sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Almoxarifado para o problema dos outros

O texto abaixo representa um caso, onde fica claro, o jogo de interesse entre o Governo e empresários. Após tantos orgãos e demais setores apresentarem inúmeros fatos que inviabilizam esta questão, não se vê outra explicação para isso continuar em pauta, e pior, praticamente colocado em prática.

Como disse o jornalista Manuel Sena Dutra: "A Amazônia é um almoxarifado para o problema dos outros."

O texto baixo é do padre e diretor da Rádio Rural AM. Ele escreve regularmente no Blog do Jeso:

"A conversa dos empresários e do pessoal do governo federal é de que construir hidrelétricas na Amazônia é para trazer grandes benefícios às populações. E mais: dizem que não basta a usina de Tucuruí. Agora, além das usinas do rio Madeira e de Belo Monte, no Xingu, há planos de mais 5 hidrelétricas na bacia do Tapajós. Essa é uma das mentiras que está sendo divulgada.

Para atender às famílias do Pará, Amapá e Amazonas, os técnicos mais honestos garantem que a usina de Tucuruí tem capacidade de fornecer energia. Se Monte Alegre, Alenquer, Óbidos e Juruti, no Pará, e Parintins, Manaus e Itacoatiara , no Amazonas, não têm energia de Tucuruí é porque não atravessaram o rio Amazonas com os cabos de eletricidade. Existe o projeto, mas não há interesse nem da Rede Celpa, nem dos governos do Pará e Federal.

Por que então o governo federal insiste em construir 6 imensas hidrelétricas tão vizinhas - uma em Belo Monte, no Xingu, e 5 no rio Tapajós? Para atender a quem?

Quando um diretor do Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes, Denit, esteve há poucos dias em Santarém e declarou que o rio Tapajós era essencial para o governo federal construir hidrelétricas, isso causou revolta em moradores do alto Tapajós. Lá existem mais de mil famílias, e mais adiante, acima das primeiras cachoeiras, existem 5 mil indígenas Mundurukus, Kaiabis e Apiacás que também sofrerão um desastre caso essas faladas hidrelétricas venham a ser construídas.

O pessoal do governo, submisso às grandes empresas mineradoras, trata o povo da Amazônia como gado. Basta mudar a fazenda e está resolvido.

Até agora, os milhões de toneladas de minérios extraídos do Pará e da Amazônia só deixam estragos no meio ambiente e nas populações, sem nada de desenvolvimento humano. Ouro do Tapajós, cassiterita e diamantes em Rondônia, bauxita no rio Trombetas e logo, logo, mais bauxita de Juruti, deixam a devastação, alguns empreguinhos temporários e os lucros vão para o estrangeiro.

Muita gente sabe disso, mas… É um absurdo de ignorância quando empresários e políticos estão aplaudindo os planos feitos para prejudicar os povos da Amazônia. Ou será oportunismo simplório?

Cinco hidroelétricas serão a morte do belo rio Tapajós, a morte de tantos moradores que vivem às margens do ainda belo rio e desgraça para o meio ambiente da Amazônia. Por que deixar acontecer tanta desgraça?"

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Novo layout

Decidi mudar. Tava cansado do outro blog e por preguiça preferi não criar outro. Apenas reformulei o antigo, dando uma cara mais de 'Amazônia'. Nada contra a literatura de cordel, que eu tentava usar como base para o último blog, mas é nessa ambiente de floresta que eu nasci e me criei.

Outro ponto é o resgate da língua indígena, que na minha opinião, deveria ser um trabalho fundamental, feito, principalmente, pelos moradores da região Norte do país, com o objetivo de combater a extinção desses dialetos lingüísticos.

As críticas serão feitas da mesma forma e o espaço dado para quem quiser expressar opiniões diferentes, continuará aberto para discussões.

Os desafios da cobertura na Amazônia


Foto: Thais Iervolino/Amazônia.org

"O problema de fazer uma boa cobertura jornalística na Amazônia seria a falta de quadros contratáveis na impresa local." Essa foi a afirmação -- infeliz, diga-se de passagem -- do jornalista Claudio Angelo Monteiro, editor de ciência e meio ambiente do jornal Folha de S. Paulo, que participou da terceira etapa de um ciclo de palestras sobre Jornalismo Ambiental, em Belém.

Anteriormente, já passaram pelo evento, o jornalista Alexandre Mansur, editor da revista Época e do blog 'O Planeta' e o jornalista Marcos Sá Corrêa, que dispensa comentários. Mas, foi com Claudio Angelo que o assunto ganhou polêmica, em meio a um público de estudantes e jornalistas.

Acredito que, em partes, o Angelo não está errado, mas sem dúvidas parece ter falta de conhecimento para discutir o assunto. Mas, atenção! Conhecimento e experiência são coisas diferentes, ainda mais, na nossa profissão.

Ele é editor de Meio Ambiente, mas nunca tinha ouvido falar no nome de Manoel Sena Dutra, conhecia apenas a "fama" de Lúcio Flávio Pinto e desconhecia o trabalho de José Raimundo Pinto, com quem dividiu a mesa de debates. Esse trio forma um bom exemplo de especialistas no assunto.

É certo, que eles fazem parte de uma geração em que os repórteres se pautavam e os jornais impressos podiam bancar despesas de viagens pela região. Mas, só quem vive na Amazônia sabe das dificuldades de isolamento geográfico (distâncias); perigos por brigas de terras que envolvem fazendeiros, pistoleiros e agricultores; e principalmente, a falta de apoio.

O fato, é que, atualmente, as empresas de comunicação, seja qual for o veículo, não dão atenção para questões ambientais. Preferem fazer o factual. "A violência está pautando as redações e os diretores das emissoras, não necessariamente, são jornalistas; o que aumenta o desinteresse no tema 'Amazônia'. ", explica o jornalista Manuel Sena Dutra.

Claudio Angelo explicou a afirmação, com o argumento de que a cobertura, em Belém, perdia a qualidade, pois um jornalista ganha um salário de R$ 700,00. O profissional acaba tendo que arranjar um segundo ou terceiro emprego e não pode se dedicar a apenas um, como acontece no sudeste do país.

Para a jornalista da Embrapa, Ruth Rendeiro, "é constrangedor e decepcionante a dificuldade que há em se 'vender' uma pauta quando os assuntos são mais complexos. Os que fazem imprensa na Amazônia parecem não estar dando muita atenção para o que ela significa interna e externamente."

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Os desafios dos prefeitos

O vídeo abaixo mostra uma reportagem produzida por mim, para a série do Jornal da Record: 'Eleições - Os desafios dos prefeitos". Nós fechamos o VT com material do estado do Acre e Amazonas, para mostrar o drama da educação, na região Norte.

Durante cerca de duas semanas trabalhamos nessa reportagem, sem deixar de lado o factual, sendo que entre essas duas semanas, a âncora da Rede Record, Adriana Araújo veio a Belém, para gravar a sua passagem
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Corre-corre, orçamentos de traveling e grua, organização de escalas de trabalho, tudo para atender da melhor forma a equipe de SP. O resultado acredito ter ficado muito bom... Ainda mais pela experiência que adquiri.

O caso - Em escolas na zona rural, no interior do Pará, falta infra-estrutura, material didático e merenda -- não é muito diferente de outros estados. Mas, uma das coisas mais sérias que acontecem aqui, são os casos de "alunos-jacarés", crianças que não tem cadeira para assistir aula e acabam escrevendo a lição deitados no chão.

Decidi que iria fazer este flagrante para a série sobre 'Educação' e após, cerca de três horas percorrendo estradas de um município, próximo a capital paraense, consegui mostrar um triste exemplo deste descaso.

A matéria foi ao ar no dia 30 de setembro, mas não sei qual a repercussão sobre o que aconteceu a escola, se conseguiram as cadeiras e se ela foi reformada, por exemplo. Afinal, qual o meu papel: denunciar e depois cobrar do Governo? Ou apenas denunciar e esperar que as autoridades tomem alguma providência? Seria este, um caso do 'complexo de super-homem'?.


Veja a matéria: