terça-feira, 24 de junho de 2008

Novas denúncias de velhos problemas

No começo da noite de segunda-feira (24), o Portal ORM, trouxe a conhecimento público a seguinte matéria: "O Sindicato dos Médicos do Pará denuncia a morte de 12 bebês, durante este final de semana, na Santa Casa de Misericórdia do Pará. Segundo Wilson Machado, diretor do sindicato, a informação foi confirmada por pessoas que trabalham no hospital. As causas ainda não foram confirmadas. 'Essa informação chegou até nós e confirmamos com fontes ligadas à Santa Casa..."

Alguns minutos depois, a notícia correu e logo a história foi confirmada pela assessoria de imprensa do hospital e repercutida nos telejornais locais, atingindo até a mídia nacional. Como pode, doze bebês morrerem em um espaço tão curto de tempo?

A Santa Casa divulgou uma nota, que de nada acrescentou aos noticiários, apenas serviu para mostrar a mentalidade de um povo que está acostumado com um aglomerado de problemas da região, que só contribuem para colocar o Estado nos piores rankings nacionais.

Eis o que diz a nota: "... O número de óbitos está de acordo com a taxa aceita pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de cerca de 50% do total de leitos da unidade. A UTI Neonatal da Santa Casa dispõe de 22 leitos. Esse parâmetro internacional é aceitável devido à gravidade dos casos dos pacientes atendidos pelo serviço...."

Desde quando, doze famílias poderão se conformar com as roupinhas, fraldas e berços que nunca serão usados, por que essa taxa é considerada "aceitável"? Não interessa se os bebês eram "prematuros extremos" ou tinham "má formação", o que importa é que sonhos foram interrompidos, por falta de políticas públicas eficazes, que deveriam ser garantia à população.

Infelizmente, alguns casos podem ter chegado ao hospital com mínimas condições de sobrevivência, mas o que entristece é saber que essas são novas denúncias de velhos problemas. Porque não é feito um planejamento para se orgulhar de estar acima da média internacional, ao invés, de se contentar com o quadro medíocre da saúde paraense?

Para quem não lembra, em 1998, a Santa Casa foi eleita pelo Ministério da Saúde , o "Melhor Hospital da região Norte do Brasil", uma verdadeira referência em atendimento materno-infantil.

Mas o que houve para retroceder? Talvez a única explicação seja a mesma coisa que aconteceu com um time paraense , que tinha tudo para estar entre os principais do Brasil - até venceu o Boca Juniors, em 'La Bomboñera': a roubalheira!

Leia a nota na íntegra do hospital aqui.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Poupança cheia

"Coube a um porteiro e um auxiliar de enfermagem a incumbência de fiscalizar a aplicação de R$ 382 milhões liberados nos últimos anos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Marabá, no sul do Pará. A verba é para atender 76,5 mil famílias de trabalhadores rurais de 473 assentamentos em uma área total de 4,4 milhões de hectares.

Ciro Antônio Melo, o porteiro, e Osvaldo da Silva Nunes, o auxiliar de enfermagem, não possuem aptidão técnica para fazer esse tipo de trabalho, mesmo assim foram designados pela direção do Incra local.

Para apurar essa e outras irregularidades, a Procuradoria da República em Marabá entrou com ação civil pública na Justiça Federal pedindo a suspensão do repasse de recursos federais, na sexta-feira (23) e foram atendidos. O procurador Marco Mazzoni, autor da ação, teme que o dinheiro fosse desviado para o financiamento de campanhas de candidatos a prefeito e vereador na região.

Os R$ 382 milhões, repassados nos últimos dez anos, eram destinados à compra de insumos agrícolas, sementes, matrizes animais e à construção de moradias. A partir de levantamento em 99 investigações e processos que citam o Incra e tramitaram nos últimos três meses pela Procuradoria da República em Marabá, ficou constatado que 72% se referiam a má aplicação de recursos para assentamentos.

Entre as irregularidades, o Ministério Público registra que a fiscalização de uso dos recursos é feita apenas na sede do Incra, mediante contagem de recibos e notas fiscais, sem visita aos assentamentos. O Incra tampouco cobra dos assentados a devolução dos recursos emprestados, aponta a investigação.

O Incra de Marabá não quis se manifestar sobre a ação, alegando que ainda não foi notificado pela Justiça Federal. O Pará é campeão nacional de conflitos e mortes no campo há mais de 30 anos."

Fonte: Ministério Público Federal

domingo, 22 de junho de 2008

Dias melhores

Uma reviravolta aconteceu na vida de um morador de rua, em Recife, no Pernambuco. Ubirajara Gomes da Silva, 27 anos, há doze morando nas ruas, nunca fez uma lição de casa, mas passou em quatro dos cinco concursos públicos que disputou.

O mendigo que ganhava R$ 5,00 de esmola por dia, esta semana, foi chamado pelo Banco do Brasil e passará a ter um salário de quase R$ 1.000,00 como escrituário. Ele deixou para trás mais de 19 mil candidatos.

O sonho realizado só foi possível após anos de estudos, em bibliotecas públicas e lan-houses. Ele diz, que após aprender sozinho a acessar a internet, pesquisou e estudou através provas de concursos anteriores disponíveis na web. Agora, só resta para Ubirajara saldar uma dívida que tem no banco para ser admitido na empresa.

Saiba mais sobre a vida de Ubirajara aqui.

Fonte: Mundo Record

sábado, 21 de junho de 2008

Coisas do interior

Primeiro, li uma matéria no Portal ORM sobre o caso, depois decidi apurar por conta própriaa história que, de longe, lembra o caso do austríaco Joseph Fritzl, mas é claro, em menores proporções e com traços tipicamente interioranos.

Por telefone, constatei o seguinte:

Uma operação do Corpo de Bombeiros, em conjunto com a Polícia Civil e o Conselho Tutelar resgatou uma adolescente, que era mantida em cárcere privado, na comunidade de São Pedro, no Rio Arapiuns, a cerca de 13 horas do município de Santarém, sudoeste paraense.

A missão iniciou após a denúncia de um agente de saúde, que durante visitas de rotina, soube por moradores, que havia uma menina grávida, morando sozinha, no meio da mata. Ele não conseguiu chegar até a garota, pois foi ameaçado pelo marido da tia dela, motivando a denúncia ao Conselho Tutelar.

No dia 12 de junho, um grupo chegou até a garota e constatou as condições de abandono em que vivia, mesmo grávida de oito meses. De acordo com o Conselho tutelar, a garota informou que era abusada sexualmente pelo marido da tia desde os 13 anos de idade, quando foi levada para morar em um o barraco de palha feito no meio da mata.

Há discrepância na idade certa da garota, provavelmente por ela não ter algum documento de identificação. O Conselho diz que ela tem 17 anos e a de delegada da Delegacia da Mulher, Márcia Rabelo, afirma que ela tem 15.

A delegada Márcia, informou que não houve denúncia porque a mãe da garota tem problemas mentais e a tia, irmã da mãe, é conivente com o crime, pois recebia a pensão do governo destinada a mãe, sem repassar a elas.

O acusado, Obede da Silva Coutinho, foi preso por porte ilegal de armas, já que com ele foi encontrado dois facões usados para ameaçar de morte aqueles que tentassem denunciar o crime a Polícia, o que conteceu com o agente de saúde, antes de fazer a denúncia. Mas já está solto. Os vizinhos confirmaram a história em depoimentos.

A
menina está em um abrigo municipal. Lá, o Conselho Tutelar acertou esperar o nascimento do bebê para fazer o exame de exame de conjunção carnal e comprovar os estupros. (Porque tanta demora?) Após eu informar à delegada sobre o motivo da demora do Conselho para entregar a menina para depor, a delegada mandou uma viatura apanhar a garota para prestar depoimento, alegando que é um absurdo esperar a criança nascer, já que eles já podem fazer o exame logo.

Na delegacia, ao depor, a adolescente mudou a história e disse que era apaixonada pelo tio e que permitia os atos sexuais, mas o que ela não sabe, é que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) avalia como crime de pedofilia, qualquer tipo de abuso contra crianças com idade de 13 anos para baixo. Essa história ainda vai dar muito pano para manga...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

"Mentira institucionalizada"


Foto: Mahashiah

Entenda a polêmica do projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, na área do município de Altamira, sudoeste paraense, através da entrevista feita pelo 'Correio da Cidadania', com o professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Oswaldo Sevá Filho.

Sevá alerta para as consequências da construção da represa, que segundo ele, poderá desabrigar cerca de vinte mil moradores. Leia a entrevista feita por Valéria Nader:

Correio da Cidadania: Quais seriam os principais problemas ligados à hidrelétrica de Belo Monte, a seu ver?

Oswaldo Sevá: O projeto Belo Monte já morreu duas vezes antes: em 1989, por causa da repercussão internacional da resistência indígena ao projeto e da retirada do apoio por parte de governos estrangeiros e bancos internacionais; e em 2001, teve interrompida judicialmente a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental contratada pela Eletronorte e que estava em execução por uma fundação ligada à Universidade Federal do Pará, por decorrência de uma Ação Civil Pública. São dois problemas graves que os interessados – agora pilotados pela Eletrobrás e não mais pela Eletronorte - carregam como uma cruz a agora tentar se desvencilhar.

Outro grave problema é a institucionalização da mentira sobre o projeto, que contaminou todo o "Partido da Imprensa Golpista", como diz o Amorim, muitos setores do governo e até mesmo da Justiça, além dos caciques políticos brancos do Pará e imediações: mentem sobre a área alagada, mentem sobre o alcance geográfico das conseqüências de barrar a Volta Grande do Xingu, mentem sobre as razões de seu projeto e sobre as razões de quem é contra... mentem até sobre os custos do investimento a realizar.

Trata-se de construir um complexo de grandes obras de engenharia, com duas grandes barragens, uma na Ilha Pimental e outra perto da vila Santo Antonio do Belo Monte, com dois grandes canais rasgados nos igarapés Gaioso e de Maria, cinco represas sobre outros igarapés, dezenas de km de diques para evitar a fuga de água para bacias vizinhas, e mais uma grande represa na calha do rio entrando pelos afluentes, subindo até a cidade de Altamira, além de centenas de km de estradas de serviço e um novo porto especial no Xingu.

Se instalarem 11.000 megawatts na Casa de Força, custaria hoje na faixa de trinta e cinco bilhões de reais, naquelas condições, considerando toda a custosa logística dos insumos e equipamentos. E teríamos que somar mais alguns bilhões se fossem resolver condignamente e completamente todos os problemas sociais e sanar os prejuízos econômicos resultantes. Ora, o investimento para tal obra vem sendo anunciado na faixa de seis bilhões!

CC: E quanto ao modo de vida dos índios da região, a usina poderá ter, realmente, algum impacto?

OS: Na região das obras acima descritas moram agricultores familiares, colonos do INCRA, fazendeiros médios e grandes, seus trabalhadores, arrendatários, todos nos municípios de Vitoria do Xingu e Altamira, nos chamados travessões da Transamazônica, mais os ribeirinhos do Xingu na Volta Grande, índios desaldeiados, muitos em área urbana, outros em colocações ribeirinhas. No total, umas vinte mil pessoas poderiam ser obrigadas a se mudar, porque seus lotes, fazendas e casas seriam cobertos pelas águas, pelas estradas da obra, pelos vários canteiros de obra, ou porque sofreriam diretamente muitos transtornos graves caso pudessem continuar onde estão, dos quais uns sessenta por cento na própria cidade de Altamira, nos bairros mais baixos, nas palafitas...

Leia o resto da entrevista aqui.

A dica é do blog do Brasiliense.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Teoria de Isaac Newton na Amazônia


Por Fabiana Futema
Brasil - Folha Online
Foto: Folha Imagem

"A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), quer colocar na conta dos mais ricos o preço da preservação da Amazônia. Para ela, a fatura tem de ser dividida entre os Estados mais ricos do país e os países mais desenvolvidos.

'A Amazônia é grandiosa e precisa de uma solução com a grandiosidade da Amazônia. É mais que justo que os países paguem (pela sua preservação). Num primeiro momento, não posso apresentar a conta, obrigá-los a pagar. Mas posso colocar minha posição até para dizer: vocês já destruíram as suas florestas, não têm moral para falar absolutamente nada para nós', disse ela. 'Precisamos usar Isaac Newton: ter uma força com mesma intensidade (do desmatamento) no sentido contrário para evitar a destruição da Amazônia.'

O argumento dela é que todos se beneficiam da Amazônia e por isso o preço da sua preservação não pode recair somente pelos Estados da região. 'É necessário que todos entendam que essa é uma responsabilidade de todos. Se a Amazônia preservada cria benefícios que atingem toda a população, é justo que só população que mora ali pague por isso? Claro que não', disse ela.

Para justificar a necessidade dos mais ricos assumirem parte da conta, Ana Júlia afirma que são eles, por meio do consumo, que contribuem para o desmatamento da Amazônia. 'Não é a pobreza que pressiona a floresta, se pressiona é ínfimo. Quem pressiona a floresta é a riqueza, é o consumo.' "

Leia a entrevista na íntegra aqui.

Nem tudo está perdido

"Um gari de 24 anos, que trabalha para a Prefeitura de Vitória, encontrou, na terça-feira (17), uma sacola com cheques enquanto limpava bueiros em uma rua movimentada da cidade. Ao abrira sacola, o gari descobriu que havia mais de R$ 400 mil em cheques. Ele procurou a polícia e devolveu tudo.

Eram folhas com valores que variavam entre R$ 300 e R$ 133 mil. Havia inclusive, segundo ele, um cheque em branco, assinado. Os cheques pertencem à Associação dos Procuradores do Espírito Santo e haviam sumido na semana passada. Já havia sido registrada uma ocorrência na polícia.

O gari recebe R$ 500,00 por mês. A presidente da Associação dos Procuradores já prometeu que dará uma recompensa ao gari."

Fonte: G1

Pena de morte

Por Eliane Catanhêde
Opinião - Folha de S. Paulo

"Há pena de morte no Brasil? Legalmente, não. Na prática, sim. Sem tribunal, julgamento, advogados de defesa, há dúzias de execuções desde o Norte até o Sul do país. E só atingem pobres. Em geral, bandidos, mas nem sempre.

É o que parece ter ocorrido no Rio, onde onze militares do Exército, inclusive um tenente, estão presos por deter e condenar à morte três rapazes que voltavam de um baile funk: Davi Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, cujos corpos foram encontrados como lixo num aterro sanitário. Eles foram detidos no morro da Providência, onde moravam, e despejados no da Mineira.

Como os traficantes dos dois morros são inimigos mortais, a intenção só podia ser uma: entregá-los para morrer. Se os rapazes fossem de fato bandidos, já seria um crime gravíssimo. Mas, pelos depoimentos e reportagens até agora, eles trabalhavam ou estudavam, um deles era pai de dois filhos e nenhum dos três tinha ficha na polícia, o que torna a ação dos militares ainda mais brutal (aliás, termo usado ontem por uma alta patente).

As Forças Armadas saíram de duas décadas no poder com um saldo de torturas, desaparecimentos e mortes e passaram as duas décadas seguintes empenhadas em profissionalizar seus quadros e amenizar sua imagem. Agora mesmo, o Centro de Comunicação Social do Exército promove um seminário sobre as relações com a imprensa e a interlocução com a sociedade.

Imagine como a ação dos onze militares do Rio chegou ao "Forte Apache" (Quartel General). E não é só: por causa deles, qualquer discussão sobre uma atuação militar mais ostensiva na garantia da lei e da ordem recua dois passos. Porque esses oficiais e soldados reforçam na prática a tese de que, na convivência e na proximidade entre militares e bandidos, os bandidos não viram militares. Mas pode muito bem ocorrer o contrário."

***Agora, olhem a consideração do ministro da Defesa, Nelsom Jobim, sobre o caso:

“Não podemos deixar que o assassinato (dos três jovens moradores da Providência que foram entregues a traficantes) contamine o que está sendo realizado aqui. Não podemos deixar que esse fato contamine a obra. O Exército está realizando obras em todo o país. Faz parte de um conjunto de ações sociais.”

Ele se referia às obras desenvolvidas pelo Ministério da Cidade, em parceria com o Exército, chamadas de 'Cimento Social', que pretende reformar as casas da comunidade. Mas, o que adianta construir casas, se daqui a pouco, não haverá ninguém para morar nelas?! Se for para falar besteira é melhor ficar calado. Depois ele vem querer se desculpar... Assim fica fácil!

"Melhor" idade


Charge de André Mangabeira

terça-feira, 17 de junho de 2008

21 anos de história


A TV Cultura anunciou na segunda-feira (16) que o projeto Memória Roda Viva, iniciado há dois anos, estará concluído em 2009. O objetivo é disponibilizar na internet os 21 anos do programa.

Por enquanto, 205 entrevistas, com personalidades como Ayrton Senna, Cacá Diegues, Dom Paulo Evaristo Arns, Drauzio Varella, Elza Soares, Fidel Castro, Hector Babenco, Gianfrancesco Guarnieri, Luís Carlos Prestes, Luiz Inácio Lula da Silva, Oscar Niemeyer, Patch Adams, Pedro Almodóvar e Telê Santana, estão na net.

O canal Memória Roda Viva pode ser acessado pelos sites www.tvcultura.com.br/rodaviva ou www.rodaviva.fapesp.br.

Fonte: Portal Comunique-se

Repercussão

"Meus queridos colegas,

Ainda estou sob estado de choque pelo o que aconteceu. Não bastasse a infeliz coincidência, pela proximidade do aniversário de morte de meu pai, fui surpreendido pela má notícia quando chegava para trabalhar no plantão da madrugada, há quatro dias. A edição de domingo do jornal O Dia, lida ainda no sábado, anunciava em letras garrafais brancas e com fundo negro a covardia a qual vocês foram submetidos na Favela do Batan, em Realengo.

Mais um atentado contra a imprensa e principalmente, contra o estado democrático de direito. Uma afronta não só ao jornalismo, mas ao ser humano e à dignidade. Um atentado contra nós. Uma tentativa de nos intimidar, jornalistas e cidadãos, mas, ao que parece, essa prática não é mais exclusiva dos traficantes de drogas. Não se trata mais de poder paralelo, nem poderes.

Como na matemática, ironicamente sem lógica, no entanto, são projeções paralelas de um poder falido e moribundo. A milícia funciona, no sentido antropológico da questão, como anti-tráfico de drogas. É uma atividade que cresceu muito em pouco tempo, tangenciando os limites físicos e latifundiários da indústria do narcotráfico carioca, supostamente para sufocá-lo. Ora, como pode existir a milícia sem o tráfico? Como podem existir essas duas modalidades de crime, sem a ausência do Estado?"

***Carta escrita por Bruno Quintella, filho de Tim Lopes e produtor do RJTV, direcionada aos três profissionais de O Dia que foram torturados durante apuração na Favela do Batan.

Clique aqui para ler o resto da carta.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Papachibé digital


Este é o banner (bem criativo, diga-se de passagem) do movimento 'Blogueiros Paraenses'. Ele tem o objetivo de reunir todos os blogs do Estado, e incentivar o pessoal a escrever e trocar idéias e críticas. A iniciativa é muito boa e por isso, me sinto honrado de ter sido convocado a participar deste grupo, que tenho certeza, irá crescer bastante.

domingo, 15 de junho de 2008

Ética vs. lucro



Por Carlos Castilho
Observatório da Imprensa

"A imprensa norte-americana começou a extrapolar em sua luta pela sobrevivência, ao usar recursos que ela sempre condenou enfaticamente. Três casos ocorridos nos últimos dias põem em evidência esta tendência que está deixando muito profissional de cabelos em pé, nos Estados Unidos.

O conglomerado Tribune (um dos três maiores dos EUA) acaba de anunciar que os jornais do grupo passarão a ser regidos pela “regra do meio a meio”, ou seja metade notícia e metade anúncios, contrariando a tradicional divisão 60% informações-40% publicidade adotada pela industria de jornais do país há mais de 50 anos.

A decisão anunciada pelo polêmico executivo do grupo Tribune, Sam Zell, visa reequilibrar as finanças dos jornais do conglomerado que recentemente adotaram um formato menor para economizar papel.

Quase ao mesmo tempo, o jornal Los Angeles Times anunciou que o controle editorial de sua revista dominical será transferido da área jornalística para a área comercial. É o primeiro grande jornal norte-americano a acabar com a separação entre informação e negócios na produção jornalística. O Los Angeles Times pertence ao grupo Tribune."

Clique aqui e leia o resto do texto.

A imprensa e os corruptos


Por Alberto Dines
Observatório da Imprensa

"Cada vez mais monotemática e cada vez menos abrangente, nossa imprensa está perdendo uma nova oportunidade de ajudar o saneamento político do país. Na terça-feira (10/6), o Tribunal Superior Eleitoral decidiu por quatro a três que um cidadão processado pode candidatar-se enquanto não for condenado em tribunal. Quem provocou a decisão foi o tribunal regional da Paraíba, que solicitava o embargo de candidatos com a ficha suja.

Na quarta-feira (11), só o Globo destacou a decisão do TSE e, na quinta, só o Globo manteve o assunto na primeira página, comentou o retrocesso do tribunal em editorial e na coluna de Merval Pereira. Nos jornalões paulistanos o silêncio, exceto no espaço do Estado de S.Paulo onde Dora Kramer expõe a sua dose diária de indignação.

Enquanto isso, duas siglas míticas, a CNBB e a OAB, voltaram a juntar-se para protestar contra a decisão do TSE apoiadas por uma série de ONGs ligadas ao Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

É compreensível o interesse do Estadão e da Folha nos casos da venda da Varig e da ressurreição da CPMF, mas a degradação do Poder Legislativo é uma questão de Estado, prioritária, antecede as demais. Enquanto nosso Legislativo, em todos os seus níveis, admitir parlamentares sem os atributos mínimos de decência, continuaremos a assistir à incessante exibição de escândalos e ilícitos.

Maus elementos - A qualificação moral dos representantes do povo é essencial para a qualidade da nossa República. As eleições municipais estão aí e, caso prevaleça a última decisão do TSE, teremos em outubro quase 60 mil novos vereadores no país (59.591), muitos dos quais deveriam estar há muito na cadeia.

Convém lembrar que o número anterior era de quase 52 mil (51.748) vereadores, mas a generosidade dos deputados federais ampliou recentemente a brecha para a eleição de mais maus elementos nas gaiolas de ouro. O assunto é grave, urgente, e a mídia não pode minimizá-lo."

quarta-feira, 11 de junho de 2008

"Homenagem" de grego


O dr. Mario Pinnoti foi o primeiro prefeito de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e entre outros cargos, Ministro da Saúde no governo de Getúlio Vargas e JK, além de membro da Academia Brasileira de Medicina. Faleceu em março de 1973. Mas, é aqui no Pará que uma "homenagem" deve estar fazendo-o se remexer no túmulo de tanta vergonha.

A precariedade do Hospital Pronto-Socorro Municipal Mario Pinotti - conhecido por nós, como Pronto-Socorro da 14 -, que leva o nome do médico sanitarista, nunca esteve tão ruim. Não que antes fosse melhor, mas é incrível, como nada é feito para melhorar o quadro geral do lugar.

Funcionários que trabalham no HPSM da 14, me disseram que os elevadores estão quebrados há mais de um mês. Agora imaginem, como é feita a descida de pacientes e cadáveres pela escada, já que não há outro jeito. Eu sinceramente não acredito, que o diretor do HPSM não perceba a situação do lugar. Que tipo de direção é essa?

A maioria dos médicos não aguentam mais dar plantões, pois sabem que no depósito, não há materiais básicos, como gaze, água boricada e seringas. Então, como trabalhar? Como fornecer direitos básicos à população que não tem condições de pagar um plano de saúde?

Os casos mais graves que conseguem passar pela porta de entrada do Pronto-Socorro e ganham a chance de serem atendidos, têm que ter paciência e dividir espaço com macas, outros pacientes e acompanhantes, pelos corredores apertados do hospital.

Essas macas, para quem não sabe, são chapas de ferro, sem lençol, ou colchão. Quer conforto, faça que nem alguns pacientes: coloque uma camisa embolada ou uma bolsa na nuca. Garanto que é o máximo que irá conseguir.

Não é difícil presenciar cenas de acompanhentes dormindo em pedaços de papelão, em baixo das macas, pois não há acomodação adequada; de pessoas carregando soro durante horas, pois não há um suporte para engatá-lo; de acompanhantes puxando macas, pois não há assistência de enfermeiros; do corpos dividindo espaço com camas e resto de equipamentos empilhados no necrotério.

Entendo que o Pronto-Socorro tenha que suprir uma demanda de ocorrências do interior, devido às prefeituras, despacharem seus pacientes na porta do hospital. Mas, porque não tentar resolver estes problemas logo, ao invés de acusar a falta do repasse de verbas do Estado ao município. Afinal o Estado, por sua vez, rebate dizendo que faltam verbas do Ministério da Saúde e no final das contas, quem paga o pato são os infelizes dependentes da rede de saúde pública.

O pior é que, como estamos em ano eleitoral, foi colocada uma placa bem grande, em frente ao hospital, anunciando obras de ampliação do espaço. Ora, isso é um desrespeito com o trabalhador. Para quem não sabe o nome disso é "obra de visibilidade", elas costumam aparecer em nessa época. Quer ver? Basta contar o número de placas 4x3 m que estão espalhadas pela cidade - algumas até despertando revolta de moradores, pois a publicidade está ok, mas nada de máquinas pesadas e trabalhadores.

Também é semelhante a que o prefeito de Ananindeua, Helder Barabalho, está fazendo nos acostamentos da BR-316. Ah... se ele soubesse o número de ruas que precisam de asfaltamento e saneamento, para o lado de lá.

As manchetes dos jornais da cidade vira e volta estampam em suas capas que a saúde municipal está um "caos". Aprendi que "caos" não é a determinação certa para ser usada corriqueiramente, mas sim, quando houver acontecimentos como o fim do mundo (!), ou catástrofes inimagináveis. Mas, me pergunto, se alguma coisa acontecer comigo e eu for levado com urgência ao HPSM, não seria bem capaz de ser o "fim do mundo" pra mim?

Bom, só faltam as coisas lá por Nova Iguaçu não estarem andando tão bem, também, não é?

sábado, 7 de junho de 2008

Por Angeli

Lições sobre o caso Isabella

por Carlos Castilho
Observatório da Imprensa

"O caso Isabella mexeu muito mais com universo jornalístico nacional do que se supunha. Isto ficou claro ao longo de 30 entrevistas, no eixo Rio-São Paulo, com editores chefes e profissionais com grande experiência, ouvidos parauma pesquisa sobre políticas públicas e informação, organizada pela ANDI.

O tema Isabella não fazia parte do âmbito da pesquisa e nem foi incluído nas perguntas, mas ele acabou surgindo na maioria das conversas como algo que boa parte dos jornalistas ainda não conseguiu esquecer e que a imprensa não digeriu.

Há muitas explicações para isto, mas o que me interessa explorar é a forma como o episódio materializou um conflito de interesses que é inerente à atividade jornalística, mas que dificilmente é visto em toda a sua dimensão, porque são raras as situações em que os componentes se mostram tão claramente diferenciados."

Leia o resto aqui

Processando o denunciante

Opiniões de diversos conceituados jornalistas - entre eles Ricardo Noblat e Josias de Souza - apontam o jornalista Altino Machado, como o blogueiro mais importante do Estado do Acre. Ele que já foi repórter do O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo. Agora é surpreendido com uma demonstração de censura do poder público, através de seu blog.

A promotora da Defesa do Meio Ambiente, Meri Cristina do Amaral Gonçalves, entrou com uma ação de notícia por crime ambiental contra o jornalista. O motivo seria a opinião dada por Altino, sobre foto colacada em seu post, onde é mostrado a poluição do rio Acre.

O jornalista é obrigado a comparecer a uma audiência para explicar a "ofensa". A conclusão deixarei nas próprias palavras de Altino: "O que era podre e fétido está pior."

Leia o post da discórdia aqui

quinta-feira, 5 de junho de 2008