Como disse o jornalista Manuel Sena Dutra: "A Amazônia é um almoxarifado para o problema dos outros."
O texto baixo é do padre e diretor da Rádio Rural AM. Ele escreve regularmente no Blog do Jeso:
"A conversa dos empresários e do pessoal do governo federal é de que construir hidrelétricas na Amazônia é para trazer grandes benefícios às populações. E mais: dizem que não basta a usina de Tucuruí. Agora, além das usinas do rio Madeira e de Belo Monte, no Xingu, há planos de mais 5 hidrelétricas na bacia do Tapajós. Essa é uma das mentiras que está sendo divulgada.
Para atender às famílias do Pará, Amapá e Amazonas, os técnicos mais honestos garantem que a usina de Tucuruí tem capacidade de fornecer energia. Se Monte Alegre, Alenquer, Óbidos e Juruti, no Pará, e Parintins, Manaus e Itacoatiara , no Amazonas, não têm energia de Tucuruí é porque não atravessaram o rio Amazonas com os cabos de eletricidade. Existe o projeto, mas não há interesse nem da Rede Celpa, nem dos governos do Pará e Federal.
Por que então o governo federal insiste em construir 6 imensas hidrelétricas tão vizinhas - uma em Belo Monte, no Xingu, e 5 no rio Tapajós? Para atender a quem?
Quando um diretor do Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes, Denit, esteve há poucos dias em Santarém e declarou que o rio Tapajós era essencial para o governo federal construir hidrelétricas, isso causou revolta em moradores do alto Tapajós. Lá existem mais de mil famílias, e mais adiante, acima das primeiras cachoeiras, existem 5 mil indígenas Mundurukus, Kaiabis e Apiacás que também sofrerão um desastre caso essas faladas hidrelétricas venham a ser construídas.
O pessoal do governo, submisso às grandes empresas mineradoras, trata o povo da Amazônia como gado. Basta mudar a fazenda e está resolvido.
Até agora, os milhões de toneladas de minérios extraídos do Pará e da Amazônia só deixam estragos no meio ambiente e nas populações, sem nada de desenvolvimento humano. Ouro do Tapajós, cassiterita e diamantes em Rondônia, bauxita no rio Trombetas e logo, logo, mais bauxita de Juruti, deixam a devastação, alguns empreguinhos temporários e os lucros vão para o estrangeiro.
Muita gente sabe disso, mas… É um absurdo de ignorância quando empresários e políticos estão aplaudindo os planos feitos para prejudicar os povos da Amazônia. Ou será oportunismo simplório?
Cinco hidroelétricas serão a morte do belo rio Tapajós, a morte de tantos moradores que vivem às margens do ainda belo rio e desgraça para o meio ambiente da Amazônia. Por que deixar acontecer tanta desgraça?"
