domingo, 7 de setembro de 2008

Mamãe é Down


Texto: Solange Azevedo
Foto: Rogério Albuquerque
Revista Época

" 'Tio, a barriga da Gabriela está dando socos.' Foi assim, no meio de um bate-papo inocente, que o estudante Fábio Marchete de Moraes, de 28 anos, deixou escapar que ele e a mulher brincavam de 'examinar' o ventre dela. Fábio não imaginava que as pancadinhas partiam de uma criança em gestação. Maria Gabriela Andrade Demate, a dona da barriga, também de 28 anos, não fazia idéia de que estava grávida. Embora estivessem juntos havia três anos, dividindo o mesmo teto e a mesma cama, Fábio e Gabriela acreditavam que o sexo entre eles fosse proibido. Seus pais nunca tinham dito, de maneira explícita, que permitiam esse tipo de intimidade. Gabriela tem síndrome de Down. Fábio é deficiente intelectual.

Foi por desconfiar do abdome saliente de Gabriela que o amigo de Fábio procurou a mãe da jovem. 'Os dois vêm a minha choperia quase todos os dias e me chamam de tio', diz Vlademir Cypriano. 'Eles me contam coisas que não falam para mais ninguém.' Um teste de farmácia, comprado às pressas, não foi suficiente para eliminar a suspeita. 'Mesmo vendo as duas listrinhas do exame, não acreditava que a minha filha estivesse grávida', afirma Laurinda Ferreira de Andrade. 'Levei Gabriela a três ginecologistas e nenhum deu certeza de que ela pudesse ter um bebê. Percebi que estava ficando mais gordinha. Mas achei que fosse por comer demais'. A gestação avançada, descoberta aos seis meses, gerou pânico e encheu a família de dúvidas. Até o nascimento prematuro de Valentina, transcorreram cerca de 60 dias. 'Foram os mais longos da minha vida', diz Laurinda. 'Minha filha não tinha feito o pré-natal desde o início, como é recomendado. Por causa da síndrome de Down, ela poderia ter problemas cardíacos. A gravidez era de risco'.

Leia a matéria na íntegra aqui.

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