sábado, 20 de dezembro de 2008

Quem nunca errou?

Mas, se bem que confundir o estado do Amazonas com toda a Amazônia, que reúne nove estados, na minha opinião é muito despreparo e um tanto de desinteresse no assunto. Ainda mais de um jornal que é referência no país:

"da Folha Online

Diferentemente do publicado no título da reportagem "Ibama prevê erradicação do desmatamento no Amazonas em cinco anos" (Ambiente - 17/12/2008 - 16h24), o Ibama prevê o fim do desmatamento no Estado do Amazonas, e não na Amazônia. O erro foi corrigido."

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mundo heterogêneo

Foto: Kristiano.Flickr.2007

Achei um artigo interessante do jornalista e professor Manoel Dutra. O material foi retirado do blog do Jeso Carneiro, que aliás, possui um imenso arquivo sobre questões da Amazônia. Leiam abaixo a opinião de um especilista em jornalismo ambiental:

"A convite de um grupo de estudantes de jornalismo estive, há alguns meses, numa faculdade do interior de São Paulo para falar sobre 'como se faz jornalismo na Amazônia'.

Expliquei o óbvio, que o jornalismo tem regras universais e suas práticas devem se realizar em qualquer ambiente, em qualquer cultura. A principal regra é a fidelidade do relato e da interpretação aos fatos.

Na Amazônia, o profissional da informação encontrará situações de relativa semelhança com qualquer outro meio urbano, igualmente como terá que vasculhar a imensidão dos rios e das florestas, se desejar efetivamente testemunhar e documentar aquilo que o senso comum chama, de modo difuso, de Amazônia, um mundo heterogêneo seja do ponto de vista de sua conformação física, seja nos aspectos sociais, políticos e culturais.

No encontro com os jovens paulistas, a primeira surpresa foi o esmerado preparo da pauta, com pesquisas prévias sobre o tema do encontro, tal como faz, ou deve fazer, qualquer jornalista. A curiosidade recaía preferencialmente sobre desmatamento, que naqueles dias preenchia os noticiários, e sobre as condições de trabalho dos jornalistas desta região.

Em certo momento, um dos futuros jornalistas sugeriu o desejo de vir trabalhar na Amazônia, para denunciar a irresponsabilidade social de aventureiros que se apresentam como empresários, ao mesmo tempo revelando a ação de empresários que, usufruindo dos bens da floresta, demonstram algum compromisso com o futuro das próximas gerações.

Em resposta, aplaudi o desejo, afinal cada um tem o direito de escolher onde trabalhar neste Brasilzão de tantas realidades admiráveis e realidades também extemporâneas. Porém, apresentei-lhes uma outra sugestão: que tal vocês, antes de decidirem fazer jornalismo na Amazônia, ainda como estudantes pautassem uma ou mais de uma reportagem para o jornal-laboratório da faculdade, tendo como motivo imediato a veemência dos noticiários daqueles dias, circunstância aliada ao fato de que é aqui, em S. Paulo, que se concentra o maior parque industrial do país, com milhares de empresas utilizando madeira retirada da Amazônia.

Disse-lhes que poderiam investigar a origem dessa madeira, utilizando todos os meios e o talento de que dispõe um jornalista preocupado em revelar a verdade, para mostrar quais indústrias, grandes ou pequenas, são capazes de exibir os documentos comprobatórios da legalidade da matéria-prima que utilizam. E, em caso positivo, investigar a autenticidade dos documentos.

Com isso desejei mostrar que a Amazônia é um 'caso' de todos os brasileiros e que as raízes da devastação acham-se onde está o capital, ou seja, o Estado de São Paulo e outros centros industriais do Brasil e do exterior, sem eximir a nós, amazônidas, da nossa parcela de responsabilidade. Tive, porém, o cuidado de não me apresentar como dono da verdade, como têm feito alguns jornalistas de 'grandes' jornais brasileiros que têm sido convidados a vir a Belém 'ensinar' como se faz jornalismo na Amazônia. A questão não é dos convidados, mas de quem os convida."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Etnocentrismo contemporâneo

Quando os colonizadores portugueses chegaram ao Brasil, há mais de 500 anos, e fizeram um contato com os povos indígenas que aqui habitavam, mas não prestaram atenção de que estavam diante de uma sociedade auto-suficiente.

Muito pelo contrário, trataram de deixar claro, que nativos não possuíam uma cultura melhor que a deles. Afinal, eles eram desenvolvidos, com todas as suas armas e doenças européias. Isso é Etnocentrismo.

E casos como esses, ainda podem ser vistos, hoje em dia, como por exemplo, na absolvição do ex-apresentador do SBT, João Rodrigues, que visivelmente, incitou a discriminação indígena, durante o programa SBT Verdade, mas não o suficiente para ser considerado racismo pelo Supremo Tribunal Federal.

Vamos ver... Ele usou frases, como:

'Os índios tomaram conta do aeroporto, os aviões não podem pousar porque, quando pousam, a flecha come'

'A indiada meio que dificulta o processo lá, né, trabalhar muito pouco, não são chegados ao serviço. (...) O índio tem terra, mas não planta, é mais fácil roubar, tomar de alguém que plantou e se dizer dono, depois que colhe abandona a fazenda e vão invadir outra'.

Se isso não é racismo, vamos reavaliar o caso de todas as pessoas que foram presas por discriminação racial no país.

No site do Portal Imprensa diz que João foi denunciado "por infrações à lei de imprensa e condenado por um artigo conhecico como Lei Caó - que considera crime praticar, incitar ou induzir à discriminação por intermédio dos meios de comunicação - Rodrigues foi condenado a dois anos e quatro meses de reclusão em regime aberto. Segundo a Coordenadoria de Editoria e Imprensa do STJ, apesar de o crime de racismo ser imprescritível, o acusado teve a prisão substituída por penas restritivas de direito, além de pagar indenização de R$ 20 mil por danos morais."

Pouco. Casos como esses merecem uma atenção especial, pois contribuem para destruir a imagem do índio no país. A televisão tem um alcance imprenssionante. Dar declarações como estas é algo muito grave. O certo é que, cabe a nós tentar mudar essa falta de interesse e respeito pela cultura indígena, quase dizimada pelos "descobridores".

Onde está o dinheiro?

Em 2007, a Funai, Funasa e Incra assinaram um termo de compromisso para fazer uma desocupação de posseiros e grileiros, da terra indígena da tribo Tembé do Alto Rio Guamá, no município de Capitão Poço, nordeste paraense, cerca de duas horas e meia de viagem de Belém. A área tem 297 mil hectares, o equivalente a quase 300 mil campos de futebol.

No começo desse ano, o Governo Federal repassou a primeira parcela de R$ 100 mil para a abertura de estradas para interligar as aldeias. Ainda no primeiro semestre, foi depostitado a segunda parcela, no valor de R$ 300 mil. A verba foi repassada para a prefeitura de Santa Luzia do Pará.

Já no início do inverno na região Norte - quando as chuvas dificultam qualquer trabalho em estradas - as obras já deveriam estar concluídas, mas, nada foi feito. Por isso, os quase trezentos indígenas, que vivem lá, estão procurando os orgãos de imprensa para denunciar o abuso.

Recentemente, eles flagraram um trator de esteira da prefeitura de Santa Luzia fazendo um trabalho de roçado para plantação de mandioca de posseiros, dentro da área indígena. Será que O Ministério Público Estadual ou o Federal se habilita a apurar esta denúncia?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

"Jardim Antropológico"

Como a questão das terras da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, voltou a estar em evidência, devido ao julgamento no Supremo Tribunal Federal, mostro um artigo do sociólogo Tiberio Alloggio, para entender bem esta questão:

"Apesar da tentativa desesperada do ministro Marco Aurélio Mello de tumultuar a sessão do Supremo para atrasar mais uma vez a decisão sobre a Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, a maioria dos ministros do STF, reconhecendo a legislação estabelecida, resolveram aprovar a demarcação contínua da Reserva na sua íntegra.

Isso leva à automática retirada dos 5 arrozeiros e 'outros grileiros' que se instalaram dentro da reserva, com indenizações variadas, enquanto a maior parte desses 'outros' não terá direito a qualquer indenização, pois invadiram a área depois de demarcada.

Caberá portanto aos índios dar continuidade à produção de arroz, o que não deverá ser difícil, uma vez que muitos deles já trabalham nessa produção.

Esta solução desagrada tanto aos arrozeiros que terão de deixar as áreas que ocuparam, quanto ao governo estadual que poderá ter perda de arrecadação. Mas também desagrada os antropólogos que, em nome da tradição, queriam na reserva a instalação do estado de primarismo

Esses antropólogos questionam a integração dos índios ao sistema de vida moderno, pois segundo eles, ofenderia a sua cultura, propondo a manutenção de reservas do tipo 'Jardim Antropológico', onde o índio possa ser observado pobre e de tanga, como objeto de curiosidade, e estudado como uma figura folclórica.

A decisão do Supremo implica também a não sobreposição dos direitos das povos indígenas às leis nacionais, imputando ao Índios a obrigação de respeitar as leis ambientais e o direito das instituições nacionais, como as Forças Armadas, de circular sem necessidade de autorização pela reserva.

As terras da reserva continuam sendo da União e os Índios tem o usufruto sobre a produção do solo, mas não sobre o subsolo que tem legislação específica que está acima dos direitos atribuídos aos índios.

Uma resposta clara para os setores com visão atrasada e paranóica, que vêm nas ONGs uma ponta de lança do interesse internacional. Considerando que uma das maiores mineradoras mundiais é brasileira, por que a Vale usaria ONGs estrangeiras para espionar a existência de recursos minerais?

Com essa decisão do Supremo, os Índios Macuxi, que já dominam a pequena pecuária, terão agora mais uma excelente oportunidade para gerar trabalho e renda, produzindo arroz e, por estar numa grande área de cerrado, sem necessidade de desflorestar. Não apenas para suprir à suas necessidades, mas para o atendimento da população do Estado e da Amazônia, o que, segundo os puristas do 'Jardim Antropológico', contraria a sua cultura tradicional.

Poderão passar a operar como patrões e/ou cooperados, incorporando tecnologias modernas, as mesmas que os Macuxi já estão operando como empregados dos arrozeiros, o que mais uma vez, irá contrariar os antropólogos, pois a cultura tradicional nunca utilizou equipamentos mecanizados.

Ocorre que todos eles já usam celular, televisão e eletrodomésticos, além de carros e motos. Mas como comprar esses produtos se não tiver dinheiro decorrente de venda de seus excedentes? Será que conseguem isso apenas com a troca dos seus instrumentos 'exóticos para os brancos'?

Enfim, os votos majoritários do STF dizem que a demarcação contínua é constitucional, devendo ser mantida e respeitada.

Que a propriedade das terras é da União, com usufruto dos índios, mas que o direito dos índios não está acima ao quadro legislativo nacional.

Que os índios, como todo os cidadão do Brasil, estarão também sujeitos à legislação ambiental, eles são índios, mas são brasileiros como todos os demais.

Acabando uma vez por todas com essa ilusão de 'nação indígena'. "

***retirado do blog do Jeso

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Medindo forças

"A Defesa Civil de Santa Catarina informou que subiu para 117 o número de mortos em todo o Estado, devido às chuvas. Segundo o último boletim, 69.114 pessoas estão desalojadas e desabrigadas, sendo 21.219 desabrigados e 47.895 desalojados. Há também 31 desaparecidos confirmados."

"Após dar fim a aproximadamente 60 horas de terror em Mumbai, a Índia contabilizou 195 mortos e 295 feridos devido aos ataques simultâneos de terroristas em pelo menos sete pontos distintos na cidade, centro financeiro da Índia."

Após ler estas duas notícias, apenas uma conclusão podemos ter: mais uma vez, o homem prova que pode ser mais destruidor, do que qualquer catástrofe, por mais avassaladora que ela seja.

com informações do G1

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Narradores da Amazônia

No Brasil, há 220 países autônomos sendo destruídos. A afirmação é do jornalista gaúcho Felipe Milanez, editor da revista National Geographic Brasil, palestrante convidado do evento “Jornalismo ambiental: os desafios da cobertura jornalística na Amazônia”, realizado nesta quinta-feira (27), no Gasômetro (Parque da Residência). Para ele, no país, se vive um processo rumo ao holocausto se observado o genocídio de povos indígenas e povos tradicionais, temática central do evento.

Milanez destacou que o grande desafio aos jornalistas é convencer editores de que aqui na Amazônia há coisas mais interessantes que os assuntos restritos publicados na grande mídia. “Meu foco hoje é denunciar e alertar sobre o que está sendo destruído no país. Fazer um texto interessante para atingir mais leitores é uma forma de dar um grito”, reforçou o jornalista. “No contato com os índios quando trabalhei na Funai percebi como eles são maltratados pela mídia. A gente os trata como oprimidos e o que se quer é a terra deles”, criticou.

Ele mostrou exemplares da revista Brasil Indígena, impresso que editou quando trabalhou na Funai, com fotos que mostram diversas formas de organização dos povos indígenas, como os Chiquitano e Way-way, e de outros massacrados, que resistem apenas duas ou três pessoas. Do povo Kanoê, por exemplo, sobraram dois, os demais foram dizimados nas décadas de 70 e 80. “Publiquei a matéria Sombras da Selva, na National, que conta a história dos dois índios Piripkura achados no ano passado”, comentou.

Leia a matéria na íntegra, no site 'Pará Negócios'.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Dois crimes, dois extremos

Alguém saberia me dizer a diferença entre os paraenses José Francisco Vieira e Deusivania dos Santos Souza? Ambos, foram assassinados, durante esta semana, só que ele, em Belém e ela, em Marabá, sudeste paraense.

A respota é simples: status social. Ele tinha, ela não. Ele era advogado de uma grande rede de supermercados da cidade, além de ser genro do proprietário. Ela era esposa de um policial militar.

Talvez, isso explique a presença de três delegados, no local do crime de Francisco e nenhum no de Deusivania. Ela não era importante para chamar "tanta atenção" das autotidades e da imprensa, além de instigar o "interesse" da Polícia Civil para que o crime fosse solucionado, não é?

Será que ainda há dúvidas sobre qual dos dois crimes será solucionado primeiro? As minhas críticas não buscam diminuir o prestígio do advogado, mas a situação parece está invertida. Vamos aos fatos:

- Francisco foi morto, na entrada de sua residência, de acordo com a polícia, em uma tentativa de assalto. O circuito interno de vigilância da casa gravou a ação dos assaltantes.

- Deusivania estava na carona de um mototáxi quando foi perseguida e morta. O motociclista também pegou um tiro no pescoço e corre o risco de ficar paraplégico.

Eis a minha inquietação: o primeiro caso não parece ser mais fácil para a polícia de ser solucionado, do que o outro? Afinal, há a gravação que possibilitará a identificação dos criminosos, logo.

Isso chama-se "inconsistência de status", onde as situações foram influenciadas positiva e negativamente, respectivamente, sobre os status sociais que lhe diferenciam. É triste, mas é isso. Status.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O voto americano visto do Brasil


Por Luiz Weis/Observatório

"Na sua ampla cobertura da eleição nos Estados Unidos, a imprensa brasileira deu uma idéia de como funciona – se é que o verbo é esse – o processo de votação no país.

É um processo essencialmente voter unfriendly – já não bastasse a eleição ser indireta, uma contrafação do proclamado princípio “um homem, um voto”. São, como se sabe, 538 homens (e mulheres) os membros do colégio eleitoral que em última análise escolhem o presidente – “mais iguais”, portanto, do que os 169 milhões de eleitores do país.

O colégio eleitoral, a propósito, foi instituído pelos “pais fundadores” dos Estados Unidos, os signatários da Declaração de Independência de 1776, com a intenção assumida de contrabalançar o poder político da maioria absoluta da população com direito de voto – os homens livres não proprietários de terras.

Das regras para o registro de eleitores aos procedimentos de votação, uma coisa e outra podendo variar de estado para estado ou de distrito (county) para distrito, o sistema é um convite para ficar em casa no dia da eleição.

Ficar em casa, aliás, é modo de dizer: dia de eleição é dia de trabalho – razão por que este ano milhões de americanos, muitos deles presumivelmente eleitores de Obama, enfrentaram horas de fila no domingo nos lugares que permitem o voto antecipado. O Estado de S.Paulo da segunda-feira trouxe uma boa matéria a respeito, descrevendo a situação numa seção eleitoral de Palm Beach, na Flórida.

Os mecanismos de votação – como ficou escancarado na mesma Flórida quando da primeira eleição de George W.Bush, em 2000 – são um convite ao erro e à fraude."

Leia a matéria na íntegra aqui.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Almoxarifado para o problema dos outros

O texto abaixo representa um caso, onde fica claro, o jogo de interesse entre o Governo e empresários. Após tantos orgãos e demais setores apresentarem inúmeros fatos que inviabilizam esta questão, não se vê outra explicação para isso continuar em pauta, e pior, praticamente colocado em prática.

Como disse o jornalista Manuel Sena Dutra: "A Amazônia é um almoxarifado para o problema dos outros."

O texto baixo é do padre e diretor da Rádio Rural AM. Ele escreve regularmente no Blog do Jeso:

"A conversa dos empresários e do pessoal do governo federal é de que construir hidrelétricas na Amazônia é para trazer grandes benefícios às populações. E mais: dizem que não basta a usina de Tucuruí. Agora, além das usinas do rio Madeira e de Belo Monte, no Xingu, há planos de mais 5 hidrelétricas na bacia do Tapajós. Essa é uma das mentiras que está sendo divulgada.

Para atender às famílias do Pará, Amapá e Amazonas, os técnicos mais honestos garantem que a usina de Tucuruí tem capacidade de fornecer energia. Se Monte Alegre, Alenquer, Óbidos e Juruti, no Pará, e Parintins, Manaus e Itacoatiara , no Amazonas, não têm energia de Tucuruí é porque não atravessaram o rio Amazonas com os cabos de eletricidade. Existe o projeto, mas não há interesse nem da Rede Celpa, nem dos governos do Pará e Federal.

Por que então o governo federal insiste em construir 6 imensas hidrelétricas tão vizinhas - uma em Belo Monte, no Xingu, e 5 no rio Tapajós? Para atender a quem?

Quando um diretor do Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes, Denit, esteve há poucos dias em Santarém e declarou que o rio Tapajós era essencial para o governo federal construir hidrelétricas, isso causou revolta em moradores do alto Tapajós. Lá existem mais de mil famílias, e mais adiante, acima das primeiras cachoeiras, existem 5 mil indígenas Mundurukus, Kaiabis e Apiacás que também sofrerão um desastre caso essas faladas hidrelétricas venham a ser construídas.

O pessoal do governo, submisso às grandes empresas mineradoras, trata o povo da Amazônia como gado. Basta mudar a fazenda e está resolvido.

Até agora, os milhões de toneladas de minérios extraídos do Pará e da Amazônia só deixam estragos no meio ambiente e nas populações, sem nada de desenvolvimento humano. Ouro do Tapajós, cassiterita e diamantes em Rondônia, bauxita no rio Trombetas e logo, logo, mais bauxita de Juruti, deixam a devastação, alguns empreguinhos temporários e os lucros vão para o estrangeiro.

Muita gente sabe disso, mas… É um absurdo de ignorância quando empresários e políticos estão aplaudindo os planos feitos para prejudicar os povos da Amazônia. Ou será oportunismo simplório?

Cinco hidroelétricas serão a morte do belo rio Tapajós, a morte de tantos moradores que vivem às margens do ainda belo rio e desgraça para o meio ambiente da Amazônia. Por que deixar acontecer tanta desgraça?"

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Novo layout

Decidi mudar. Tava cansado do outro blog e por preguiça preferi não criar outro. Apenas reformulei o antigo, dando uma cara mais de 'Amazônia'. Nada contra a literatura de cordel, que eu tentava usar como base para o último blog, mas é nessa ambiente de floresta que eu nasci e me criei.

Outro ponto é o resgate da língua indígena, que na minha opinião, deveria ser um trabalho fundamental, feito, principalmente, pelos moradores da região Norte do país, com o objetivo de combater a extinção desses dialetos lingüísticos.

As críticas serão feitas da mesma forma e o espaço dado para quem quiser expressar opiniões diferentes, continuará aberto para discussões.

Os desafios da cobertura na Amazônia


Foto: Thais Iervolino/Amazônia.org

"O problema de fazer uma boa cobertura jornalística na Amazônia seria a falta de quadros contratáveis na impresa local." Essa foi a afirmação -- infeliz, diga-se de passagem -- do jornalista Claudio Angelo Monteiro, editor de ciência e meio ambiente do jornal Folha de S. Paulo, que participou da terceira etapa de um ciclo de palestras sobre Jornalismo Ambiental, em Belém.

Anteriormente, já passaram pelo evento, o jornalista Alexandre Mansur, editor da revista Época e do blog 'O Planeta' e o jornalista Marcos Sá Corrêa, que dispensa comentários. Mas, foi com Claudio Angelo que o assunto ganhou polêmica, em meio a um público de estudantes e jornalistas.

Acredito que, em partes, o Angelo não está errado, mas sem dúvidas parece ter falta de conhecimento para discutir o assunto. Mas, atenção! Conhecimento e experiência são coisas diferentes, ainda mais, na nossa profissão.

Ele é editor de Meio Ambiente, mas nunca tinha ouvido falar no nome de Manoel Sena Dutra, conhecia apenas a "fama" de Lúcio Flávio Pinto e desconhecia o trabalho de José Raimundo Pinto, com quem dividiu a mesa de debates. Esse trio forma um bom exemplo de especialistas no assunto.

É certo, que eles fazem parte de uma geração em que os repórteres se pautavam e os jornais impressos podiam bancar despesas de viagens pela região. Mas, só quem vive na Amazônia sabe das dificuldades de isolamento geográfico (distâncias); perigos por brigas de terras que envolvem fazendeiros, pistoleiros e agricultores; e principalmente, a falta de apoio.

O fato, é que, atualmente, as empresas de comunicação, seja qual for o veículo, não dão atenção para questões ambientais. Preferem fazer o factual. "A violência está pautando as redações e os diretores das emissoras, não necessariamente, são jornalistas; o que aumenta o desinteresse no tema 'Amazônia'. ", explica o jornalista Manuel Sena Dutra.

Claudio Angelo explicou a afirmação, com o argumento de que a cobertura, em Belém, perdia a qualidade, pois um jornalista ganha um salário de R$ 700,00. O profissional acaba tendo que arranjar um segundo ou terceiro emprego e não pode se dedicar a apenas um, como acontece no sudeste do país.

Para a jornalista da Embrapa, Ruth Rendeiro, "é constrangedor e decepcionante a dificuldade que há em se 'vender' uma pauta quando os assuntos são mais complexos. Os que fazem imprensa na Amazônia parecem não estar dando muita atenção para o que ela significa interna e externamente."

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Os desafios dos prefeitos

O vídeo abaixo mostra uma reportagem produzida por mim, para a série do Jornal da Record: 'Eleições - Os desafios dos prefeitos". Nós fechamos o VT com material do estado do Acre e Amazonas, para mostrar o drama da educação, na região Norte.

Durante cerca de duas semanas trabalhamos nessa reportagem, sem deixar de lado o factual, sendo que entre essas duas semanas, a âncora da Rede Record, Adriana Araújo veio a Belém, para gravar a sua passagem
.

Corre-corre, orçamentos de traveling e grua, organização de escalas de trabalho, tudo para atender da melhor forma a equipe de SP. O resultado acredito ter ficado muito bom... Ainda mais pela experiência que adquiri.

O caso - Em escolas na zona rural, no interior do Pará, falta infra-estrutura, material didático e merenda -- não é muito diferente de outros estados. Mas, uma das coisas mais sérias que acontecem aqui, são os casos de "alunos-jacarés", crianças que não tem cadeira para assistir aula e acabam escrevendo a lição deitados no chão.

Decidi que iria fazer este flagrante para a série sobre 'Educação' e após, cerca de três horas percorrendo estradas de um município, próximo a capital paraense, consegui mostrar um triste exemplo deste descaso.

A matéria foi ao ar no dia 30 de setembro, mas não sei qual a repercussão sobre o que aconteceu a escola, se conseguiram as cadeiras e se ela foi reformada, por exemplo. Afinal, qual o meu papel: denunciar e depois cobrar do Governo? Ou apenas denunciar e esperar que as autoridades tomem alguma providência? Seria este, um caso do 'complexo de super-homem'?.


Veja a matéria:


terça-feira, 23 de setembro de 2008

Iscas humanas


Por Chico Araújo
Agência Amazônia de Notícias


"O governo do Acre está proibido de usar 'iscas humanas' na captura do mosquito
Anopheles, transmissor da malária, usados em estudos da doença. Também fica proibido o uso de sangue humano como alimentação dos mosquitos capturados. A determinação foi feita por meio de recomendação pelo Ministério Público Federal (MPF) no Acre e a Secretaria de Saúde terá o prazo de 10 dias para cumpri-la.

O uso de cobaias humanas foi revelado, com exclusividade, pela Agência Amazônia dia 18 de maio deste ano. O agente Marcílio da Silva Ferreira que, por um salário de pouco mais de R$ 850 mensais, era obrigado a ficar entre 6 e 12 horas com o corpo nu e exposto às picadas dos insetos. Ferreira contou que ficava em exposição nos locais de maior foco e nos horários de pico dos ataques dos mosquitos. Pegou 12 malárias. Em depoimentos à Polícia Federal, os agentes confirmaram toda a história."

Veja a reportagem na íntegra, aqui.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Prazer doentio II

"Um pastor de 53 anos, que segundo a polícia confessou ter abusado de sete garotos, foi preso no sábado (20) em Marcelândia (MT). Segundo a polícia, as vítimas teriam entre 13 e 15 anos.

De acordo com o delegado Luiz Henrique de Oliveira, o pastor confessou os crimes durante o interrogatório. Na casa do pastor, que fundou uma igreja no município, a polícia encontrou fotografias de garotos, anotações em agendas e uma carta escrita por uma vítima.

As investigações da polícia apontam que o pastor atraia as vítimas por meio do trabalho realizado pela igreja. Ele era professor de música e mantinha uma escola de futebol para meninos.

O pastor está preso na delegacia de Marcelândia, mas deve ser encaminhado para o presídio de Colíder (MT)."

Fonte: G1

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

"Coincidêdia" no campo

Por Bianca Pyl
Repórter Brasil

"Entre 2000 e 2006, os setores que mais contribuíram para o crescimento das exportações do agronegócio foram o de carnes (23,2% do aumento absoluto das vendas para o exterior) e o sucroalcooleiro (22,7%). Os números foram apresentados ao público em agosto pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), em mais um dos recentes balanços econômicos.

Um outro levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do início deste mês traz à tona uma face menos vistosa da pujança do setor. De acordo com os dados catalogados pela CPT, 56% dos casos registrados de trabalho escravo se deram na atividade pecuária, de 2003 a 2006.

Do total de trabalhadores libertados da escravidão contemporânea durante o mesmo período, 40% estavam desepenhando tarefas ligadas à criação de gado bovino e 10% foram resgatados das plantações de cana-de-açúcar.

Na última atualização semestral da "lista suja" do trabalho escravo", cadastro de infratores mantido desde 2003 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o grupo maioritário de ingressantes foi formado de pecuaristas, acompanhado de usinas sucroalcooleiras da Região Centro-Oeste.

Dos 43 nomes incluídos, 46,5% foram flagrados explorando mão-de-obra escrava na atividade de pecuária bovina. Um total de 15 - dessas 20 propriedades de criação de gado - se localiza em municípios da fronteira agrícola da Amazônia, nos estados do Pará (11), Maranhão (3) e Mato Grosso (1). Ou seja, 37,2% das ocorrências incluídas na relação de escravocratas se deram na faixa de derrubada da maior floresta do mundo."

Leia a matéria na íntegra aqui

Dados maquiados

Para o ministro da saúde, José Gomes Temporão, os dados fornecidos pela Organização Mundial de Saúde, sobre os casos de malária na Amazônia Legal, estão incorretos. Temporão diz que a metodologia usada pela OMS não pode ser aplicada à situação brasileira. O estranho é que o estado do Pará não foi incluído no argumento do ministro. Não seria por que o terrítório paraense detém, cerca de 80% das ocorrências da doença, e contradizer ele? A Secretaria Estadual de Saúde Pública do Pará confirma que a maioria dos casos ocorre no município de Anajás, na Ilha do Marajó:

"O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, condenou o relatório da Organização Mundial de Saúde sobre a incidência de malária no Brasil. Em documento à direção da organização, em Genebra, ele afirma que não reconhece como verdadeiros os dados divulgados hoje. De acordo com Temporão, a metodologia usada pela OMS não se aplica à situação brasileira, onde, desde 2006, a doença está em declínio. Nos estados da Amazônia Legal ― Roraima, Rondônia, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Acre, Amazonas e Tocantins ―, em 2006, foram notificados 549.184 casos e não 1,4 milhão, como informa o relatório da OMS.

A Amazônia Legal, com 807 municípios, conta com uma rede de 3.290 laboratórios e 41.046 agentes para controle da doença, além de médicos e enfermeiros. Essa grande cobertura garante extrema sensibilidade do sistema de informação sobre a ocorrência de malária na região, que concentra 99,7% das notificações de malária do país. A redução da malária no país é atribuída à expansão da rede de diagnóstico, ao tratamento oportuno e adequado de paciente e a inclusão de um novo medicamento no esquema terapêutico, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz... "

Fonte: Ministério da Saúde/Agência Saúde

Pará, terra de direitos

Mais da metade dos paraenses não tem água encanada. O acesso a esse serviço avançou de forma pífia no Estado: apenas 1% entre 2006 e 2007. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2007, divulgados ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De todos os itens, a rede de água, no Pará, só perde para Rondônia, com 50,8% e 60,3%, respectivamente. São Paulo e o Distrito Federal estão no topo, com 96,7% e 93,6%, respectivamente. Outro setor que também teve um crescimento pequeno, foi a rede de saneamento: de 57% foi para 57,3%, deixando o Pará com a mais baixa evolução do país.

Por outro lado, a rede elétrica é registrada como o bem mais acessível da população paraense: de 91,6% foi para 93,5% dos lares do estado. Mas, as contantes quedas de energia evidenciam que o problema vai além de receber luz elétrica: o difícil é não haver interrupções. Outro fato interessante é que no Pará há mais televisores, do que geladeiras: 87,2% dos domicílios tem tv, enquanto 77,4% têm refrigeradores.

Outra situação que merece destaque é o fato de que apenas 30% dos paraenses têm filtro de água, dentro de casa. Muitas famílias ainda se abastecem com água de poço. Por último, a outra é a questão da inclusão digital: apenas 11% das residências têm computador.

Esse é o "Pará, terra de direitos" do Governo do Estado?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Prazer doentio

Nove anos de prisão. Essa foi a pena imposta pela justiça francesa, nesta quinta-feira (11), a Didier Bourguet, 44 anos, condenado por abusar sexualmente de dois menores e violentar um terceiro quando trabalhava para a missão da ONU na República Democrática do Congo.

Bourguet, que não é militar, mas trabalhava como mecânico de veículos dos capacetes azuis da ONU, tinha sido acusado de ter violentado sexualmente pelo menos 22 menores, assim como de ter tirado fotos pornográficas de crianças entre 1998 e 2004 na República Centro-Africana e na República Democrática do Congo.

No Brasil, o Supremo Tribunal Federal autorizou também, hoje, a extradição de um chileno acusado de pedofilia, que teria fugido para o Brasil após ser condenado em seu país. Segundo a Justiça do Chile, ele cometeu os crimes de associação ilícita, emprego de menores de doze anos na produção de material pornográfico, além de abuso sexual e violação de menores.

Relembrando, que no domingo (7), um sargento da Aeronáutica, de 41 anos, foi preso acusado de aliciar crianças de 5 a 12 anos. De acordo com a polícia, ele tirava fotos delas sem roupas com um celular. O suspeito foi detido depois que uma testemunha o viu tirando fotos de mulheres na rua. Quando os policiais foram averiguar, descobriram as fotos das crianças. De acordo com a polícia, o sargento mantinha uma rede de contatos pelo celular.

Não acho difícil separar o julgamento de casos como esses - ainda mais dos reincidentes. Além de ser doença, pedofilia é crime. Essas pessoas, que buscam esse prazer doentio deveriam se tratar em apenas um lugar: cadeia.

Cordel de Elpídio de Toledo - "Pedófilo, de joelho, no sacrário!"

"... E, ao chegar a São Pedro,
ao inferno fazia jus,
inda pediu ao paredro
pra ver Menino Jesus.

E, assim, foi condenado.
Sua alma a queimar
demais, por tanto pecado,
é do Cão auxiliar.

(...) E é possível que volte,
pois, vaga de um demônio,
embora nos revolte,
não é de Santo Antônio.

E, ao chegar aqui,
na certa vai perguntar
se já tem algum guri
em que possa encarnar."

terça-feira, 9 de setembro de 2008

'Ver-a-dor' da cidade

Após assistir, na semana passada, ao cômico horário político para candidatos a vereadores, de Belém, vi um candidato que buscou defenir a função de um vereador. Era mais ou menos assim: "Como o nome já diz, um vereador serve para 'ver-a-dor' da cidade... ".

Nessa hora percebi que, de fato, eu não sabi ao certo o papel de um vereador na sociedade. Nessa hora recorri a internet e encontrei uma matéria da revista Veja que explica o papel dessas pessoas responáveis por elaborar as leis municipais. Abaixo, estão algumas dúvidas que foram explicadas:

1. Quantos vereadores compõem a Câmara Municipal de uma cidade?
2. Há projetos para modificar esse cálculo?
3. Quantos vereadores concorrem à reeleição?
4. Qual a importância da Câmara nas decisões sobre a administração das cidades?
5. Quanto ganha um vereador?
6. Além do salário, quais benefícios os vereadores recebem?
7. Quais as Câmaras Municipais mais caras?
8. Quantos votos são necessários para se eleger?
9. Como é feita a divisão entre as vagas disponíveis e os partidos?
10. Como são definidos os suplentes?
11. Vereador tem imunidade parlamentar?
12. Quantos candidatos disputam as eleições para vereador?
13. O que é exigido para se candidatar a vereador?

Sakamoto destrincha o trabalho escravo


Por Leonardo Sakamoto/Repórter Brasil

"O trabalho escravo contemporâneo utilizado em empreendimentos agropecuários e extrativistas no Brasil não possui uma estrutura mafiosa em grande escala, que garanta o abastecimento de mão-de-obra, ao contrário do que ocorre com o tráfico de seres humanos para exploração sexual forçada. A experiência das entidades da sociedade civil que atuam no combate ao trabalho escravo mostra que não há uma organização criminosa com recursos financeiros e estratégias visando ao tráfico de escravos para o campo. O que existem são ações, na maior parte das vezes pulverizadas e sem coordenação, sob responsabilidade dos próprios fazendeiros, seus gerentes, prepostos, 'gatos' e pequenos grupos de aliciadores.

Da mesma forma, não há uma organização comercial ou um grupo político reunindo proprietários rurais que tenham utilizado trabalho escravo, até pela natureza criminosa dessa prática.

Os fazendeiros que incorrem no crime, assim como os outros empresários, associam-se aos sindicados rurais de seus municípios, que por sua vez integram as federações estaduais - em âmbito nacional reunidas na Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). Além disso, também fazem parte de organizações de atividades econômicas.' "

Leia a matéria na íntegra aqui.

OBS: De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), desde 2005, mais de 30 mil trabalhadores já foram libertados por grupos móveis de fiscalização. Esse número é superior a população total de muitos município do interior do Pará.

Os indecisos do Judiciário

O bom de você acessar blogs, além de posts de qualidade, ainda é possível achar comentários interessantes, que algumas vezes, acrescentam boas informações para quem está lendo. Como é o caso do deixado por Tiberio Alloggio, no blog do Jeso Carneiro, sobre um candidato a vereador, que ganhou na justiça o direito de não pedir votos para a candidata a prefeita de seu partido, durante o seu horário político no rádio e na tv:

"No Brasil é difícil definir qual entre os três poderes é o pior. Pessoalmente acredito que o judiciário seja o pior em absoluto, pois consegue conciliar tudo e o contrario de tudo ao mesmo tempo. Por um lado impõe a 'fidelidade partidária' e por outro lado sentencia a favor da infidelidade. Cada instancia sentencia uma coisa, e o Supremo, dependendo dos interesses sentencia outra. O Brasil é o único pais no mundo onde, por ordem do Judiciário, as algemas aos ricos são dispensadas. Onde um político, um rico, e/ou um poderoso nunca é julgado em definitivo. A impunidade é o maior resultado das atividades quotidianas do judiciário. Se não reformarem o judiciário a democracia no Brasil será engolida por quem detém o poder de fato e o direito irá inevitavelmente para o ralo."

E ainda tem gente que acha que blog é coisa de desocupado...

domingo, 7 de setembro de 2008

Mamada - Parte 3

Mapeamento do Serviço de Perícias de Engenharia Legal da Polícia Federal - braço do Instituto Nacional de Criminalística (INC) que inspeciona obras públicas sob suspeita - aponta desvio de R$ 15,58 bilhões em obras públicas no período entre 2000 e 2008.

Os valores do desvio, corrigidos para 1.º de agosto, foram calculados a partir da análise de 1.770 laudos elaborados pelos engenheiros federais em obras contratadas com recursos da União. Nesses empreendimentos, espalhados pelos 26 estados e o Distrito Federal, foram investidos R$ 110,47 bilhões.

Para chegar ao montante, os técnicos adotaram procedimentos de análise documental, levantamento topográfico, avaliação objetiva da qualidade do pavimento e ensaios laboratoriais.

Os modelos de obras que mais passaram pelo crivo da perícia são edificações (33%) e estradas (16%). Também foram alvo pontes (4%), drenagem (5%), hídricas (3%), elétricas (2%), água (9%), saneamento (8%). Os técnicos da PF identificaram superfaturamento médio de 30% nas obras em rodovias. Em alguns casos, o sobrepreço atingiu 250%.

Uma análise mais restrita, tomando por base universo de 430 Formulários de Procedimentos Posteriores - produzidos a partir de leitura minuciosa de laudos conclusivos -, aponta gastos de R$ 26,7 bilhões e desvios de R$ 3,77 bilhões.

Vistoria - Os peritos vistoriaram 9,32 milhões de metros quadrados de área e 3,84 milhões de metros cúbicos de materiais. Percorreram 211,8 mil hectares de terras. Foram inspecionados 364 canteiros. Eles analisaram o custo mínimo de 313 obras e a qualidade do material empregado em 177 delas. Em apenas 58 não identificaram malversação. O superfaturamento apareceu em 168 contratos.

A perícia enquadra 143 casos por 'inexecução parcial ou total' dos serviços. Outros 75 apresentaram 'deficiência na qualidade' e 63 não tinham o projeto básico exigido pela Lei 8.666/92, que disciplina procedimentos de licitação.

Fonte: G1

Mamãe é Down


Texto: Solange Azevedo
Foto: Rogério Albuquerque
Revista Época

" 'Tio, a barriga da Gabriela está dando socos.' Foi assim, no meio de um bate-papo inocente, que o estudante Fábio Marchete de Moraes, de 28 anos, deixou escapar que ele e a mulher brincavam de 'examinar' o ventre dela. Fábio não imaginava que as pancadinhas partiam de uma criança em gestação. Maria Gabriela Andrade Demate, a dona da barriga, também de 28 anos, não fazia idéia de que estava grávida. Embora estivessem juntos havia três anos, dividindo o mesmo teto e a mesma cama, Fábio e Gabriela acreditavam que o sexo entre eles fosse proibido. Seus pais nunca tinham dito, de maneira explícita, que permitiam esse tipo de intimidade. Gabriela tem síndrome de Down. Fábio é deficiente intelectual.

Foi por desconfiar do abdome saliente de Gabriela que o amigo de Fábio procurou a mãe da jovem. 'Os dois vêm a minha choperia quase todos os dias e me chamam de tio', diz Vlademir Cypriano. 'Eles me contam coisas que não falam para mais ninguém.' Um teste de farmácia, comprado às pressas, não foi suficiente para eliminar a suspeita. 'Mesmo vendo as duas listrinhas do exame, não acreditava que a minha filha estivesse grávida', afirma Laurinda Ferreira de Andrade. 'Levei Gabriela a três ginecologistas e nenhum deu certeza de que ela pudesse ter um bebê. Percebi que estava ficando mais gordinha. Mas achei que fosse por comer demais'. A gestação avançada, descoberta aos seis meses, gerou pânico e encheu a família de dúvidas. Até o nascimento prematuro de Valentina, transcorreram cerca de 60 dias. 'Foram os mais longos da minha vida', diz Laurinda. 'Minha filha não tinha feito o pré-natal desde o início, como é recomendado. Por causa da síndrome de Down, ela poderia ter problemas cardíacos. A gravidez era de risco'.

Leia a matéria na íntegra aqui.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Presos até que outro confesse




da
Carta Capital

"A libertação dos três rapazes presos durante dois anos por um crime que, agora, outro confessou, não agradou ao desembargador Luís Soares de Mello. “Em qualquer caso, todo réu alega tortura”, disse à Folha de S.Paulo. À época, Renato Correia de Brito, William Silva e Wagner da Silva revelaram, em vão, terem confessado o crime após ser torturados por policiais civis e militares.

Eles deixaram o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos (SP), na quarta-feira 3, com uma ordem de soltura emitida pela Justiça. A liberação aconteceu porque Leandro Basílio Rodrigues, investigado por uma série de crimes, confessou ter violentado e assassinado Vanessa de Freitas. A jovem, morta em 2006, era ex-namorada de Brito.

O governador José Serra (PSDB) anunciou o afastamento dos policiais envolvidos no caso, e o secretário estadual de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão prometeu que, “se forem comprovadas a tortura e as prisões ilegais”, o Estado indenizará as vítimas. Por sua vez, os promotores e magistrados envolvidos nas prisões alegam que a tortura “não constava” nos autos.

“O maior obstáculo ao combate à tortura tem sido a própria ação do Ministério Público e do Judiciário, que alocam todas as denúncias na vala comum”, critica Ariel de Castro Alves, secretário-geral do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe).

A entidade pediu às respectivas corregedorias a apuração da atuação de seus agentes no episódio. “A tortura persiste porque não foi punida no passado e porque não é punida hoje”, diz Alves, e pergunta algo que ninguém parece querer responder: “Quantos mais podem estar na mesma situação desses rapazes?”

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O verdadeiro vencedor


Atenção, este post tem imagens fortes.

O vencedor do Prêmio Pulitzer de 2007, na categoria Fotografia, Renee C. Byer, do jornal Sacramento Bee. Byer acompanhou durante meses uma mãe solteira e seu filho, que lutou contra um câncer. Ao ver as fotos é quase impossível não se comover.

Se eu pudesse fazer uma pergunta a Deus, seria essa: Porque
crianças parecem vir ao mundo com apenas um objetivo: sofrer? Afinal, não entendo a "mensagem" que se possa querer passar com uma história dessas. Não existe outra maneira de mostrar a mãe que ela consegue superar os seus limites, sem a dor da perda de um filho?

Inaceitável.

retirado do Haznos

Religião Obrigatória


Por Carlos Brickmann
Observatório da Imprensa

"Alguns fatos importantes estão passando despercebidos pelos nossos meios de comunicação. Basicamente, violam a concepção de Estado leigo e democrático que está consagrada na Constituição. A imprensa não pode ignorá-los.

1. O juiz que concedeu liberdade condicional a Vilma Martins Costa (aquela senhora de Goiás que seqüestrou o bebê Pedrinho e criou-o como seu filho) determinou-lhe que passe a freqüentar entidades religiosas de formação cristã. Epa: estará o meritíssimo dizendo que as religiões cristãs são melhores do que a budista, a muçulmana, a xintoísta, a hindu? Aliás, estará o meritíssimo dizendo que o ateu, ou agnóstico, ou o não-cristão, é um seqüestrador em potencial? E ninguém o entrevistou até agora, perguntando por que a preferência por entidades cristãs?

2. O promotor Victor Maurício Fiorito Pereira, em artigo que divulgou no site da Associação do Ministério Público do Rio, diz que o Estado, "com base no princípio da maioria, pode optar, quando necessário for, por determinada crença"; que pode elaborar sua legislação "tomando como base as orientações doutrinárias de um determinado credo, nisso incluindo questões polêmicas como aborto, uso de células de embriões humanos e união homoafetiva".

Então, para que Constituição? Bastará um visitador do Vaticano para determinar nossas leis? E o princípio da laicidade, básico numa sociedade como a nossa, onde fica? O cidadão tem todo o direito de seguir a religião que bem entender, ou de não seguir nenhuma, ou de estabelecer para si normas de relacionamento com a Divindade; mas daí a transformar isso em lei há uma grande diferença. O pior é que, em ambos os casos, quem defende essa tese é gente da qual depende nossa liberdade. Um pode pedir nossa prisão, o outro decretá-la."

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Soberania Nacional



O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou esta semana o julgamento sobre a homologação (que é uma autentificação dada por uma autoridade) da reserva indígena Raposa Serra do Sol. O território, de 1,7 milhão de hectares, localiza-se no Estado de Roraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela e Guiana. O governo homologou a demarcação contínua da reserva, mas ação contesta a decisão e propõe demarcação em ilhas.

Veja abaixo os interesses envolvidos:

Governo Federal - Integrantes do governo argumentam que a Constituição dá ao Executivo o poder para demarcar terras indígenas. Alegam ainda que a demarcação de reservas indígenas em terra contínua não representa um risco à soberania nacional, pois tais áreas continuam a ser da União. Os índios têm apenas o usufruto delas. As Forças Armadas e a polícia continuam a ter livre acesso a esses territórios, complementam.

Políticos de Roraiama - Invocando o desenvolvimento econômico de Roraima, políticos de diversos partidos -- da base aliada ou de oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva -- criticam a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol em terra contínua. Sustentam que os índios têm dificuldades em obter renda, e que os produtores rurais lá instalados garantem grande parte da arrecadação dos municípios e do Estado.

Militares - Os militares são contrários à demarcação de terras indígenas em áreas contínuas localizadas em regiões fronteiriças. Os oficiais do Exército acreditam que a política põe em risco a soberania nacional e acham que organizações não-governamentais e grupos indígenas podem criar movimentos separatistas nesses territórios. Os militares também dizem que a liberdade de ação das Forças Armadas pode ser questionada pela Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, assinada pelo Brasil. Em abril, o comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, afirmou que a política indigenista brasileira é "lamentável, para não dizer caótica."

Índios - Os índios estão divididos. Os que lutam pela demarcação em terra contínua sustentam que só assim seus povos terão como caçar, pescar e crescer. Outros, aliados dos produtores rurais, preferem a demarcação de diversas reservas separadas e querem que os não-índios possam ter acesso a esses territórios.

Arrozeiros - Plantadores de arroz, que correm o risco de serem expulsos da área, argumentam que tem falhas o laudo antropológico feito pela Fundação Nacional do Índio, do Ministério da Justiça, que sustenta que o território de Raposa Serra do Sol era ocupado e historicamente uma terra indígena.

O texto é de Fernando Exman, da Agência Reuters.

"Com a boca na butija"

Marília Góes, mulher do governador do Amapá e secretária de Inclusão e Mobilização Social do Estado¹, foi gravada em reunião com beneficiários de um programa estadual pedindo votos para o candidato do PDT à Prefeitura de Macapá, Roberto Góes, primo do governador Waldez Góes (PDT).

A Folha de S. Paulo teve acesso ao áudio da reunião, realizada por Marília na sexta-feira. A denúncia foi encaminhada ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) pela coligação "Frente pela Mudança", que envolve o PSB do candidato Camilo Capiberibe, o PSOL e o PMN. O juiz eleitoral Marconi Pimenta pediu o auxílio da Polícia Federal para investigar o caso.

Presentes à reunião, duas beneficiadas pelo programa Renda para Viver Melhor também denunciaram o que consideraram uso da máquina pública, o que é crime eleitoral.

Na reunião, Marília se apresenta como "a secretária que paga o benefício de vocês". E pergunta se todos receberam a ajuda mensal de R$ 207,50. Depois, emenda: "Vão me dar presente? Então, nós estamos em um período eleitoral, como eu já disse. E época de eleição é complicada. Vocês lembram da campanha passada, da primeira eleição do governador".

Marília, então, faz uma série de críticas a ações da prefeitura e ao atual prefeito, João Henrique (PT), e pede: "Vamos eleger um parceiro do governador". Diz que não foi à reunião "para falar mal de ninguém". "Mas eu vou apresentar meu candidato para vocês."

Ela sugere ao público, formado principalmente por beneficiados pelo programa de Waldez Góes, que diga o número do candidato. "Qual o número do Roberto?" A resposta --"12"-- é dada em coro.

Depois, contrariando o que havia dito de não criticar outros candidatos, afirma que Capiberibe, principal adversário de Góes segundo as pesquisas, foi contra uma campanha do Estado por um banco de leite materno. "Uma pessoa dessa não tem compromisso com a vida", afirma. "Um homem desse que como deputado estadual já fez um absurdo, imagine se for eleito prefeito."

No fim, enfatiza: "A gente está apoiando o Roberto, que é o número 12. É por isso que eu peço o voto de vocês. E que peçam para a amiga e quem peçam para o amigo", diz. "E vocês sabem que neste ano Macapá tem segundo turno. Se nós conseguirmos ganhar no primeiro turno, no dia 5 termina a eleição e a gente pode tocar a vida novamente."

Outro lado - O secretário de Comunicação do governo do Amapá, Marcelo Roza, diz que Marília está de férias desde 1º de agosto e que foi apenas convidada a participar da reunião."Ela não organizou nada, não convocou as pessoas e não estava exercendo a função de secretária. Não caracteriza, portanto, crime eleitoral."

Fonte: Folha de S.Paulo

¹ - Para quem não sabe, o governador Waldez Góes é campeão de nepotismo. No ano passado, foram listados 69 familiares empregados na sua gestão.

Garoto-propaganda disputado II

Lá, no Estado do Ceará, a gravação do presidente Lula foi feita para enganar os eleitores, e aqui em Belém, será que acontece a mesma coisa? Eu quero entender quem é o verdadeiro candidato a prefeito da capital do 'companheiro', José Priante ou Mário Cardoso?

Ambos estavam usando declarações em vídeo do "garoto-propaganda" -- mais diputado do que o Carlos Moreno, da Bombril, diga-se de passagem --, a do Priante foi gravada quando disputou o Governo do Estado (e perdeu), e a de Mário, quando disputou uma vaga no Senado (e também perdeu).

Antes da campanha, o presidente tentou chegar a um acordo e convencer os dois partidos a lançarem uma chapa única, mas nada feito. Inclusive, o PT já tinha até entrado na Justiça pedindo a suspensão do vídeo do Priante, mas ganhou quem foi mais rápido.

Garoto-propaganda disputado

Por Kamila Fernandes
da Agência Folha/Fortaleza

"A Justiça Eleitoral decidiu proibir a veiculação de supostos depoimentos do presidente Lula em favor de dois candidatos a prefeito no interior do Ceará. O motivo é que as gravações eram falsas, feitas por um imitador que buscava reproduzir, além da voz, até as figuras de linguagem que o presidente costuma usar.

A fraude aconteceu nos municípios de Granja (a 353 km de Fortaleza) e Acopiara (a 345 km). Nos dois casos, os candidatos são coligados com o PT e já usam a imagem do presidente Lula em seu material de campanha impresso.

No rádio, porém, decidiram colocar uma fala falsa do presidente. O texto é muito parecido nos dois casos, com Lula cumprimentando todos com o tradicional "companheiros e companheiras", afirmando que "nunca na história desse país se fez tanto para melhorar a vida das pessoas" e declarando apoio ao candidato da coligação - em Granja, Romeu Aldigueri (PPS); em Acopiara, o prefeito Antonio Almeida (PTB).

Nos dois casos, a voz é a mesma, do imitador apelidado de Fox. O responsável pelas duas campanhas também é o mesmo: o cientista político Fabner Utida, de Fortaleza.

A Justiça Eleitoral entendeu que nos dois casos a fala pode levar o eleitor a um engano, e por isso determinou a retirada do ar. Ainda assim, segundo Utida, outros candidatos com os quais ele nem trabalha o procuraram nos últimos dias para também fazer uma versão do depoimento de Lula."

Ouça a gravação da voz do Lula aqui

Amazônia: ontem e hoje


O jornal Folha de S. lançou o primeiro capítulo do livro"A Floresta Amazônica", que faz parte da coleção "Folha Explica", escrito por Marcelo Leite - doutor em ciências sociais pela Unicamp e colunista da Folha . O livro explica o modelo atual predatório de ocupação e exploração econômica da região e trata da necessidade racional de revisar, desde a raiz, as noções mais correntes sobre o ecossistema da floresta amazônica.

Da biopirataria à biodiversidade, da problemática extração da madeira aos promissores projetos de manejo sustentável, o autor trata das interações imediatas do ecossistema da Amazônia com as populações humanas e com o clima regional e mundial. E demonstra a necessidade latente de quantificar, explorar e distribuir o valor da floresta de maneira sustentável.

Leia a introdução do livro aqui

Compre o livro aqui

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Caso isolado?


Troque seu voto por um pinto
Por
Goltara

Nesse país das maravilhas
Onde tudo pode acontecer
Tem gente comprando votos
Pra mais depressa se eleger
Ou então trocando por pinto
Pros seus eleitores satisfazer!

No Bol, eu, muito curioso
Essa notícia visualizei
Lá no estado de Rondônia
Em Porto Velho, destaquei
Quatro mil pintos na caixa
D`uma mulher eu avistei!

Maria Cristina de Freitas
É uma boa cabo eleitoral
Do candidato Sandro Gonzaga
Explicou a Polícia Federal
Que prendeu as pessoas citadas
Dum Partido Verde estadual.

Após uma denúncia anônima
Feita ao TRE daquele estado
Os agentes federais gravaram
Conversa de um cabra safado
Prometendo dar muitos pintos
Pra todo o seu eleitorado!

No dia do acontecimento,
Os "homis" chegaram disfarçados
Também entraram na fila
Pra ter os pintinhos amarelados
Maria Cristina foi entregando
Com os "zói" já revirados!

Gonzaga, candidato a vereador
No momento não se encontrava
A Maria que levou os pintos
Sua saia até levantava
"Teje presa", falou um federal
Nesse hora, ela quase se mijava!

O advogado do pretendente
A um cargo de vereador
Falou que é costume do mesmo
Fazer esse gesto de amor
Ele doa pinto o ano todo
E as mulheres dão muito valor!

Foi detido à noite em sua casa
Pro Presídio Urso Branco foi levado
Pagou mil e quinhentos reais
E noutro dia foi liberado
A cabo eleitoral também, solta,
Responderá pelo crime praticado!

O Partido Verde de Rondônia
Disse que é um caso isolado
É só um candidato a vereador
Que teve o "estoque" confiscado
A Justiça entregou a "mercadoria"
Que foi motivo de alegria
Pois, pra Pestalozzi foi doado!

Mamada - Parte 2

"Com três parentes contratados em cargos de confiança de seu gabinete, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) sugeriu a criação de cotas para escapar da súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe o nepotismo nos Três Poderes.

O senador quer trocar o princípio constitucional, invocado pelo Supremo para proibir a contração de parentes, por 'uma legislação mais flexível'. Esta, segundo ele, iria permitir abrir vaga no serviço público para 'parentes com reais qualificações'.

Mozarildo não explicou os critérios que abonariam a sua tese de que os parentes qualificados de autoridades poderiam, sim, continuar empregados no setor público, enquanto que os demais teriam de se submeter a concursos..."

Clique aqui para ler a matéria do G1, na íntegra.

Obs: Vale lembrar que o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) já havia levantado a questão.

Clientela Vip


Algumas notícias importantes eu deixo passar batido aqui no blog, por falta de tempo e por este não ser um portal jornalístico, mas sim um lugar para discutir os absurdos quem arregalam os olhos da nossa sociedade. Por exemplo,muita gente viu que o Supremo Tribunal Federal aprovou, na última quarta-feira (20), a súmula (o que é isso?) que regulamenta o uso de algemas no país.

Para que não entendeu, eu explico: agora, está restrito o uso de algemas aos casos em que há risco de agressão ou fuga - ou seja, todos os tribunais do país ficam obrigados a seguir a mesma orientação do STF. Além disso, o agente público que usar indevidamente as algemas poderá responder a ação penal e a processo administrativo, e ter que pagar indenização a quem passar pelo constrangimento. E o mais polêmico: a prisão poderá ser anulada, assim como os resultados das investigações que levaram às prisões.

Isso é briga de peixe grande, mas o que me tirou do sério foi a declaração do senador Demóstenes Torres (DEM) admitindo, após a aprovação da regulamentação do uso de algemas, n, que a votação foi acelerada pela prisão do banqueiro Daniel Dantas. “Admito que o projeto foi aprovado rapidamente em razão da clientela vip que passou a freqüentar a cadeia”.

Que beleza! Agora a gente pode ver quem manda e desmanda no alto escalão... Será que é uma precaução, no caso de algum "bam-bam-bam" ser preso? Mas, não se preocupe senador, nós sabemos que o senhor trabalha duro para para melhorar os problemas do nosso país.

O cordel abaixo é de Davi Calisto Neto:

Inversão de valores

"Os políticos da Nação
Só pensam nos seus propósitos
Nas contas aumentam os depósitos
Sem nenhuma inibição
Os pobres não têm razão
Nem tem como reclamar
O povo tem que mudar
Os políticos sem pudor
Aprender a dar valor
A quem pensa em trabalhar..."

Leia o cordel na íntegra aqui.

sábado, 23 de agosto de 2008

Quando o pouco se torna muito


Retirado do
site do Amarildo

Mamada


A Folha de S. Paulo , deste sábado (23), informa que os Governadores de Alagoas, Maranhão, Pará e Tocantis tentam escapar da súmula do Supremo Tribunal Federal, que pede a exoneração imediata de todos os parentes de políticos que ocupem cargos públicos, até terceiro grau nos três Poderes. Os quatro Estados citados afirmam que os familiares contratados são secretários de Estado, portanto não se enquadram na súmula.

Eis a parte da matéria que nos interessa: "No Pará, a governadora Ana Júlia Carepa (PT) tem dois parentes trabalhando em órgãos estaduais. Um irmão é secretário-adjunto de Esportes e um primo é funcionário da Secretaria dos Transportes. Para o governo, os dois não se enquadram nas proibições da súmula. O irmão tem cargo de "caráter político", e primo é parente de quarto grau, diz o governo."

Este é o famoso jeitinho brasileiro, que só encobre as mazelas do país. Deixa o rico, mais rico e o pobre, mais pobre. Nada novo, apenas que quem devia coibir, continua deixando passar... E é por isso, que acredito fielmente nas palavras de Millôr Fernandes: "Generalizando-se a corrupção, instaura-se a justiça".

Porque, infelizmente, esses governantes darão um jeito de manter seus parentes bem próximos. Afinal, eles são "importantes" para a administração pública... Bom, pelo menos na opinão deles!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Os fatos falam por si

Sinceramente, acho uma verdadeira falta de respeito com a população, as candidaturas do ex-senador e ex-presidente da CDP, Ademir Andrade, e a do ex-secretário estadual de saúde, Fernando Dourado, para vereadores de Belém.

Para quem não lembra, o primeiro foi acusado de chefiar a quadrilha que provocou um rombo de R$ 7 milhões, com licitações fraudulentas e desvio de receita. O outro, acusado de improbilidade administrativa em sua gestão, pode ter beliscado mais de R$ 5 milhões da verba destinada à saúde pública do Pará.

Aí, me vem o 'todo-poderoso' Supremo Tribunal Federal e diz que "os candidatos sem sentenças condenatórias ou até mesmo os sentenciados, cujas demandas se encontram em grau de recurso, deverão ter mantidas as suas candidaturas, com base no princípio da presunção da inocência." Inocência? Só se for a política do 'non-sese', isso sim... Péra lá! Tô achando que tá mais para carnaval fora de época...

Com essa letra de cordel, de autoria de Gustavo Dourado, dá até para fazer uma marchinha:

"Chega de malabarismos
Roubos nas licitações
As quadrilhas do orçamento
As famosas comissões
Cadeia para os corruptos:
Corruptores...Tubarões...

O Governo para o Povo:
Sem canalha no Poder
Mais escolas e empregos
Mais salário e prazer...
Um choque de Honestidade:
Pra tudo subverter..."

Leia o cordel inteiro aqui.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O 'achado' de 2008


Tenho que escrever alguma coisa aqui, sobre o melhor filme de 2008, na minha opinião. Na verdade, um dos melhores que já assisti na vida. Não que na minha lista tenha apenas filmes premiados, mas "Era uma vez...", de Breno Silveira, de fato, é aquele do tipo que dá vontade de assistir de novo (depois de passadas aquelas 2 horas comentando sobre ele).

O diretor de "Dois filhos de Francisco" acertou em cheio na idéia do filme, mas o desenrolar da trama é o triunfo. É o que faz você querer perguntar a todo mundo: "Você já assitiu 'Era uma vez...'? E você já?"

Não vou falar o que acontece no filme, muito menos o final, mas as características que formam os personagens, somado a história e a qualidade do elenco - em especial o ator Thiago Martins (foto) - se transformam em um verdadeiro achado.

Não gosto de resumir o filme, porque parece que diminui ele. É o seguinte: Um jovem, morador de uma favela do RJ, se apaixona por uma garota rica, que mora em frente a barraca onde ele vende côcos e lanches na praia. A grande sacada são as decisões que os protagonistas tomam, quando, já paixonados, percebem que os mundos completamente opostos em que vivem, começam a distanciá-los e o preconceitos que velam a sociedade parecem impedir a idéia de um amor verdadeiro. Garanto: não é clichê!

Assista a uma prévia do filme:


Cordelizando

Abaixo, um belo exemplo de uma literatura de cordel, que se adequa perfeitamente ao perfil deste blog. O texto é de 2003, mas nem precisa avisar, pois parece ser atemporal. Veja só:

Versos do Governo Lula e dos seus 13 males
Por Sebastião Firmino

Treze males atormentam
Treze males desesperam
Treze males violentos
Fazem da vida uma guerra
Neste Brasil altaneiro
Que tem quase um ano inteiro
De um governo que emperra.

O primeiro grande mal
É deslavada mentira
Lançada com tanta ira
No governo federal
Prometendo fazer tudo
Tivesse ficado mudo
Era no caso ideal.

O segundo é a distância
Que o governo tá do povo
Pois o presidente novo
Parece que tem a ânsia
De retirar os direitos
Deixando insatisfeitos
Matando a esperança.

O terceiro é a falsidade
Com que aquele sorriso
Ganhou os votos precisos
Pra depois fazer ruindade
Aliado a A.C.M.
O que todo mundo teme
É o fim da caridade.

Dúvida é o quarto mal
Que assola a nação
Deixando todos na mão
Já dá até no jornal
Qual a nova má ação
Que o Lula, ex-peão
Fará antes do Natal?

Aflição é o quinto mal
E também não é bonito
O Brasil está aflito
Com a bagunça geral
Só falta agora o governo
Criar uma lei a esmo
Acabando o Carnaval.

Mas além da aflição
Tem também muita doença
Que o governo não pensa
Em estender sua mão
Pois a verba da saúde
Querem mandar amiúde
Pra alimentar ilusão.

Sétimo mal, injustiça
É teste de paciência
Pois aumenta a violência
E não melhora a polícia
Virou um país sem lei
Pois nem no tempo do Rei
Havia tanta carniça.

O oitavo é a saudade
Que o povo agora tem
De um sonho que retém
E não virou realidade
Um operário no poder
Precisava se conter
E não inflar a vaidade.

Por nono vem a maldade
Que fazem a cada hora
O governo não decola
No campo nem na cidade
Só se botassem num dique
Pra esquecer Fernando Henrique
Com sua capacidade.

Décimo é a crueldade
Que o governo do PT
Faz pra todo mundo ver
Cerceando a liberdade
A seus próprios militantes
Que não esqueceram o antes
Nossa solidariedade.

Número onze, a tristeza
Que chegou inesperada
Com o governo de fachada
Fazendo do povo presa
A nação tá infeliz
Isso todo mundo diz
Cadê a nossa beleza?

Número doze é o descaso
Que têm com o Brasil
E seu povo varonil
Para quem deram até prazo
Mas aumenta o desemprego
E ninguém mais tem sossego
Isso não é por acaso.

Número treze, a fome,
Eu tenho que abordar
Ele não vai acabar,
Se acabar mudo meu nome,
Pois é tudo enganação
Um embuste, uma invenção,
Pois Lula é quem mais come.

Treze males atormentam
Treze males desesperam
Treze males violentos
Fazem da vida uma guerra
Neste Brasil altaneiro
Que tem quase um ano inteiro
De um governo que emperra.


***Peco por nunca ter me atentado, de fato para a idéia do blog (literatura de cordel + jornalismo) . Mas, depois da sugestão Vanessa Russel, vou mudar isso. Afinal essa é a graça!