosidade, e estudado como uma figura folclórica.
A decisão do Supremo implica também a não sobreposição dos direitos das povos indígenas às leis nacionais, imputando ao Índios a obrigação de respeitar as leis ambientais e o direito das instituições nacionais, como as Forças Armadas, de circular sem necessidade de autorização pela reserva.
As terras da reserva continuam sendo da União e os Índios tem o usufruto sobre a produção do solo, mas não sobre o subsolo que tem legislação específica que está acima dos direitos atribuídos aos índios.
Uma resposta clara para os setores com visão atrasada e paranóica, que vêm nas ONGs uma ponta de lança do interesse internacional. Considerando que uma das maiores mineradoras mundiais é brasileira, por que a Vale usaria ONGs estrangeiras para espionar a existência de recursos minerais?
Com essa decisão do Supremo, os Índios Macuxi, que já dominam a pequena pecuária, terão agora mais uma excelente oportunidade para gerar trabalho e renda, produzindo arroz e, por estar numa grande área de cerrado, sem necessidade de desflorestar. Não apenas para suprir à suas necessidades, mas para o atendimento da população do Estado e da Amazônia, o que, segundo os puristas do 'Jardim Antropológico', contraria a sua cultura tradicional.
Poderão passar a operar como patrões e/ou cooperados, incorporando tecnologias modernas, as mesmas que os Macuxi já estão operando como empregados dos arrozeiros, o que mais uma vez, irá contrariar os antropólogos, pois a cultura tradicional nunca utilizou equipamentos mecanizados.
Ocorre que todos eles já usam celular, televisão e eletrodomésticos, além de carros e motos. Mas como comprar esses produtos se não tiver dinheiro decorrente de venda de seus excedentes? Será que conseguem isso apenas com a troca dos seus instrumentos 'exóticos para os brancos'?
Enfim, os votos majoritários do STF dizem que a demarcação contínua é constitucional, devendo ser mantida e respeitada.
Que a propriedade das terras é da União, com usufruto dos índios, mas que o direito dos índios não está acima ao quadro legislativo nacional.
Que os índios, como todo os cidadão do Brasil, estarão também sujeitos à legislação ambiental, eles são índios, mas são brasileiros como todos os demais.
Acabando uma vez por todas com essa ilusão de 'nação indígena'. "
***retirado do blog do Jeso

Por Luiz Weis/Observatório
"Na sua ampla cobertura da eleição nos Estados Unidos, a imprensa brasileira deu uma idéia de como funciona – se é que o verbo é esse – o processo de votação no país.
É um processo essencialmente voter unfriendly – já não bastasse a eleição ser indireta, uma contrafação do proclamado princípio “um homem, um voto”. São, como se sabe, 538 homens (e mulheres) os membros do colégio eleitoral que em última análise escolhem o presidente – “mais iguais”, portanto, do que os 169 milhões de eleitores do país.
O colégio eleitoral, a propósito, foi instituído pelos “pais fundadores” dos Estados Unidos, os signatários da Declaração de Independência de 1776, com a intenção assumida de contrabalançar o poder político da maioria absoluta da população com direito de voto – os homens livres não proprietários de terras.
Das regras para o registro de eleitores aos procedimentos de votação, uma coisa e outra podendo variar de estado para estado ou de distrito (county) para distrito, o sistema é um convite para ficar em casa no dia da eleição.
Ficar em casa, aliás, é modo de dizer: dia de eleição é dia de trabalho – razão por que este ano milhões de americanos, muitos deles presumivelmente eleitores de Obama, enfrentaram horas de fila no domingo nos lugares que permitem o voto antecipado. O Estado de S.Paulo da segunda-feira trouxe uma boa matéria a respeito, descrevendo a situação numa seção eleitoral de Palm Beach, na Flórida.
Os mecanismos de votação – como ficou escancarado na mesma Flórida quando da primeira eleição de George W.Bush, em 2000 – são um convite ao erro e à fraude."
Leia a matéria na íntegra aqui.
Para atender às famílias do Pará, Amapá e Amazonas, os técnicos mais honestos garantem que a usina de Tucuruí tem capacidade de fornecer energia. Se Monte Alegre, Alenquer, Óbidos e Juruti, no Pará, e Parintins, Manaus e Itacoatiara , no Amazonas, não têm energia de Tucuruí é porque não atravessaram o rio Amazonas com os cabos de eletricidade. Existe o projeto, mas não há interesse nem da Rede Celpa, nem dos governos do Pará e Federal.
Por que então o governo federal insiste em construir 6 imensas hidrelétricas tão vizinhas - uma em Belo Monte, no Xingu, e 5 no rio Tapajós? Para atender a quem?
Quando um diretor do Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes, Denit, esteve há poucos dias em Santarém e declarou que o rio Tapajós era essencial para o governo federal construir hidrelétricas, isso causou revolta em moradores do alto Tapajós. Lá existem mais de mil famílias, e mais adiante, acima das primeiras cachoeiras, existem 5 mil indígenas Mundurukus, Kaiabis e Apiacás que também sofrerão um desastre caso essas faladas hidrelétricas venham a ser construídas.
O pessoal do governo, submisso às grandes empresas mineradoras, trata o povo da Amazônia como gado. Basta mudar a fazenda e está resolvido.
Até agora, os milhões de toneladas de minérios extraídos do Pará e da Amazônia só deixam estragos no meio ambiente e nas populações, sem nada de desenvolvimento humano. Ouro do Tapajós, cassiterita e diamantes em Rondônia, bauxita no rio Trombetas e logo, logo, mais bauxita de Juruti, deixam a devastação, alguns empreguinhos temporários e os lucros vão para o estrangeiro.
Muita gente sabe disso, mas… É um absurdo de ignorância quando empresários e políticos estão aplaudindo os planos feitos para prejudicar os povos da Amazônia. Ou será oportunismo simplório?
Cinco hidroelétricas serão a morte do belo rio Tapajós, a morte de tantos moradores que vivem às margens do ainda belo rio e desgraça para o meio ambiente da Amazônia. Por que deixar acontecer tanta desgraça?"

Por Chico Araújo
Agência Amazônia de Notícias
"O governo do Acre está proibido de usar 'iscas humanas' na captura do mosquito Anopheles, transmissor da malária, usados em estudos da doença. Também fica proibido o uso de sangue humano como alimentação dos mosquitos capturados. A determinação foi feita por meio de recomendação pelo Ministério Público Federal (MPF) no Acre e a Secretaria de Saúde terá o prazo de 10 dias para cumpri-la.
Por Bianca Pyl
Repórter Brasil
"Entre 2000 e 2006, os setores que mais contribuíram para o crescimento das exportações do agronegócio foram o de carnes (23,2% do aumento absoluto das vendas para o exterior) e o sucroalcooleiro (22,7%). Os números foram apresentados ao público em agosto pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), em mais um dos recentes balanços econômicos.
Um outro levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do início deste mês traz à tona uma face menos vistosa da pujança do setor. De acordo com os dados catalogados pela CPT, 56% dos casos registrados de trabalho escravo se deram na atividade pecuária, de 2003 a 2006.
Do total de trabalhadores libertados da escravidão contemporânea durante o mesmo período, 40% estavam desepenhando tarefas ligadas à criação de gado bovino e 10% foram resgatados das plantações de cana-de-açúcar.
Na última atualização semestral da "lista suja" do trabalho escravo", cadastro de infratores mantido desde 2003 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o grupo maioritário de ingressantes foi formado de pecuaristas, acompanhado de usinas sucroalcooleiras da Região Centro-Oeste.
Dos 43 nomes incluídos, 46,5% foram flagrados explorando mão-de-obra escrava na atividade de pecuária bovina. Um total de 15 - dessas 20 propriedades de criação de gado - se localiza em municípios da fronteira agrícola da Amazônia, nos estados do Pará (11), Maranhão (3) e Mato Grosso (1). Ou seja, 37,2% das ocorrências incluídas na relação de escravocratas se deram na faixa de derrubada da maior floresta do mundo."
Leia a matéria na íntegra aqui

Por Leonardo Sakamoto/Repórter Brasil
"O trabalho escravo contemporâneo utilizado em empreendimentos agropecuários e extrativistas no Brasil não possui uma estrutura mafiosa em grande escala, que garanta o abastecimento de mão-de-obra, ao contrário do que ocorre com o tráfico de seres humanos para exploração sexual forçada. A experiência das entidades da sociedade civil que atuam no combate ao trabalho escravo mostra que não há uma organização criminosa com recursos financeiros e estratégias visando ao tráfico de escravos para o campo. O que existem são ações, na maior parte das vezes pulverizadas e sem coordenação, sob responsabilidade dos próprios fazendeiros, seus gerentes, prepostos, 'gatos' e pequenos grupos de aliciadores.
Da mesma forma, não há uma organização comercial ou um grupo político reunindo proprietários rurais que tenham utilizado trabalho escravo, até pela natureza criminosa dessa prática.
Os fazendeiros que incorrem no crime, assim como os outros empresários, associam-se aos sindicados rurais de seus municípios, que por sua vez integram as federações estaduais - em âmbito nacional reunidas na Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). Além disso, também fazem parte de organizações de atividades econômicas.' "Mapeamento do Serviço de Perícias de Engenharia Legal da Polícia Federal - braço do Instituto Nacional de Criminalística (INC) que inspeciona obras públicas sob suspeita - aponta desvio de R$ 15,58 bilhões em obras públicas no período entre 2000 e 2008.
Os valores do desvio, corrigidos para 1.º de agosto, foram calculados a partir da análise de 1.770 laudos elaborados pelos engenheiros federais em obras contratadas com recursos da União. Nesses empreendimentos, espalhados pelos 26 estados e o Distrito Federal, foram investidos R$ 110,47 bilhões.
Para chegar ao montante, os técnicos adotaram procedimentos de análise documental, levantamento topográfico, avaliação objetiva da qualidade do pavimento e ensaios laboratoriais.
Os modelos de obras que mais passaram pelo crivo da perícia são edificações (33%) e estradas (16%). Também foram alvo pontes (4%), drenagem (5%), hídricas (3%), elétricas (2%), água (9%), saneamento (8%). Os técnicos da PF identificaram superfaturamento médio de 30% nas obras em rodovias. Em alguns casos, o sobrepreço atingiu 250%.
Uma análise mais restrita, tomando por base universo de 430 Formulários de Procedimentos Posteriores - produzidos a partir de leitura minuciosa de laudos conclusivos -, aponta gastos de R$ 26,7 bilhões e desvios de R$ 3,77 bilhões.
Vistoria - Os peritos vistoriaram 9,32 milhões de metros quadrados de área e 3,84 milhões de metros cúbicos de materiais. Percorreram 211,8 mil hectares de terras. Foram inspecionados 364 canteiros. Eles analisaram o custo mínimo de 313 obras e a qualidade do material empregado em 177 delas. Em apenas 58 não identificaram malversação. O superfaturamento apareceu em 168 contratos.
A perícia enquadra 143 casos por 'inexecução parcial ou total' dos serviços. Outros 75 apresentaram 'deficiência na qualidade' e 63 não tinham o projeto básico exigido pela Lei 8.666/92, que disciplina procedimentos de licitação.
Fonte: G1

Texto: Solange Azevedo
Foto: Rogério Albuquerque
Revista Época
" 'Tio, a barriga da Gabriela está dando socos.' Foi assim, no meio de um bate-papo inocente, que o estudante Fábio Marchete de Moraes, de 28 anos, deixou escapar que ele e a mulher brincavam de 'examinar' o ventre dela. Fábio não imaginava que as pancadinhas partiam de uma criança em gestação. Maria Gabriela Andrade Demate, a dona da barriga, também de 28 anos, não fazia idéia de que estava grávida. Embora estivessem juntos havia três anos, dividindo o mesmo teto e a mesma cama, Fábio e Gabriela acreditavam que o sexo entre eles fosse proibido. Seus pais nunca tinham dito, de maneira explícita, que permitiam esse tipo de intimidade. Gabriela tem síndrome de Down. Fábio é deficiente intelectual.
Foi por desconfiar do abdome saliente de Gabriela que o amigo de Fábio procurou a mãe da jovem. 'Os dois vêm a minha choperia quase todos os dias e me chamam de tio', diz Vlademir Cypriano. 'Eles me contam coisas que não falam para mais ninguém.' Um teste de farmácia, comprado às pressas, não foi suficiente para eliminar a suspeita. 'Mesmo vendo as duas listrinhas do exame, não acreditava que a minha filha estivesse grávida', afirma Laurinda Ferreira de Andrade. 'Levei Gabriela a três ginecologistas e nenhum deu certeza de que ela pudesse ter um bebê. Percebi que estava ficando mais gordinha. Mas achei que fosse por comer demais'. A gestação avançada, descoberta aos seis meses, gerou pânico e encheu a família de dúvidas. Até o nascimento prematuro de Valentina, transcorreram cerca de 60 dias. 'Foram os mais longos da minha vida', diz Laurinda. 'Minha filha não tinha feito o pré-natal desde o início, como é recomendado. Por causa da síndrome de Down, ela poderia ter problemas cardíacos. A gravidez era de risco'.
Leia a matéria na íntegra aqui.



"Alguns fatos importantes estão passando despercebidos pelos nossos meios de comunicação. Basicamente, violam a concepção de Estado leigo e democrático que está consagrada na Constituição. A imprensa não pode ignorá-los.
1. O juiz que concedeu liberdade condicional a Vilma Martins Costa (aquela senhora de Goiás que seqüestrou o bebê Pedrinho e criou-o como seu filho) determinou-lhe que passe a freqüentar entidades religiosas de formação cristã. Epa: estará o meritíssimo dizendo que as religiões cristãs são melhores do que a budista, a muçulmana, a xintoísta, a hindu? Aliás, estará o meritíssimo dizendo que o ateu, ou agnóstico, ou o não-cristão, é um seqüestrador em potencial? E ninguém o entrevistou até agora, perguntando por que a preferência por entidades cristãs?
2. O promotor Victor Maurício Fiorito Pereira, em artigo que divulgou no site da Associação do Ministério Público do Rio, diz que o Estado, "com base no princípio da maioria, pode optar, quando necessário for, por determinada crença"; que pode elaborar sua legislação "tomando como base as orientações doutrinárias de um determinado credo, nisso incluindo questões polêmicas como aborto, uso de células de embriões humanos e união homoafetiva".
Então, para que Constituição? Bastará um visitador do Vaticano para determinar nossas leis? E o princípio da laicidade, básico numa sociedade como a nossa, onde fica? O cidadão tem todo o direito de seguir a religião que bem entender, ou de não seguir nenhuma, ou de estabelecer para si normas de relacionamento com a Divindade; mas daí a transformar isso em lei há uma grande diferença. O pior é que, em ambos os casos, quem defende essa tese é gente da qual depende nossa liberdade. Um pode pedir nossa prisão, o outro decretá-la."

Marília Góes, mulher do governador do Amapá e secretária de Inclusão e Mobilização Social do Estado¹, foi gravada em reunião com beneficiários de um programa estadual pedindo votos para o candidato do PDT à Prefeitura de Macapá, Roberto Góes, primo do governador Waldez Góes (PDT).
A Folha de S. Paulo teve acesso ao áudio da reunião, realizada por Marília na sexta-feira. A denúncia foi encaminhada ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) pela coligação "Frente pela Mudança", que envolve o PSB do candidato Camilo Capiberibe, o PSOL e o PMN. O juiz eleitoral Marconi Pimenta pediu o auxílio da Polícia Federal para investigar o caso.
Presentes à reunião, duas beneficiadas pelo programa Renda para Viver Melhor também denunciaram o que consideraram uso da máquina pública, o que é crime eleitoral.
Na reunião, Marília se apresenta como "a secretária que paga o benefício de vocês". E pergunta se todos receberam a ajuda mensal de R$ 207,50. Depois, emenda: "Vão me dar presente? Então, nós estamos em um período eleitoral, como eu já disse. E época de eleição é complicada. Vocês lembram da campanha passada, da primeira eleição do governador".
Marília, então, faz uma série de críticas a ações da prefeitura e ao atual prefeito, João Henrique (PT), e pede: "Vamos eleger um parceiro do governador". Diz que não foi à reunião "para falar mal de ninguém". "Mas eu vou apresentar meu candidato para vocês."
Ela sugere ao público, formado principalmente por beneficiados pelo programa de Waldez Góes, que diga o número do candidato. "Qual o número do Roberto?" A resposta --"12"-- é dada em coro.
Depois, contrariando o que havia dito de não criticar outros candidatos, afirma que Capiberibe, principal adversário de Góes segundo as pesquisas, foi contra uma campanha do Estado por um banco de leite materno. "Uma pessoa dessa não tem compromisso com a vida", afirma. "Um homem desse que como deputado estadual já fez um absurdo, imagine se for eleito prefeito."
No fim, enfatiza: "A gente está apoiando o Roberto, que é o número 12. É por isso que eu peço o voto de vocês. E que peçam para a amiga e quem peçam para o amigo", diz. "E vocês sabem que neste ano Macapá tem segundo turno. Se nós conseguirmos ganhar no primeiro turno, no dia 5 termina a eleição e a gente pode tocar a vida novamente."
Outro lado - O secretário de Comunicação do governo do Amapá, Marcelo Roza, diz que Marília está de férias desde 1º de agosto e que foi apenas convidada a participar da reunião."Ela não organizou nada, não convocou as pessoas e não estava exercendo a função de secretária. Não caracteriza, portanto, crime eleitoral."
Fonte: Folha de S.Paulo
¹ - Para quem não sabe, o governador Waldez Góes é campeão de nepotismo. No ano passado, foram listados 69 familiares empregados na sua gestão.
Por Kamila Fernandes
da Agência Folha/Fortaleza
"A Justiça Eleitoral decidiu proibir a veiculação de supostos depoimentos do presidente Lula em favor de dois candidatos a prefeito no interior do Ceará. O motivo é que as gravações eram falsas, feitas por um imitador que buscava reproduzir, além da voz, até as figuras de linguagem que o presidente costuma usar.
A fraude aconteceu nos municípios de Granja (a 353 km de Fortaleza) e Acopiara (a 345 km). Nos dois casos, os candidatos são coligados com o PT e já usam a imagem do presidente Lula em seu material de campanha impresso.
No rádio, porém, decidiram colocar uma fala falsa do presidente. O texto é muito parecido nos dois casos, com Lula cumprimentando todos com o tradicional "companheiros e companheiras", afirmando que "nunca na história desse país se fez tanto para melhorar a vida das pessoas" e declarando apoio ao candidato da coligação - em Granja, Romeu Aldigueri (PPS); em Acopiara, o prefeito Antonio Almeida (PTB).
Nos dois casos, a voz é a mesma, do imitador apelidado de Fox. O responsável pelas duas campanhas também é o mesmo: o cientista político Fabner Utida, de Fortaleza.
A Justiça Eleitoral entendeu que nos dois casos a fala pode levar o eleitor a um engano, e por isso determinou a retirada do ar. Ainda assim, segundo Utida, outros candidatos com os quais ele nem trabalha o procuraram nos últimos dias para também fazer uma versão do depoimento de Lula."
Ouça a gravação da voz do Lula aqui


"Com três parentes contratados em cargos de confiança de seu gabinete, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) sugeriu a criação de cotas para escapar da súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe o nepotismo nos Três Poderes.
O senador quer trocar o princípio constitucional, invocado pelo Supremo para proibir a contração de parentes, por 'uma legislação mais flexível'. Esta, segundo ele, iria permitir abrir vaga no serviço público para 'parentes com reais qualificações'.
Mozarildo não explicou os critérios que abonariam a sua tese de que os parentes qualificados de autoridades poderiam, sim, continuar empregados no setor público, enquanto que os demais teriam de se submeter a concursos..."
Clique aqui para ler a matéria do G1, na íntegra.
Obs: Vale lembrar que o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) já havia levantado a questão.


A Folha de S. Paulo , deste sábado (23), informa que os Governadores de Alagoas, Maranhão, Pará e Tocantis tentam escapar da súmula do Supremo Tribunal Federal, que pede a exoneração imediata de todos os parentes de políticos que ocupem cargos públicos, até terceiro grau nos três Poderes. Os quatro Estados citados afirmam que os familiares contratados são secretários de Estado, portanto não se enquadram na súmula.
Eis a parte da matéria que nos interessa: "No Pará, a governadora Ana Júlia Carepa (PT) tem dois parentes trabalhando em órgãos estaduais. Um irmão é secretário-adjunto de Esportes e um primo é funcionário da Secretaria dos Transportes. Para o governo, os dois não se enquadram nas proibições da súmula. O irmão tem cargo de "caráter político", e primo é parente de quarto grau, diz o governo."
Este é o famoso jeitinho brasileiro, que só encobre as mazelas do país. Deixa o rico, mais rico e o pobre, mais pobre. Nada novo, apenas que quem devia coibir, continua deixando passar... E é por isso, que acredito fielmente nas palavras de Millôr Fernandes: "Generalizando-se a corrupção, instaura-se a justiça".
Porque, infelizmente, esses governantes darão um jeito de manter seus parentes bem próximos. Afinal, eles são "importantes" para a administração pública... Bom, pelo menos na opinão deles!

Treze males atormentam
Treze males desesperam
Treze males violentos
Fazem da vida uma guerra
Neste Brasil altaneiro
Que tem quase um ano inteiro
De um governo que emperra.
É deslavada mentira
Lançada com tanta ira
No governo federal
Prometendo fazer tudo
Tivesse ficado mudo
Era no caso ideal.
O segundo é a distância
Que o governo tá do povo
Pois o presidente novo
Parece que tem a ânsia
De retirar os direitos
Deixando insatisfeitos
Matando a esperança.
Com que aquele sorriso
Ganhou os votos precisos
Pra depois fazer ruindade
Aliado a A.C.M.
O que todo mundo teme
Dúvida é o quarto mal
Que assola a nação
Deixando todos na mão
Já dá até no jornal
Qual a nova má ação
Que o Lula, ex-peão
Fará antes do Natal?
Aflição é o quinto mal
E também não é bonito
O Brasil está aflito
Com a bagunça geral
Só falta agora o governo
Criar uma lei a esmo
Acabando o Carnaval.
Mas além da aflição
Tem também muita doença
Que o governo não pensa
Em estender sua mão
Pois a verba da saúde
Querem mandar amiúde
Pra alimentar ilusão.
Sétimo mal, injustiça
É teste de paciência
Pois aumenta a violência
E não melhora a polícia
Virou um país sem lei
Pois nem no tempo do Rei
Havia tanta carniça.
O oitavo é a saudade
Que o povo agora tem
De um sonho que retém
E não virou realidade
Um operário no poder
Precisava se conter
E não inflar a vaidade.
Por nono vem a maldade
Que fazem a cada hora
O governo não decola
No campo nem na cidade
Só se botassem num dique
Pra esquecer Fernando Henrique
Com sua capacidade.
Décimo é a crueldade
Que o governo do PT
Faz pra todo mundo ver
Cerceando a liberdade
A seus próprios militantes
Que não esqueceram o antes
Nossa solidariedade.
Número onze, a tristeza
Que chegou inesperada
Com o governo de fachada
Fazendo do povo presa
A nação tá infeliz
Isso todo mundo diz
Cadê a nossa beleza?
Número doze é o descaso
Que têm com o Brasil
E seu povo varonil
Para quem deram até prazo
Mas aumenta o desemprego
E ninguém mais tem sossego
Isso não é por acaso.
Número treze, a fome,
Eu tenho que abordar
Ele não vai acabar,
Se acabar mudo meu nome,
Pois é tudo enganação
Um embuste, uma invenção,
Pois Lula é quem mais come.
Treze males atormentam
Treze males desesperam
Treze males violentos
Fazem da vida uma guerra
Neste Brasil altaneiro
Que tem quase um ano inteiro
"No Brasil é difícil definir qual entre os três poderes é o pior. Pessoalmente acredito que o judiciário seja o pior em absoluto, pois consegue conciliar tudo e o contrario de tudo ao mesmo tempo. Por um lado impõe a 'fidelidade partidária' e por outro lado sentencia a favor da infidelidade. Cada instancia sentencia uma coisa, e o Supremo, dependendo dos interesses sentencia outra. O Brasil é o único pais no mundo onde, por ordem do Judiciário, as algemas aos ricos são dispensadas. Onde um político, um rico, e/ou um poderoso nunca é julgado em definitivo. A impunidade é o maior resultado das atividades quotidianas do judiciário. Se não reformarem o judiciário a democracia no Brasil será engolida por quem detém o poder de fato e o direito irá inevitavelmente para o ralo."
E ainda tem gente que acha que blog é coisa de desocupado...