segunda-feira, 28 de abril de 2008

As "vias de fato" do casal



Por Edson Carvalho e José Brito

“É tão doloroso lembrar aquele dia. Tudo aconteceu de forma tão violenta que parecia que eu estava sendo atacada por um animal”, lamenta a nutróloga C. F. A., descrevendo sua dor com as típicas palavras de uma vítima da violência doméstica.

Em Belém, somente nos quatro primeiros meses do ano, os registros na Divisão Especializada em Atendimento à Mulher já chegaram a 1.200. Desde a implantação da Divisão Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM), os números da violência doméstica em Belém se tornam cada vez mais alarmantes, expondo um problema que não distingue cor, credo ou classe social.

De janeiro a abril deste ano, já passam das 1.200 as ocorrências registradas somente na DEAM, que não levam em conta os números das seccionais urbanas da capital, deixando os dados com valores abaixo da realidade.

Em processo de divórcio na ocasião, C. F. A. foi atacada por seu ex-marido no início do ano. Após invadir o carro da vítima, o agressor passou a golpeá-la com as mãos, deixando-a desacordada. Em seguida, colocou-a no banco traseiro e dirigiu até um motel da cidade.

“Eu acordei com o meu rosto doendo muito, sem saber onde estava. De repente ele apareceu e veio para cima de mim, me forçando a manter relações com ele. Eu não queria. Pedi para ele me levar a um hospital, mas como queria acabar logo com aquela situação, acabei cedendo e pedindo para que aquilo acabasse logo.”

O boletim de ocorrência, feito na própria Delegacia de Mulher, diz que, segundo a vítima, ela teria sido levada a um motel da cidade, onde foi forçada a manter relações sexuais com o ex-marido, D.S.C.

Segundo a titular da DEAM, delegada Alessandra Jorge, os casos de violência doméstica registrados na divisão são como os sofridos pela pediatra. “A violência doméstica atendida aqui na DEAM partem de companheiros ou ex-companheiros da vítima”, atesta a delegada. “Vão desde ameaças, calúnias, injúrias e difamações até as lesões corporais, ‘as vias de fato’ do casal”, completa.

O caso de C. F. A. mostra ainda outra fragilidade das vítimas de violência doméstica: o perdão e posterior reincidência do agressor. A médica fora agredida pelo ex-marido em 2005, mas decidiu retirar a queixa alegando a demora da justiça.

“Em muitos casos as vítimas vêem À delegacia querendo ‘alertar’ o companheiro da gravidade da situação, em geral pedindo para que conversemos com eles, e preferem não entrar com a denúncia judicial”, afirma a delegada Alessandra.

Dividida em diversos níveis, a violência doméstica atinge principalmente mulheres e crianças, que em muitos casos desconhecem suas posições de vítima. “Manter relações sexuais com o parceiro sob algum tipo de coação, como ameaças verbais, por exemplo, já caracterizaria uma violência doméstica”, afirma a titular da DEAM. “As ameaças verbais, por sinal, são as que mais aterrorizam muitas destas mulheres, que sofrem em silêncio. Elas têm vergonha de ir à DEAM ou a uma delegacia, além do medo de represálias também, e isso é pior, porque a violência continua impune, ao lado delas”, completa.

“Casos como o da Nirvana (Evangelista da Cruz, morta pelo ex-namorado, Mário Tasso) são graves, porque ela prestou diversas queixas contra ele, mas casos como o da Lílian (Obalski, morta pelo ex-namorado, Fábio Silva) são ainda piores, porque ninguém imaginava, não havia queixas contra ele. Isso mostra a importância do registro de violência doméstica”, finaliza.

Para a advogada Mary Cohen, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB no Pará (OAB/PA), exemplo como esse demonstram a esfera social de vítimas da violência doméstica, pois na maioria dos casos, as queixas são retiradas em menos de dois meses.

Segundo ela, muitas agressões, tanto às mulheres, quanto às crianças, começam dentro de casa, gerando certa inibição em denunciar os agressores. “Ninguém se sente à vontade ao denunciar um pai, um marido ou outro parente, portanto, a agilidade nos processos e o apoio da família são dois alicerces fundamentais para dar continuidade e força a uma denúncia”.

Estudos sobre violência doméstica mostram a realidade brasileira. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgados em 2005, 22% das mulheres brasileiras que foram agredidas pelo companheiro ou ex-companheiro não contaram a ninguém.

A pesquisa mostra ainda que 29% das brasileiras relataram ter sofrido violência física ou sexual pelo menos uma vez na vida, sendo que 60% das vítimas de violência doméstica jamais abandonaram o lar após a violência, e apenas 20% das vítimas saíram de casa uma vez, voltando em seguida.

sábado, 26 de abril de 2008

Não precisava ir longe

Menina, de 6 anos, é encontrada morta na entrada da área de um prédio; tudo indica que ela teria sido jogada de seu apartamento. No hospital, ao verificar o corpo da menina, médicos encontraram marcas de agressões físicas que teriam sido feitas antes da queda. Exames da perícia comprovaram o fato e confirmam a possibilidade de que ela teria sido assassinada.

Aposto que ao ler o texto acima, muitas pessoas lembram de Isabella Nardoni, de São Paulo, não é? Pois então, saibam que eu me referia ao caso da menina Jéssica Begot, ocorrido em 2003, no Edifício Luanda I, em Belém, em circustâncias idênticas ao de Isabella, mas com algumas importantes diferenças, o caso não ganhou repercussão nacional, e mesmo passados cinco anos, ninguém foi indiciado ou julgado.

Aí você pensa na força que mídia tem, a ponto de comover todo o país e mobilizar toda a força necessária. No começo da semana, foi anunciada a ida do diretor do Instituto de Criminalística do Pará, Vamilton Albuquerque e da perita criminal Edna Mendes Pereira, para auxiliar na reconstituição do crime de SP.

Porque não se vê todo esse trabalho pela menina paraense? Será que o Vamilton não conhece o caso da menina Jéssica; e a polícia, por que parou as investigações? Ah... deve ser, porque estão assistindo o caso de Isabella na televisão. (Quem não está, não é?)

sábado, 19 de abril de 2008

Consciência


"Não viemos à Terra para julgar, nem para prender ou condenar, viemos para olhar e depois contar. Não somos juízes, não somos promotores, somos jornalistas, somos testemunhas do nosso tempo, uma testemunha crítica, não necessariamente de oposição, mas implacavelmente crítica." Por Zuenir Ventura.

Acho que isso deveria ficar bem claro à população, e principalmente à imprensa, sobre a cobertura de casos, como o assassinato da menina Isabella. É uma pena, presenciar em noticiários de telejornais e manchetes de jornais e revistas, o pré-julgamento feito ao acusar o pais e a madrasta da menina.

O resultado da perícia parece ser o determinante para colocá-los na cadeia, então tudo bem, mas por que não checar outras possibilidades, não com a intenção de inocentá-los, mas de uma apuração anterior ao ato.

Digo, o que poderia ter motivado tudo isso? Afinal, quem já assitiu "A vida de David Gayle" pode ter uma noção do que estou falando! Enganos acontecem, apesar de tudo ir para um lado, não custa nada espiar para o outro, não é?!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

quarta-feira, 9 de abril de 2008

"Acho que não vamos mais a praia!"

O que está acontecendo com os jovens de hoje? A falta de uma criação adequada dada pelos pais e uma abertura, na constanste inovação da internet, podem ser responsáveis pela nova geração de adolescentes que estão sendo formados?

Pergunto isso, por que, no dia 30 de março, seis garotas e dois garotos, com idades entre 14 e 16 anos, foram presos, na Flórida (EUA), após terem filmado a agressão contra outra garota e colocado o vídeo no YouTube.

A mãe da menina agredida disse que "aparentemente outros estudantes sabiam que elas iriam colocar o vídeo na internet só pela emoção de ver tudo aquilo." Essa emoção, não seria resultado de uma sociedade que não se satisfaz mais com o que é público, ou seja, quer ver o momento da ação, mesmo que isso seja o osbceno; não basta saber que a menina foi agredida, querem ver o como foi feito isso.

O oficial que prendeu as seis meninas disse que elas estavam rindo da situação e diziam "acho que não vamos para a praia nessas férias", sem demonstrar absolutamente nenhum remorso sobre o que tinham feito.

Não pretendo começar uma teoria alarmista, mas não seria hora de se atentar para os rumos que essa nova sociedade , que está sendo formada, está indo - ou seria "não indo"?

Com informações do G1

Que venha o bolsa-nação!

"Depois do bolsa-família, do bolsa-escola, do bolsa-trabalho e de muitas outras malas, vem por aí o bolsa-floresta. O governo planeja criar um fundo para pagar agricultores que fizerem "prestação de serviços ambientais" como conservar as florestas, fazer reflorestamentos e recuperar áreas destruídas pelo fogo ou desmatadas.

A bolsa-floresta, em gestação no Ministério do Meio Ambiente , tem tudo para emplacar até o final de 2008. O pagamento a agricultores funcionaria, nesse caso, para atenuar a destruição da floresta amazônica.

Até o final do governo Lula, nesse ritmo, virá, enfim, a bolsa-nação, beneficiando todo o povo brasileiro. E ninguém mais vai precisar trabalhar. Com isso, presidente Lula vira imperador do Brasil com direito à coroação e festa. Viva Lula!!!!"


Fonte: Blog do Brasiliense

domingo, 6 de abril de 2008

Cadê o aparelho que estava aqui?

Algumas semanas atrás, foi inaugurado mais um hospital da Unimed, em Belém, agora na travessa Presidente Pernambuco. Em um bate-papo de domingo, fui informado por médicos, que esse novo centro de atendimento possui aparelhos que "de tão modernos, nem tem em São Paulo" - leia-se para nós, do norte, sinônimo de avanço, infelizmente!

Mas, ao ler o jornal "O Liberal", deste domingo, me deparo com a seguinte nota, na coluna Repórter 70:

"Apenas quatro dos 143 municípios paraenses têm aparelhos de hemodiálise, situação que representa um déficit de cerca de 35%, segundo dados levantados por setores da área de saúde. Nem sempre a existência do aparelho representa atendimento garantido aos pacientes, como no caso de Castanhal e Santarém.

Mesmo em Marabá, às vezes, há problemas de atendimento, como acontece em Belém, onde só a Associação dos Renais Crônicos conta com cerca de 100 pacientes."

O texto narra o drama de hemofílicos, que dependem da saúde pública, mas sabe-se bem, que está não é uma questão isolada.

É regra: quem precisa de auxílio do governo tem que dormir em fila e ser mal atendido, mas por que nada é feito para que isso mude? Pergunte a alguém que não tem plano de saúde, como é a rotina quando o filho adoece e tem que levá-lo a um posto de saúde, ou a um pronto-socorro.

Não que isso seja novidade, mas amanhã, 5 de abril, é o Dia Nacional da Saúde. Portanto, ao ver, governantes, prefeitos e secretários, participando de ações solidárias em prol da saúde, em praças e ruas, lembre-se de como está a situação da saúde na cidade e no interior, e pense: Será que isso é o máximo que eles podem fazer por nós?