domingo, 23 de dezembro de 2007

Quem precisa?!




Titãs - Polícia
Dizem que ela existe pra ajudar
Dizem que ela existe pra proteger
Eu sei que ela pode te parar
Eu sei que ela pode te prender

Polícia! Para quem precisa?
Polícia! Para quem precisa de
polícia? (2X)

Dizem pra você obedecer
Dizem pra você responder
Dizem pra você cooperar
Dizem pra você respeitar

Polícia! Para quem precisa?
Polícia! Para quem precisa de
polícia? (2X)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

A queda de um super-herói


Acho que, na infância, todo mundo gostaria de ter super poderes ou pelo menos ser amigo de um super-herói. Mas, foi depois de grande que percebi a sorte que tinha. Havia um super-herói mais perto do que eu imaginava.

Mal passava pelo portão da casa da Vó Lia e um muleque vinha correndo e se atirava nos meu braços, com a certeza de que eu iria segurá-lo - era o meu primo, Felipinho. Me lembro, que foi com ele que comecei a carregar crianças até o teto, para que elas enxergassem todo mundo do alto, o mundo dos adultos, pelo menos uma vez. O que continuo fazendo, com qualquer criança pequena que conheço, apenas para receber as gargalhadas inocentes e os pedidos de "de novo" - como ele fazia. Mas, sem sombra de dúvidas, o que ele mais gostava era quando eu o fazia voar deitado que nem o super-homem, ou escalar as paredes como o homem-aranha. Ah sim, o Homem-Aranha. Para quem não sabe, ele era o verdadeiro Homem-Aranha (o meu menino-aranha). É verdade, agora já posso fazer essa revelação, já não importa mais manter a sua identidade secreta.

O meu anjinho partiu para uma missão em um lugar bem, bem, bem distante, só para proteger a todos nós. Já se passaram meses e ele ainda não voltou, e começo a desconfiar de que não o veremos tão cedo. Hoje, é aniversário dele, dia 19 de dezembro - ele estaria completando sete anos - , mas não desconfie da pouca idade, quando ele vestia a máscara vermelha, tudo mudava. Ele pulava pelos sofás da sala, como se estivesse enfrentando os arranha-céus de Nova Iorque, lutava com o meu irmão Pedrinho, como se ele fosse o seu mais temido vilão, e quando a mãe dele chegava, após um dia de trabalho, ele abraçava-a como se fosse a sua a amada Mary Jane. Ele era especial, e veio até nós por um motivo especial: nos ensinar a ser fortes, enfrentar uma batalha de cada vez, e nunca, mas nunca, recuar.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

"Condição análoga à de escravo"


O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou o Cadastro dos Empregadores flagrados submetendo trabalhadores à condição análoga à de escravo - também conhecida como 'lista suja'.

Treze nomes foram incluídos e sete retirados, a relação passa a ter 189 nomes, entre pessoas físicas e jurídicas, não incluídos os casos de exclusão por força de decisão judicial. A listagem anterior possuía 192 proprietários. O maior número de empresas é do Pará.

O nome do infrator só entra para a lista após o final do processo administrativo criado pelos autos da fiscalização, quando estes não estão mais sujeitos a recursos na esfera administrativa. A exclusão, por sua vez, depende do monitoramento do infrator por um período de dois anos.

Se neste intervalo não houver reincidência, forem pagas todas as multas resultantes da ação de fiscalização e quitados os débitos trabalhistas e previdenciários, o nome é retirado.

A atualização é divulgada semestralmente desde novembro de 2003. Os empregadores listados ficam impedidos de obter empréstimos em bancos oficiais do governo e também entram para a lista 'Empresas pertencentes à cadeia produtiva do trabalho escravo no Brasil', que serve de alerta às indústrias, ao comércio varejista e exportadores.

Segundo a coordenadoria do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, as principais causas de manutenção do nome na lista são a não quitação das multas impostas, a reincidência na prática do crime e o trâmite de ações no Judiciário - nesta caso retirando o nome provisoriamente da relação.

No caso de liminar da Justiça, o nome é imediatamente excluído até eventual suspensão da medida ou decisão de mérito. No decorrer desse período, a contagem do prazo de dois anos fica suspensa.

Havendo decisão judicial favorável ao retorno do nome ao cadastro, ele é novamente incluído e a contagem do prazo é reiniciada.

O Brasil é signatário de diversas convenções internacionais que condenam o uso de trabalho análogo ao escravo.

Segundo o Art. 149 do Código Penal, é crime 'reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto'.

De 1995 até hoje, mais de 26 mil trabalhadores foram resgatados da escravidão pelos grupos móveis de fiscalização do governo federal, integrados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho e Polícia Federal, além das equipes de fiscalização rural das Delegacias Regionais do Trabalho.

Veja a 'lista suja'

***Com informações do Portal ORM

sábado, 15 de dezembro de 2007

Entenda o CPMF

A decisão do Senado de não prorrogar a cobrança da CPMF até 2011 vai ter um efeito direto no bolso dos brasileiros a partir de janeiro. Com o fim da contribuição, o brasileiro vai ter uma "sobrinha" a mais no Orçamento.

Isso porque a CPMF consumia 0,38% da renda do trabalhador - quem recebe R$ 1.000 por mês, por exemplo, pagaria R$ 3,80 de contribuição por mês e R$ 45,60 por ano. Entretanto, o impacto da CPMF nas contas do trabalhador transcende os valores que são debitados de sua conta.

Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), ela afeta também os preços das mercadorias - em alguns casos, como o dos aparelhos eletroeletrônicos, a contribuição da CPMF para o preço final da mercadoria passa de 2%.

Portanto, se o consumidor adquire um computador de R$ 2 mil, ele poderia pagar R$ 1.960 pelo mesmo bem caso a CPMF não existisse. Apesar disso, ainda não está claro, de acordo com economistas, se o fim da CPMF em janeiro vai ter uma influência imediata nos preços. Entretanto, ela existe e o preço das mercadorias poderia, teoricamente, ser reduzido.

Dica - Se alguém for comprar um carro de R$ 20 mil e fizer a transferência do dinheiro ainda em dezembro, pagará R$ 76 de CPMF. Se for comprar uma casa de R$ 100 mil, o valor a ser pago de CPMF é de R$ 380. Em janeiro, com o fim da CPMF, esses valores não serão mais cobrados.

***Com informações da Globo.com

Mundo Cão

Na filosofia, define-se o homem como um "animal racional". Não se afirma que o homem é racional da mesma maneira que um quadrado tem quatro lados. A racionalidade é característica de seus pensamentos, de seus atos e de todos os seus modos de atuar.

Esta racionalidade é que dá força ao livre-arbítrio, no sentido de ele agir como quiser e responder por seus atos. Além, de se tornar uma pessoa em evolução num planeta de provas e expiações.

Mas essa teoria "do homem como ser pensante" é posta em cheque, quando notícias como essas voltam a surgir:

"Um morador de rua de 32 anos teve as mãos, os braços, o peito e o rosto queimados por ácido enquanto dormia, em Curitiba. Ele foi levado em estado grave ao hospital, e deve permanecer internado por pelo menos um mês.

Por uma atitude irracional e covarde, o homem vai perder mais da metade da pele da face, que terá de ser substituída por enxertos. O médico afirmou que ele terá seqüelas e poderá ficar desfigurado, pois o rosto foi a área do corpo mais atingida pelo ácido.

O morador de rua disse não saber quem jogou o produto e que acordou sentindo dores por causa das queimaduras."

***Até quando isso vai continuar?

Varredura

O Ministério da Justiça pretende identificar todas as organizações não-governamentais que atuam na Amazônia. A medida - tardia, diga-se - visa conter a biopirataria, a exploração de trabalho dos índios e a concentração fundiária na região.

O governo está consciente de que hoje existe mais joio do que trigo na safra de Ongs. Ou seja, muitas mal intencionadas e poucas que cumprem corretamente as suas funções.

Fonte: Repórter 70 (14/12/07)

Tensão agrária

A denúncia de que estaria em andamento um plano para matar o gerente do Ibama de Altamira, Roberto Scarpari, mobilizou esta semana procuradores da República e do Ibama e a Polícia Federal. O gerente, de acordo com a denúncia, anônima, seria executado numa simulação de assalto em Piracicaba, interior de São Paulo, onde passa férias com a família.

Logo após a confirmação do plano, agentes federais foram acionados para proteger a casa que hospeda Scarpari e ele passou a andar com escolta. A Procuradoria da República no Pará obteve a informação de que o crime teria sido encomendado por madeireiros da região de Altamira.

Na avaliação dos procuradores que atuam no Estado, a denúncia é verossímel, pelo contencioso agrário e econômico travado no interior do Estado, sobretudo em torno da exploração madeireira ilegal. O Ministério Público Federal anuncia que vai investigar os supostos responsáveis pela encomenda macabra. A PF já mandou equipe a campo para levantar a história.

Fonte: Repórter Diário (14/12/07)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Uma outra visão



"O caso da menina do Pará, presa numa cela de delegacia para homens, encerra muitas ilegalidades. As mais óbvias já foram amplamente discutidas. Mas, vale lembrar também, que ela estava sendo acusada de um furto – crime sem violência. No dia seguinte, soubemos que um homem, na mesma delegacia, estava preso sob a acusação de furto de uma bicicleta.

É muito preocupante perceber que em vários estados a legislação do país, que não prevê pena de prisão para este tipo de crime, é sistematicamente ignorada. Um preso custa R$ 1.000,00 por mês (o equivalente a sete alunos na rede de ensino de primeiro grau) e uma unidade prisional para 50 presos custa, em média, R$ 14 milhões (com o que se poderia construir 670 casas populares com 30metros quadrados).

Um antigo Ministro da Justiça inglês dizia que a prisão é uma forma cara de tornar as pessoas piores. Enquanto as sociedades não descobrirem formas mais inteligentes de lidar com seus membros violentos vamos precisar manter privados da liberdade aqueles que realmente constituem risco concreto ao convívio social.

Todos os outros infratores podem e devem ser punidos com penas alternativas e a prestação de serviços gratuitos à comunidade é, certamente, a melhor delas."

***Socióloga e diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), Julita Lemgruber, dá seu parecer sobre a questão do ponto de vista das penas alternativas. Afinal, os policiais erraram ao manter a menina numa cela cheia de homens, mas o sistema contribuiu ao prendê-la por um furto.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Do seu bolso!

O Orçamento para 2007 da Assembléia Legislativa do Pará é de R$ 125.809.846,00. Dividindo-se esse número pela quantidade de deputados estaduais (41), atinge-se o montante de R$ 3.068.532,83.

Isso é o que o mandato de cada deputado custa aos cofres estaduais paraenses. É mais do que custam os mandatos de membros do Parlamento britânico ou do Congresso Nacional francês, por exemplo.

Dividindo-se o total dos gastos com a Assembléia pela população do estado, o número resulta em R$ 17,69. Esse é o montante com que cada cidadão paraense arca anualmente para manter a sua Assembléia Legislativa.

O que, ser formos pensar bem, não sai tão barato assim no bolso do trabalhador, levando em conta: IPTU, FGTS, IPVA... Afinal, corresponde, a aproximadamente, 5% do salário mínimo.

Fonte: Relatórios da Transparência Brasil

Direito a informação

Saiba que qualquer ato oficial do Estado só tem validade quando publicado no 'Diário Oficial', e a Constituição Federal prevê o acesso dos cidadãos a informações do governo.

No entanto, como mostra estudo publicado nesta segunda-feira (10) pela organização Transparência Brasil, o acesso aos diários oficiais ainda é dificultado pelo fato de não serem reproduzidos com qualidade na internet ou terem seu conteúdo restrito a assinantes.

O resultado do exame mostra que a situação verificada na maior parte dos estados brasileiros configura descaso, quando não dificultação, quanto ao dever constitucional de informar.

Apenas seis estados da União publicam seus diários na rede com mecanismos de busca que permitem localizar com facilidade um texto específico. Os outros estados possuem apenas reproduções do texto que sai também na versão impressa, ou nem isso (Goiás, Santa Catarina, Sergipe, Rondônia e Roraima não oferecem versão digital de seus diários oficiais).

Em alguns diários oficiais, a interface de uso é bisonha, com excesso de passos de navegação, diagramação primitiva e funcionamento precário.

Outro problema apontado pela Transparência Brasil é que alguns estados cobram pelo acesso ao site, ainda que, segundo a organização, o valor arrecadado com assinaturas não represente montante substancial para seu financiamento.

Finalmente, o estudo critica o uso dos diários pelos governadores de alguns estados para promoção pessoal.

Nota: Pela primeira vez, vejo o Pará se destacando em algo positivo. Por não ter sido citado nesse exame, já que detém todos os requisitos necessários para detectar padrões suspeitos nas decisões que são publicadas (contratos, nomeações e outras). Já é alguma coisa!

Links: Impresa Oficial do Estado do Pará (Ioepa) e Transparência Brasil

Estado Violador

Saiu no 5º Emenda:

"Hoje comemora-se os 59 anos da Declaração dos Direitos Humanos.Na programação da efeméride, a OAB-PA confere este ano o prêmio José Carlos Castro ao Cacique Dadá Borari, da tribo Borari, que fica na reserva indígena Tapajós, rio Arapiuns, no oeste do Pará, área guardada pelo Estado do Pará e muito cobiçada por madereiros e grileiros.

Os madereiros consideram os índios um entrave, tanto que Dadá Borari, na condição de cacique e defensor da reserva indígena, já sofreu duas emboscadas até entrar no Programa Nacional de Defensores de Direitos Humanos, em abril deste ano.

O prêmio será entregue pela presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Pará, a santarena Mary Cohen, que também integra a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB-Nacional e coordena o Combate ao Trabalho Escravo da OAB nacional.Sobre violência, diz Mary:

'Na realidade, o maior violador dos direitos humanos é o Estado, que deveria respeitar os direitos humanos desde os serviços essenciais, como o direito à saúde, a escola, à cultura e a saneamento básico, que são direitos fundamentais que deveriam ser respeitados. E quando me refiro ao Estado estou falando dos poderes legislativo, executivo e judiciário'."

Coluna social: O Cordel parabeniza também a menina que ficou presa com vinte homens, em Abaetetuba. Ela está aniversariando hoje e ganhará uma festa organizada pelo Programa de Crianças e Adolescentes Ameçados de Morte, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. É isso.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Cuidado com o que você fala!



"Essa moça tem certamente algum tipo de debilidade mental, porque em nenhum momento ela manifestou ser menor de idade."
O ex-delegado geral do Pará, Raimundo Benassuly, dizendo que, em sua opinião, a jovem que foi presa em uma carceragem do Pará com outros 20 homens, tem debilidade mental. (27/11/2007)

“Ela sofreu abuso, mas não foi na dimensão em que está sendo divulgado. Não aconteceu todos os dias, com vários presos.” A delegada que investiga o caso da menina, Liane Martins, 'tranquilizando' a nação. (05/11/2007)

Ah, e é claro...

“Relaxa e goza porque você vai esquecer dos transtornos.” A ministra do Turismo, Marta Suplicy, sugerindo aos passageiros enfrentar as dificuldades nos aeroportos do país com um velho ditado. (13/06/2007)

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Só um não basta!

Dados do Serviço de Arquivo Médico e Estatística, do único hospital, no Pará, que possui referência no Centro de Tratamento de Queimados, o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), afirmam que 66% dos atendimentos realizados de janeiro a setembro de 2007 foram em crianças menores de 14 anos.

As crianças são as maiores vítimas dos acidentes com queimaduras. O agente causador mais comum é o líquido quente com 124 casos, seguida por líquido inflamável com 57 casos. Quanto ao grau de queimaduras, identificou-se no período, 249 lesões de 2º grau e 58 lesões de 3º grau. Acrescenta-se ainda que a maioria das crianças tinha lesões combinadas dos três graus de queimaduras.

Mas foi constatado ainda, que o CTQ atende pacientes de todos os municípios do interior, por isso lideram as estatísticas, com 78% de participação no número de pacientes. Como pode um estado do tamanho do Pará, não ter no mínimo, mais um ou dois hospitais que sejam referência no tratamento de queimados?

Conversando com a Coordenadora do Centro de Tratamento de Queimados do HMUE, Dra. Leila Resegue, que também é funcionária da Secretaria de Saúde do Estado, fui informado de que já foi aprovado a criação de um hospital, no interior do Pará, que seja referência no assunto, mas a demora ocorreria, devido a não acharem um local que seja de fácil acesso ao maior número de muncípios possíveis.

Mas enquanto não resolvem essa problemática, casos como o do menino Arielson Braga de Melo, de apenas 3 anos de idade, voltarão a acontecer. A criança veio de Altamira, oeste do Pará, para Belém, e passou quase três horas sob forte calor, dentro de um carro à porta de entrada do HMUE sem receber nenhum atendimento.

A criança que teve queimaduras em 80% do corpo, conseguiu vir a Belém, após o Prefeito da cidade ter conseguido que um avião o trouxesse, mas não garantiu a sua vaga no hospital, em Belém.

Segundo a assessoria de Comunicação do Hospital Metropolitano, o menino não foi recebido porque não estava referenciado para Tratamento Fora de Domicílio (TFD), e que também não houve comunicação do hospital de Altamira com o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital, que tem 20 leitos ocupados e um excedente de 18 pacientes com queimaduras no setor de emergência, que não é o local adequado para esses pacientes.

E agora, Governadora Ana Júlia e Secretário Halmélio Sobral, o que vocês farão a respeito disso? Esperarão que esse assunto ganhe repercussão na mídia nacional, como o caso da prisão da menina de 15 anos, para que seja feito algo? Vamos se mexer!

domingo, 25 de novembro de 2007

Ninguém aprende!

Mais um caso de uma mulher presa em uma cela com homens, em Abaetetuba, no Pará, foi confirmado confirmado no sábado (24). A mulher se envolveu em uma briga de família e foi levada para a carceragem da delegacia, mesmo local onde uma adolescente ficou presa numa cela com 20 homens e relatou ter sofrido violência sexual.

A nossa (des)preparada governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), publicou na sexta-feira (23) um decreto impedindo que mulheres e adolescentes sejam presos em celas com homens. A medida já é prevista na Lei de Execuções Penais e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O problema é que só assim vemos o quão mal amparados estamos! Na semana passada, a governadora afirmou, em uma entrevista para o Jornal da Globo, na quinta-feira (22), que "todas as delegacias que possamos inaugurar tenham local adequado para a prisão de mulheres e crianças!"

"Muita calma nessa hora, Dona Ana Júlia!", disse a Agência UNAMA, que em expediente à CCS (assessoria do Governo do Estado) esclareceu que de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente não cabe, em nenhuma hipótese, a prisão de crianças.

O meu medo cabe ao que ainda pode vir, nestes três anos de governo que restam...por que motivo de piada já somos!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Com ou sem manteiga?

Nenhum parlamentar repercutiu, ontem, na Assembléia Legislativa, a denúncia da deputada Regina Barata sobre desvios de cerca de R$ 6 milhões, durante a gestão de Mário Couto, na AL. O atual presidente, Domingos Juvenil, decidiu mandar apurar o caso. Já existe até um movimento no sentido de instaurar a CPI da Tapioca, para apurar todas as irregularidades do período tucano, com ênfase para os gastos milionários com a compra de tapioca com notas fiscais de empresa cujo proprietário é marido de uma funcionária do setor financeiro da AL, prima de um deputado.

***Nota da coluna "Repórter Diário", do jornal Diário do Pará (23/11/07)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Memórias de um cárcere


O Conselho Tutelar de Abaetetuba, município localizado à 80km de Belém, denunciou na segunda-feira (19) ao Ministério Público e ao Juizado da Infância e da Adolescência, o caso de uma garota de 15 anos que ficou presa na delegacia do município, com cerca de 20 homens durante um mês.

Segundo informações da assessoria da Polícia Civil, ela foi presa por furto de um eletrodoméstico, para compra de drogas. E após chegar à delegacia, os policiais constataram que ela estava sem carteira de identidade, o que explicaria, segundo eles, a possibilidade de ela ser maior de idade, e por isso terem colocado-lá em uma cela masculina - prática considerada comum naquela região, devido a não haver carceragem feminina.

Mas, um fato que me chamou a atenção, e que na minha opinião, os veículos de imprensa não se atentaram em perguntar aos responsáveis, foi que segundo a Polícia Civil, ela já teria duas passagens pela polícia por roubo. E aí? Faltou apuração? Se ela já tiver mesmo passagem pela delegacia, é óbvio que foi feito um Termo Circustancial de Ocorrência (TCO) pelos crimes, o que implicaria em já haver a identificação da garota.

Mas o que teria acontecido, para terem pulado essa apuração, algo básico em uma ocorrência? A adolescente já fez exame de conjunção carnal, para verificar se houve ou não abuso sexual - apesar de os próprios presos já terem afirmado que ela manteve relações sexuais, enquanto esteve reclusa - o que não é difícil de imaginar.

Enquanto isso, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup), informou que ao tomar conhecimento do fato, de imediato, determinou, através de ordem de serviço, que as corregedorias da Polícia Civil e do Sistema Penitenciário do Pará dessem início ao procedimento disciplinar para apurar, responsabilizar e corrigir de imediato as distorções encontradas.

Ou seja, mais uma vez haverá uma interdição tardia, em casos que podiam ser resolvidos com providências da Segup, Ministério Público e Poder Judiciário. Este governo pode até não compactuar com práticas ilegais, mas deve se atentar aos problemas, que para uns são tão comuns, e que na verdade, não poderiam ocorrer com tanta naturalidade.

Não acredito que qualquer orgão do Governo não tenha recebido denúncias sobre não haver carceragem feminina, em Abaetetuba. Se bem, que essas denúncias podem até ter existido, mas na verdade, devem ter sido anotadas e arquivadas na última gaveta, da sala de um prédio público sem circulação. Talvez, por não ter sido considerada prioridade. Deu no que deu.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Por um pedaço de chão


"Uma onda de conflitos agrários e um surto de banditismo ameaçam interromper o desenvolvimento da economia no sul do Pará, vinte e cinco Fazendas já foram invadidas. Vinte delas, ainda estão ocupadas e oito destruídas.

A justiça concedeu mandatos de reintegração de posse a nove fazendeiros. nenhum deles foi cumprido, porque a Governadora Ana Júlia Carepa, do PT, editou uma portaia proibindo a polícia de interir nos conflitos agrários.

Pasmem, mas é isso mesmo. A medida define esses casos como "conflitos sociais" e estabelece que devem ser dirimidos exclusivamente por uma delegacia de assuntos fundiários, que funciona a 350 quilômetros da área convulsionada, uma distância maior do que a que separa Salvador de Aracaju.

A decisão da governadora beneficiou não só os sem-terra, como também três qaudrilhas de malfeitores que aterrorizam aquela região. Esses bandidos invadem fazendas e cobram resgate de seus proprietários. Quando não recebem o dinheiro, matam animais, queimam pastos e arruinam edificações. Por esses motivos, o Pará da Governadora Ana Júlia é uma terra sem lei."

***Trechos da matéria "Faroeste no Pará", da revista Veja - 7 de novembro.

domingo, 11 de novembro de 2007

Direito à infância, já!


Mesmo com um gigantesco trabalho de milhares de pessoas, dezenas de empresas e com algumas políticas governamentais, ainda é muito grande o número de crianças ocupadas em todo o Brasil, são mais de 5 milhões. A região Norte, principalmente o Estado do Pará, detém um contingente expressivo de crianças que trabalham.

Quem afirma isso, é o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos (Dieese-PA), em conjunto com os Indicadores Sociais do IBGE/2006, que confirmam esta dura realidade. As causas desta tragédia, são as mais variadas possíveis, entre as quais o desemprego dos pais, a renda pífia e a exclusão social.

O estudo sobre o Trabalho de Crianças e Adolescentes no Estado do Pará e na Região Norte, mostra que há na capital, 36.770 crianças e adolescentes de 05 a 17 anos ocupadas , equivalente a 11,69 % do total de crianças e adolescentes ocupadas em todo o Estado, com a seguinte distribuição por faixa etária:

- Com idade entre 5 a 9 anos, temos 2.464 crianças ocupadas, este numero representa 8,61%.
- Com idade entre 10 a 15 anos, estão ocupadas 18.210 crianças, que corresponde 10,84%.
- Com idade entre 16 e 17 anos, estão ocupados 20.665 adolescentes, que corresponde a 10,51%.

Portanto, apenas as crianças com idade entre 5 a 15 anos, somam 20.665 espalhadas pela cidade, representando 10,51%. A maioria dessas crianças trabalha sem nenhum tipo de remuneração, distribuídas entre o trabalho doméstico, trabalho por conta própria e para o próprio consumo.

O Estatuto da Criança e do Adolescente decreta no Art. 5º, que nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

Mais adiante, o Art. 7º sanciona que toda criança e adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. Mas que condições seriam essas, onde as pesquisas comprovam o que todo mundo já sabia?

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca-Emaús)

Armações ilimitadas


O padre Manoel Silva Lima, um dos párocos da Igreja Católica do município de Jacareacanga, sudoeste do Estado, registrou ocorrência de chantagem na delegacia de polícia de Itaituba. Ele se diz vítima de uma armação arquitetada pelo prefeito de Jacareacanga, Carlos Augusto Veiga. Segundo a versão do padre, ele fez amizade com um rapaz de prenome Wellington, que o visitou na paróquia e periodicamente passou a freqüentar sua casa.

O padre afirma que o rapaz o convidou para uma relação mais íntima. Como a 'amizade' prosperou, eles combinaram de se encontrar em um hotel da cidade de Itaituba. O padre acabou aceitando o convite e foi para um apartamento no Juliana Park Hotel.

Ainda conforme a versão do pároco, o rapaz lhe deu uma bebida forte, uma espécie de 'boa noite cinderela'. O encontro amoroso foi filmado por funcionários da assessoria de Comunicação da Prefeitura de Jacareacanga.

Três dias depois do episódio, um dos assessores de Comunicação da Prefeitura, Paulo César Figueira, também conhecido como 'Paulete', teria chamado o vigário dizendo que tinha provas suficientes para destruí-lo e obrigá-lo a sair imediatamente da cidade.

Depois, 'Paulete' convidou o padre a acompanhá-lo até seu apartamento, localizado na casa onde funciona a assessoria de Comunicação da Prefeitura de Jacareacanga, onde o religioso assistiu os atos libidinosos entre ele e o rapaz de prenome Wellington.Com a prova em mãos, 'Paulete' teria exigido que o padre abandonasse a cidade, ameaçando divulgar as imagens na imprensa local.

Ainda de acordo com padre, a trama foi arquitetada pelo prefeito de Jacareacanga, Carlos Veiga, que 'mandou seus assessores de Comunicação me escandalizar junto à opinião pública'. O padre se diz perseguido pelo grupo do prefeito por fazer críticas contra sua administração. Infelizmente, caí na armadilha', disse o pároco.

Em 2006, ele procurou o Ministério Público Federal, dizendo-se ameaçado pelo prefeito Carlos Veiga. O padre já entregou o cargo na igreja de Jacareacanga e aguarda decisão de seus superiores, em Santarém.

***Enquete: O padre deve sair ou não da cidade?

sábado, 10 de novembro de 2007

A melhor profissão do mundo

Gael García Márquez; escritor colombiano, jornalista e ativista político.

"Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a papitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja dissposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Impunidade na terra sem lei


Carla Ferreira; Diário do Pará

"Um entre muitos. A atuação da justiça na apuração da morte de Dorothy Stang é considerada um exemplo a ser seguido na história de casos de conflitos agrários no Estado. Em 10 anos, de 1994 até 2004, foram registrados pela Comissão Pastoral da Terra, 837 conflitos, 173 assassinatos e 501 ameaças de morte.

Do total, poucos casos são elucidados, apenas 13 pistoleiros chegaram à condenação e cinco deles foram presos. Em relação aos mandantes, o número é menos expressivo, cinco fazendeiros foram condenados e apenas um está preso.

De acordo com o advogado da Família Stang, José Roberto, os crimes são incentivados pela impunidade. 'Por trás das mortes existem fazendeiros influentes, que impedem a realização dos processos', disse.

Para se ter uma idéia em 2005, das 100 ações em tramite na justiça, 50% não há mais como condenar os acusados, exemplificou o advogado. Roberto destaca o fato de que 54% das terras do Pará estão em situação irregular, ou seja, são terras devolutas, que se pode apropriar com documentos irregulares.

Ronaldo destaca que na Região existe a necessita de vários investimentos para que se garanta o desenvolvimento da cidade. 'Precisamos de energia, de mais educação, estradas, de saúde e créditos, tanto para a moradia quanto para os negócios', explicou."

terça-feira, 23 de outubro de 2007

"...fica pra próxima, beleza?"


O sinal mal fica vermelho. Um, ou dois garotos começam a fazer malabarismos no meio da faixa de pedestres. Às vezes você nem presta atenção, ou até presta, mas cuidadosamente, para não ser pego pela criança, apreciando o seu trabalho, se não terá que ficar na obrigação de uns trocados. Logo, remexe o painel do carro, para ver se encontra algumas moedas - mas, isso quando se dá o trabalho de procurar.

Em uma noção cronometrada para que o sinal não abra, os meninos passam pelos carros numa tentativa de terem o seu trabalho reconhecido, comprarem comida, ou um tubo de cola - que algumas vezes, no pensamento deles, é indispensável para quem vive nas ruas.

Ok, mas e aí? Se eu tô falando que há grandes possibilidades de esses meninos comprarem drogas, o certo seria aproveitar o vidro levantado da janela do carro e ignorá-los, ou usar a velha desculpa: "Hoje tá difícil, fica pra próxima, beleza?" (Como se a vida deles já não fosse difícil o suficiente!)

Estou levantando essa questão, pois recentemente assisti o documentário Ônibus 174, de José Padilha. Durante 150 minutos, é reconstruída a trajetória de Sandro do Nascimento, que sequestrou o ônibus 174 em 12 de junho de 2000, e transformou a vida de todos os passageiros em um verdadeiro inferno.

O filme é excepcional, pois não romantiza o bandido, como no caso de Cidade de Deus, e muito menos, esculacha o crime, como o polêmico Tropa de Elite. O caso serve como reflexão para o filme, que vê todos os lados da história, construindo um triste reflexo da realidade da nossa sociedade em geral.

Foram utilizadas imagens do começo da ação dentro do ônibus, até a saída do sequestrados, feitas pela emissoras de televisão que cercavam o local; intercaladas com relatos de passageiros do ônibus, integrantes do BOPE (faca na caveira nesse dia...literalmente!), que participaram da ação, agentes sociais, familiares e amigos de rua de Sandro.

O ponto forte do documentário, foi a dinâmica de explorar todos os lados, mostrando a quem estiver assintindo que esse é um verdadeiro manual de funcionamento da questão social brasileira.

Eis que surge Sandro do Nascimento, mais uma vítima do descaso social, que poderia ser qualquer um desses garotos que foram citados no começo do texto. Aos seis anos, ele presenciou a mãe grávida ser morta a facadas por ladrões. Dois anos depois, fugiu da casa da tia e se tornou um menino de rua (a tia não insistiu em procurá-lo). Agora imaginem uma criança de oito anos enfrentando as dificuldades de morar na rua. è vidente que ele deve ter criado uma maturidade inevitável e desnecessária para a sua idade.

Em 1993, sobreviveu a chacina de meninos de rua, que dormiam em baixo das marquises da Igreja da Candelária. Viciou-se em drogas, e participou de assaltos para continuar cheirando pó. Chegou a ser internado em instituições para menores, como a Febem. Saindo de lá, foi adotado por uma mulher na favela Nova Holanda. Já maior de idade, chegou a ser preso, mas fugiu várias, e uma dessas fugas culminou no sequestro do ônibus da linha 174.

Detalhe, em um momento íntimo do filme, essa tardia mãe adotiva, que o abrigou na juventude, fala sobre o sonho de Sandro: ficar famoso. Não é possível justificar crimes como o de Sandro, nem falando das agressões que sofreu da sociedade. Mas é possível analisar a violência no contexto social em que ocorre, pois ele nunca teve oportunidades na vida, até ser adotado. Por isso, o diretor do filme afirma que a identidade deSandro estaria no reconhecimento de sua imagem pela mídia. A celebridade lhe daria cidadania. Deu-lhe a morte.

domingo, 23 de setembro de 2007

Essa festa deveria ser muito boa...

Matéria publicado no Portal ORM, de domingo (23):

"O valor de dois reais foi suficiente para motivar um homem a matar dois rapazes a facadas em Breves, na Ilha do Marajó, neste final de semana. O duplo homicídio ocorreu no centro da cidade, em frente a uma danceteria onde iria ocorrer um show de tecnobrega, na noite de sábado (22).

O crime ocorreu por volta das 22 horas. Os amigos Evandro de Oliveira Prata, de 20 anos e P.C.N., de 16 anos foram abordados pelo suspeito identificado apenas como 'Júnior' na frente da danceteria 'Papi', no centro da cidade. Era grande a movimentação no local, por conta de um show que iria ocorrer na boate, de uma banda de tecnobrega.

Segundo testemunhas, o acusado insitiu que os dois amigos entregassem R$2,00, valor que faltava para que 'Júnior' comprasse o ingresso para a festa. Ambos recusaram, o que teria revoltado o acusado. Ele agarrou Evandro e puxou uma faca, atravessando a arma pelas costas da vítima e matando o jovem na hora.

Assustado, o amigo menor de idade tentou fugir, mas foi perseguido a pé por 'Júnior', que desferiu um golpe pelas costas, na altura do coração, sem dar chances para a vítima.O ataque provocou grande tumulto na frente da boate, com jovens correndo e muita gritaria. 'Júnior' aproveitou a confusão para fugir.

Uma equipe de policiais estava no local no momento do crime, mas não conseguiu capturar o acusado."

****Esse caso, e outros sob circustâncias parecidas, me fizeram refletir sobre o valor da vida como uma dádiva e missão, algo muito bem explicado em um trecho do livro "O caçador de pipas", de Khaled Hosseini.

Entenda: "Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente uma variação do roubo. (...)Quando você mata um homem, está roubando uma vida. Está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai...".

domingo, 16 de setembro de 2007

Sonegação fiscal à corrupção ativa



*Clique na imagem para ampliá-la.

Mais uma história comovente


"O menu de tópicos, o título “Madeleine” entre as “Notícias da Grã-Bretanha” e as “Notícias do Mundo”. A história cresceu tanto que mereceu uma categoria só para ela, com a mesma importância das notícias de política ou economia. Não há, obviamente, necessidade alguma de fornecer um sobrenome ou qualquer outro detalhe: Madeleine refere-se a algo que se está convertendo, sem dúvida, na maior reportagem com apelo humano da década. O pior, é que de vítimas, os pais passaram à condição de suspeitos do desaparecimento da filha."

De Jonathan Freedland em O Estado de S. Paulo.

Agora, imagine se os culpados forem mesmo os pais de Madeline, que conseguiram angariar mais de três milhões de libras, através de campanhas para encontrá-la. No domingo (16), o empresário britânico, dono do grupo Virgin, Richard Branson, anunciou que doará 100 mil libras (mais de R$ 380 mil) à criação de um fundo destinado a ajudar nas buscas.

Êpa, acho que chega de dinheiro não é? Já está a parecendo que os pais das menina se meteram em algo que já não podem controlar - explicado como o poder da mídia. Espero que a menina seja achada, e não que tenha sido assassinada, ao que tudo indica. Mas espero também, que essa família saiba investir todo esse dinheiro recolhido, para ações que apóiem movimentos por crianças perdidas.

Afinal, ainda que os dados existentes sobre crianças desaparecidas em todo o Estado do Pará sejam pouco consistentes, o aumento no número de processos abraçados pelos orgão competentes, em Belém, reflete o agravamento do quadro no Estado e sugere a falta de políticas públicas voltadas para esta questão da infância e da adolescência.

A pergunta que agora deve ser questionada é a seguinte: por que esperamos que algo assim aconteça, para fazer parte de um trabalho tão importante como este; seria o ritmo acelerado em que vivemos, que não nós permite ter tempo, ou a falta de credibilidade de que podemos fazer alguma coisa?

domingo, 26 de agosto de 2007

"Eu não sei quem errou"

Em entrevista exclusiva ao jornal Estadão, no domingo (26), o Presidente Lula foi encurralado com alguns questionamentos, e acabou deixando transparecer que não é está tão perdido como muitos pensam, e que sabe sim, quem saõ os culpados pelos atos corruptos no seu governo. Mas é claro, não revelou nomes. Leia abaixo:

O que ficou da investigação do mensalão, no seu primeiro mandato?
Ficou o seguinte: quem erra paga. (...) Tem gente que acha que isso é um trauma. Para mim, não. Para mim, isso é um canal de desobstrução da democracia brasileira.

Quem errou, presidente?
Eu não sei quem errou.

O PT errou?
O PT não errou. Eu acho que pessoas do PT podem ter errado.

O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) errou?
Não me perguntem, eu não sou juiz. Eu acho que quem errou pagará pelo erro que cometeu. Agora, o que eu quero para mim, para os meus amigos e para os meus adversários é que todos tenham direito à defesa.

Até hoje, o sr. não disse quem o traiu.
Nem vou dizer. Porque não é necessário. O PT não merecia passar pelo que passou. E isso faz parte da história contemporânea do País. Não faz parte do passado, não.

leia na íntegra a entrevista

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Precisa-se de professor

Nesta segunda-feira (20), o jornal Diário do Pará trouxe a seguinte manchete: "Ensino médio ameaçado de 'apagão'. " Veja abaixo a situação do nosso Estado e do resto do país - que não é nenhma novidade -, mas que lhe ajudará a argumentar, quando defenderem erroneamente investimentos mal planejados em infra-estrutura, como no PAC; deixando prioridades, como educação e saúde, às moscas.

A reportagem é de Carla Ferreira.

"Relatório da Câmara da Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), com base na pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC), afirma que o Brasil pode viver um “apagão do ensino médio” nos próximos anos.

A estimativa aponta a necessidade de algo em torno de 235 mil professores no nível de ensino básico em todo o país. No Pará, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sintepp), 26 mil professores trabalham na educação nas redes públicas municipal e estadual e, de acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), é necessária a contratação de 12 mil novos professores para suprir toda a demanda existente.

O estudo aponta um déficit maior nas áreas de Física, Química, Biologia e Matemática - estima-se a necessidade de 55 mil professores de Física, sendo que de 1990 a 2001 as licenciaturas da área só formaram 7.216 educadores.

Dados de 2003 revelam que apenas 30% da população entre 25 e 64 anos havia concluído ao menos a etapa final da educação básica, enquanto a Alemanha forma 83% e o Chile 49%.Além da questão quantitativa, outro problema a ser enfrentado no ensino médio, de acordo com o CNE, é a formação dos professores.

As únicas áreas em que mais de 50% dos professores têm licenciatura na disciplina ministrada são Língua Portuguesa, Biologia e Educação Física.

Segundo o Conselho, as causa são a falta de investimento na educação - o Brasil investe só US$ 1.008 por aluno nessa etapa de ensino, enquanto a Argentina investe US$ 2.378. Além do problema salarial, o baixo interesse pela carreira docente é conseqüência das condições inadequadas de ensino, da violência nas escolas e da falta de um plano de carreira.

Anos e anos de luta marcam o ensino brasileiro, segundo o coordenador do Sintepp, Eloy Borges. “Há um déficit muito grande na educação e não é só de professores, mas também de investimentos e estímulos para seguir a carreira. No Pará, um professor ganha em média R$ 500 por mês”, disse.

Em 2003, foi lançado o livro “Ensino Médio: Múltiplas Vozes”, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco) no Brasil em parceria com o Ministério da Educação (MEC).

Foi a maior pesquisa do ensino médio já realizada, abrangendo 13 capitais brasileiras: Rio Branco, Macapá, Belém, Teresina, Maceió, Salvador, Cuiabá, Goiânia, Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

É nessa pesquisa que se começa a esmiuçar as desigualdades sociais e a heterogeneidade das situações entre as capitais brasileiras, ou seja, a situação do ensino médio no país inteiro.

Verificou-se que quanto ao perfil do professor a maioria - cerca de 60% dos pesquisados -, encontra-se na faixa etária entre 30 a 49 anos, sendo que apenas 21% têm menos de 29 anos. Na maioria das capitais pesquisadas os professores se declaram insatisfeitos com o salário, índice maior entre os que trabalham em escolas públicas.

Alguns não conseguem nem ter computador em casa - há lugares que este total é em torno de 40%. Em 30% dos casos o professor não tem acesso a computador no próprio estabelecimento de ensino, caracterizando a exclusão digital.

Os professores da rede pública são os menos privilegiados: as percentagens de docentes que admitem não dominar a informática variam, dependendo da capital, de 24,6% a 7,2% nas escolas públicas e 7,7% a 1,2% nas escolas privadas."

sábado, 11 de agosto de 2007

Inocência Roubada

Saiu no jornal O Liberal, desta sexta-feira (11):

"Pará é o 4º Estado que mais usa o Disque Denúncia 100 para fazer denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes

A pesquisa divulgada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos aponta o Pará como o quarto Estado brasileiro em número de denúncias contra abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.

Conhecido como Disque Denúncia 100, o serviço recebe denúncias de violência contra menores em todo Brasil. As acusações são classificadas por categoria, como exploração sexual comercial, pornografia, negligência, abuso sexual, violência física e psicológica e tráfico de pessoas (independentemente da idade da vítima).

Entre as cidades paraenses, Belém se destaca com o maior número de denúncias. Os registros apurados entre 2003 e agosto de 2007 indicam 1.039 acusações, o que representa mais de 60% das ligações do Estado.

Conforme os dados da Secretaria Especial de Direitos Humanos, a violência física e psicológica, seguida da negligência, são as categorias com maiores números de denúncias na capital. Juntas, representam mais de 700 registros, seguidos de 149 ocorrências de abuso sexual e 115 casos de exploração sexual comercial."

Mas a verdade, é que a maioria dessas covardias acontecem dentro de casa, ou seja, cometidas pelos próprios familiares. Na realidade, a denúncia chega a ser feita e o inquérito instaurado, mas a demora na burocracia brasileira faz com que essas queixas sejam retiradas, e com isso, os culpados não sejam punidos.

Basta conciliar os números de queixas, com o números de culpados postos na cadeia, para ver a discrepância evidente. Não basta denunciar, tem que ter coragem e seguir em frente.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Extra Mainardi, Extra!


Mostrarei aqui mais uma entrevista interessante, no melhor estilo "nonsense" . Os créditos são para o blog A Nova Corja, que tiveram a ousadia e a irreverente oportunidade de entrar na mente sã do jornalista inimigo nº 1 do nosso tímido Presidente Lula, Diogo Mainardi.

Diogo Mainardi passou despertar ódio e maior atenção a partir dos ataques desferidos contra Lula e as maracutaias petistas, através de sua coluna na Revista Veja, mantida desde 1999.

Todos o acusavam de direitista maluco. Calaram-se - ou, pelo menos, perderam a credibilidade - depois que a crise política de 2005 mostrou que Mainardi estava certo em boa parte de suas críticas.

Mainardi não conseguiu derrubar Lula, mas contribuiu bastante para desmontar a ilusão petista. Já é muito. Temos que agradecer. Mas, atenção! Não afirmo que ele seja um herói, ou mereça o prêmio ESSO, apenas aprecio a sua forma contrária aos rumos que a sociedade está tomando, mesmo que seja com arrogância e ironia, fica à mostra um elaborado esforço da massa cinzenta...

A Nova Corja: É verdade que você desmaiou depois de presenciar uma cena repugnante durante um jantar na casa de Danuza Leão? O que realmente aconteceu?
Mainardi: Repugnante? Como ousa? Foi uma cena épica. Há testemunhas. Danuza escorregou e caiu no chão. Na queda, luxou o cotovelo. Já sofri mais de dez luxações fazendo esporte. Dói para burro. Quando vi o braço desconjuntado da Danuza, minha pressão arterial zerou. Como uma mocinha, desmaiei no elevador. Segundo minha mulher, soltei também um gemido, mas desconfio que seja mentira dela só para me envergonhar. O fato é que tento roubar a cena até mesmo no acidente dos outros.

A Nova Corja: Você enfrenta mais de oitenta processos individuais num tribunal do Acre por ter dito em maio, durante o programa Manhattan Connection, que o Estado não vale um pangaré. Você não superestimou o valor do pangaré?
Mainardi: Consultando o site do tribunal do Acre, descobri que, na verdade, enfrento cento e quarenta processos. Eu nem sabia que o Acre tinha internet.

A Nova Corja: A crise moral dos políticos brasileiros não seria o ápice do regime representativo do país? A demência comportamental do Executivo, Legislativo e Judiciário não reflete o caráter geral do brasileiro?
Mainardi: Pergunto-me apenas se é o ápice. No caso do Brasil, sempre dá para piorar.

A Nova Corja: A herança patrimonialista do Brasil não está mais enraizada do que se percebe quando essa reverência que os políticos acreditam merecer fica latente com a leniência da sociedade em relação a todas as denúncias de corrupção, não só as do PT, mas de toda a classe política?
Mainardi: Fiz quatro romances. O tema de todos eles é a servidão voluntária. Não conheço nada mais autenticamente brasileiro - e genuinamente cômico - do que isso.

A Nova Corja: Gostam de te chamar de parajornalista, mas como você costuma deixar claro, as informações publicadas na sua coluna estão à disposição do público. Sem entrar na questão do fetiche do diploma, o que você faz é o trabalho básico de um repórter, que aprofunda as informações ao invés de copiar e colar as notícias das agências. O verdadeiro parajornalismo não seria o praticado nas redações brasileiras?
Mainardi: Já não posso mais me vangloriar de ser um parajornalista. Estou meio institucionalizado. Quando percebi que os oposicionistas não tinham a menor intenção de derrubar Lula, passei a buscar notícias por conta própria. E encontrei um montão. Agora mesmo estou fuçando a vida de uns publicitários que trabalham para o governo. Não sou repórter. Não sei fazer reportagem. Mas a notoriedade da coluna abriu muitas portas.

A Nova Corja: Severino Cavalcanti (PP/ PE) foi derrubado uma semana depois de ofender o jornalista e deputado Fernando Gabeira (PV/ RJ) com documentos e investigações prontas. Em uma entrevista que deu quando assumiu a presidência da Câmara, Severino disse que "parte dos deputados recebiam por fora" para votar a favor do governo. Em maio de 2005, o mensalão veio à tona. Fica difícil crer que os setoristas de Brasília descubram essas informações às vésperas da publicação. Você mesmo cansou de publicar denúncias que mais tarde foram confirmadas por outros veículos. O que acontece? A mídia brasileira tem uma agenda secreta?
Mainardi: A agenda nem é tão secreta assim. Estou sendo processado por inúmeros jornalistas. Eles se sentem caluniados porque revelo para quem eles trabalham. Só jornalistas maricas processam outros jornalistas. Um jornalista que se preze responde a um artigo com outro artigo.

A Nova Corja: Por que a Veja não assume a preferência por um determinado candidato ou partido - como é comum na imprensa americana, cujo modelo jornalístico a revista segue - e que tem acontecido em publicações brasileiras como o Estado de S. Paulo e a Carta Capital?
Mainardi: Eu assumi minha preferência: derrubar Lula. Em primeiro lugar, com o impeachment. Como não deu certo, voto em Alckmin.

domingo, 29 de julho de 2007

"Absolutamente compatível"

Veja abaixo alguns trechos da entrevista realizada pelo site G1, com a nossa má assessorada governadora Ana Júlia Carepa:

G1 - Isso [o fato de "ter se estrepadado durante a campanha" e ainda estar mancando] prejudica as questões da administração?
Ana Júlia - Não, quem se prejudica sou eu, minha saúde. Mas eu vou cuidar dela... Eu tenho que cuidar da perna, fazer fisioterapia. O que é uma coisa chata é que às vezes as pessoas não entendem que não tenho tempo de receber as pessoas, tenho duas horas de fisioterapia por dia.

(...)

G1 - Mas a sra. sempre criticou Jader Barbalho [de quem recebeu apoio na campanha eleitoral]...
Ana Júlia - Ele foi o deputado federal mais votado do Pará, entendeu? Ele é que resolveu nos apoiar, não fui eu que fui apóiá-lo. É uma grande diferença.

(...)

G1 - A sra. tem também um ex-marido e um ex-cunhado como secretários no governo. São pessoas técnicas, capacitadas para os cargos?
Ana Júlia - Além de técnicos e capacitados, são militantes políticos. Alguém que é militante, que é capacitado, competente, preparado e que ajudou a construir esse projeto político, essa pessoa tem de ser discriminada porque há 10 anos foi casada comigo? Por quê? E tem mais: isso não é considerado nepotismo. O Ministério Público nem considera isso nepotismo.

(...)

G1 - Mas houve questionamento no caso do seu irmão, não?
Ana Júlia - É, mas um cargo no terceiro escalão... Bom, eles (oposição) falaram de ex-marido... Enfim... Eles queriam que eu colocasse quem, um militante do PSDB? Não, né? Meu irmão nem estava lá pela minha recomendação. (...) Mas dizer que é nepotismo? Eu considero isso mais uma vez uma tentativa de queimação, preconceito, uma visão preconceituosa, machista, porque eu sou mulher e de esquerda. Porque senão todo mundo ia achar normal.

(...)

G1 - A sra. mora numa casa alugada, embora exista uma residência oficial. A sra. teve de reformar a residência oficial?
Ana Júlia - Não foi reformada. Ela [a residência oficial] precisaria de muita reforma. E eu, como governadora, tenho direito de morar onde eu quiser, e o estado tem de garantir condições para que eu more.

(...)

G1 - Mas, e o valor do aluguel?
Ana Júlia - R$ 5 mil? Uma casa de R$ 5 mil. Barato. Absolutamente compatível.

Clique aqui e leia, se tiver coragem, a entrevista na íntegra.

Novas cores da bandeira


quarta-feira, 18 de julho de 2007

Crônica de uma tragéda anunciada


Incompetência. Em menos de dez meses, já foram levados à cova pelo menos 342 cadáveres , do vôo 1904 da GOL; e 186 do Airbus da TAM, e mais 12 funcionários em solo. Alguma solução em vista!? Não. Há sim, lamentações em discursos, além de um vergonhoso auxílio às famílias por parte das empresas.

Nunca gostei de viajar de avião. Dizem que é o transporte mais seguro que existe, mas aceito-o apenas pela praticidade. Durante os vôos, as pessoas próximas tentam me acalmar afirmando que só aconteceria algum desastre por erro humano.

Agora concordo, mas não por erro do piloto ou dos controladores, e sim das entidades responsáveis. Há mais de 20 anos, especialistas em pouso já reclamavam da situação da pista, mas ainda assim, foram gastados algo como R$ 530 milhões no embelezamento interno do terminal de passageiros. Isso é prioridade?

As autoridades da Infraero julgaram entre o conforto dos passageiros e a segurança, e consideraram que, com os dias mais secos no inverno, a pista poderia ser utilizada. Deu no que deu...

Não foi a tôa, que todos os grandes jornais que se pretendem de circulação nacional foram direto ao ponto: a pista principal do aeroporto de Congonhas não estava preparada para operações em dias de chuva.

A pista fora inaugurada antes do prazo, sob pressões da opinião pública e das empresas aéreas, sem as ranhuras que deveriam melhorar a aderência dos pneus das aeronaves nos pousos e decolagens.

Seria esse o jeito lulista de (não) governar? Ou "o jeito TAM de voar"?

Por outro lado...

Mas, ao contrário do post anterior, colocarei aqui, as palavras do pai de um jovem de 21 anos que foi preso por dirigir embriagado, que se recusou a pagar a fiança do filho e ficou conhecido pelo Brasil.

"Vamos deixar que ele reflita, na cadeia, sobre o que é melhor para ele. Como pegou o meu carro, amanhã ou depois pode sair pegando o de outras pessoas", disse R.M.

Tá vendo, seu Ludovico?! Não se pode passar a mão na cabeça dos filhos sempre que eles fizerem uma besteira dessas!

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Pai, olha o que eu fiz!



“Nós, pais, não temos culpa disso. Eles cometeram um erro. Essa agressão foi um absurdo e devem pagar por isso. Mas não junto com outros bandidos. São primários e estudam. Foi um deslize na vida deles”.

Vocês conseguem adivinhar quem disse isso? Não, não foi o Renan Calheiros, muito menos o nosso bem-relacionado Presidente Lula. O autor dessa difâmia foi Ludovico Ramalho Bruno. Continuam sem saber quem é? Bom, ele é o pai de um dos jovens acusados de espancar, roubar e humilhar a empregada doméstica, Sirlei Dias Carvalho Pinto, na semana passada, no Rio de Janeiro.

A minha dúvida nesse post, é como um pai pode se inocentar de uma atitude covarde e vergonhosa que o filho tenha se metido e simplesmente passar-lhe a mão na cabeça? É óbvio, que nesta situação, ele é tão culpado quanto o seu filho. Minha adorável mãezinha me ensinou: filho a gente cria para o mundo, mas antes disso uma boa educação é fundamental.

É claro, que isso não explica a falta de caráter dos agressores, afinal a educação e presença dos pais é primordial para a construção sólida de um ser humano. Mas, onde estavam esses pais na hora das lições básicas de amor, cidadania e justiça? De distinguir o que é certo e errado?

Enquanto isso, o pai da vítima, o pedreiro Renato Moreira Carvalho, de 54 anos, visivelmente menos instruído, dá uma aula de educação paternal: “Se Sirlei tivesse feito isso, ou um outro filho, continuaria do lado dela, mas gostaria que ela fosse responsabilizada. Se não pensou direito antes de cometer o erro, tem que pagar por isso. Daria todo o apoio, mas pediria justiça. Ela teria que ser julgada por seu ato.”

Portanto, para você que é pai ou mãe e está lendo esse post, farei um apelo, ou melhor, um alerta: Dedique-se a conhecer os seus filhos e suas companhias. A partir daí, você dará um grande passo na formação moral e social deles, e evitará que casos como possam se repetir.
Quem pede isso é um jovem com a mesma idade dos agressores da empregada doméstica, e também, alguém que conhece uma realidade que é escondida dos pais – até dos mais amigos e confidentes.

Não sei se vocês sabem, mas uma pesquisa da Seju (Secretaria Executiva de Justiça) mostra que o álcool e o cigarro já fazem parte do cotidiano de crianças e adolescentes nas escolas de Belém, e mais ainda, metade dos estudantes belenenses já usaram drogas.

Não pense que casos como o do espancamento da doméstica fogem da nossa realidade. As chances do seu filho conhecer e/ou conviver com alguém que já usou drogas são muito grandes. Fique esperto!

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Hablas español?


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quinta-feira, 21 de junho de 2007

Campanha "Por um Brasil melhor"


Estou confuso. O dicionário teima em me falar que denominamos de juiz, "um cidadão investido de autoridade pública com o poder para exercer a atividade jurisdicional, julgando os conflitos de interesse que são submetidos à sua apreciação", ou seja, não só declara como ordena o que for necessário a tornar efetiva a tutela jurídica.

Certo. Mas, tanto poder não deveria ser melhor distribuído, ou até, menos centralizado em uma única pessoa? Não tiro o mérito dos acadêmicos de direito que estudam durantes 10, 15, 20 anos, almejando em se tornar um juiz ou um desembargador. Mas alguma coisa está errada.

Afinal, isso não facilita que aconteçam casos como o noticiado na terça-feira (19), na capa do jornal O Liberal, onde trazia a seguinte manchete: "Juíza sai da cadeia após seis meses". Até aí tudo bem (???), nada que fugisse da rotina dos jornais - nem das operações da Polícia Federal -, mas ressalto aqui dois pontos: a imagem capaz de vender a notícia e o fato dessa juíza paraense conseguir fraudar quase R$ 90 milhões no cargo de aposentada.

A fotógrafa Shirley Pennaforte conseguiu retratar uma imagem interessante, no momento em que a juíza Maria José Ferreira deixava o Comando dos Corpos de Bombeiros, onde estava "presa" - entre aspas, porque quarto com ar-condicionado e outras regalias não fazem parte de uma realidade dos presídios.

O que me chamou atenção foram todas as informações que atribuí no momento em que vi a imagem. Na foto, Maria José passa um aspecto de deboche, no melhor estilo: "Vocês acharam que eu iria ficar presa por muito tempo?", além de se apresentar como a cara mais lavada do mundo, dizendo as únicas palavras que me incentivaram a escrever esse post: "Sou inocente".

Ei, cadê a ética da magistratura brasileira?Não são eles que devem dar o exemplo? Até o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) criado na tentativa de frear a corrupção que assola o Judiciário - hoje, com dois anos de ação - está com dificuldades para diminuir a participação fraudulenta desses desonrosos representantes.

Talvez vocês estejam achando que eu esteja estereotipando a juíza, portanto, partiremos do princípio de que um juiz brasileiro, aposentado ganha em média R$ 6 mil - fora os benefícios do cargo -, portanto a única explicação que se pode tirar, é que Maria José não se adaptou ao estilo de vida de aposentada e por isso teria tentado fraudar quase R$ 90 milhões de uma conta de um Banco do Brasil de Augusto Corrêa, no Nordeste Paraense.

Ela foi solta para que pudesse responder em liberdade o inquérito policial, já que foi denunciada por estelionato, formação de quadrilha, falsificação de documento particular e falsificação ideológica.

Porque, todo mundo sabe que ela tem que refazer certos "laços de amizades" para não voltar a ser presa - não que isso fosse difícil de fazer enquanto estivesse presa, mas facilita as ações, não é?

Mas sabe que até concordo com ela? Afinal a pobre senhora estava ganhando quase o quíntuplo do que recebia quando estava na ativa.

Por isso, a partir de hoje, iniciarei uma campanha para aumentar os salários dos juízes aposentados. Talvez, essa seja uma alternativa para que casos como o de nossa exemplar autoridade pública deixem de acontecer. Radicalismo? Não, não realismo mesmo... e um pouco de sarcasmo também.

Ainda hoje, irei enviar o meu pedido ao Congresso Nacional. Alguém sabe o e-mail de lá?

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Dudu e Jatene - estamos de olho...

O blog 5ª Emenda do jornalista Juvêncio Arruda publicou uma pesquisa do BMP/Democrata, que perguntou para 850 eleitores, entre os políticos citados, quais eram os mais confiáveis e os mais corruptos. A pesquisa foi feita entre os dias 26/06 e 01/06, em Belém. A margem de erro da pesquisa é de 3,5 pontos percentuais para mais, ou para menos.

Veja ao resultado:

-Os mais honestos

Edmilson Rodrigues 19,80%
Valéria Pires Franco 9,80%
Duciomar Costa 3,90%
Arnaldo Jordy 3,10%
Manoel Pioneiro 2,90%
Simão Jatene 2,60%
José Priante 2,50%
Mário Cardoso 1,50%
Não sabe/indeciso 40,80%
Branco/Nulo/abstenção 13,10%

- Os mais desonestos

Duciomar Costa 19,80%
Simão Jatene 14,50%
Edmilson Rodrigues 8,90%
Manoel Pioneiro 1,40%
José Priante 1,30%
Valéria Pires Franco 1,30%
Mário Cardoso 0,80%
Arnaldo Nordy 0,40%
Não sabe/indeciso 40,20%
Branco/nulo/abstenção 11,40%

E vocês, concordam com os rumos dessa pesquisa?

Um certo Charles Chaplin disse uma vez...


"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está de trás pra freNte. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo pra poder aproveitar a aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho no colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando... e termina tudo com um ótimo orgasmo. Não seria perfeito?"

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Só a PF não resolve



Segundo um levantamento do G1, desde 2003, pelo menos 95 políticos foram presos pela Polícia Federal em operações ou ações isoladas. Dos detidos, 60 estavam no exercício do mandato quando foram presos. Atualmente, a maioria está livre.

Muitos outros políticos estiveram na mira na PF durante as investigações que culminaram nas operações. Mas o foro privilegiado, no caso dos deputados federais, por exemplo, impediu diversas prisões.

Os membros do Congresso (senadores e deputados federais) só podem ser presos em flagrante de crime inafiançável (tortura, tráfico de drogas, terrorismo e todos os crimes definidos como hediondos, como homicídio, latrocínio, estupro, entre outros).

É por isso que, em parte, concordo com o professor de filosofia política e ética da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Roberto Romano. Ele diz que deputados ou senadores deveriam ser impossibilitados de ter este privilégio, pois essa atitude, não é própria de um regime democrático, mas sim de um regime oligárquico ou aristocrático.

Na seção da “Carta ao leitor” da revista Veja, do dia 13 de junho, foi publicado um editorial que exaltava as operações da PF, mas explicava que a tarefa de quebrar a espinha dorsal da corrupção não podia ser limitada aos seus agentes.

A revista falou ainda que para melhorar a situação do Brasil é preciso que às investigações da polícia se sigam de ações judiciais e de promotoria feitas com igual ímpeto e obstinação. Dessa forma, quem sabe, não sejam presos menos suspeitos e mais culpados sejam condenados.

O nosso popular presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que as investigações sobre corrupção no Brasil realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público 'doem' nos suspeitos, mas que o julgamento separa 'quem é culpado de quem é inocente'. Será verdade, companheiro?

Estréia

Na madrugada de sexta-feira (15) decidi entrar no (sub)mundo da blogesfera. Algo que já havia sendo adiado há tempos, mas que agora percebi que esta poderia ser uma ferramenta de auxílio para certos "causos", que na minha opinião, merecem um destaque melhor, do que o dado em telejornais, impressos e no webjornalismo, além de servir para aprimorar a arte de escrever (recomendação registrada da minha antiga chefe, a quem sou muito grato!).

Buscarei aqui também, elevar o poder de reflexão dos visitantes, já que percebi a carência de críticas sociais, políticas e textos de opinião, na minha geração: a geração da Internet (Orkut, fotologs e messengers).

Nesta minha válvula de escape, temas que abrangem do regional ao mundial serão apresentados, sem a preocupação de estar respeitando a ética jornalística, que ás vezes parece ser deixada de lado, para defender os interesses da empresa de mídia.

Aqui será tratada a nossa realidade, que em pleno século XXI apresenta contrastes marcantes que vão desde antenas parabólicas instaladas em barracos; ao político que após enfrentar investigações da Polícia Federal e CPI's, decide passar férias na Europa com o dinheiro público recebido por esquemas de propina; tudo ali, escancarado na nossa frente.

Alguns de vocês devem estar se perguntando por que "cordel", como nome para o blog, não é? Bom, essa palavra sempre me encantou, apesar de não estar presente no meu cotidiano. A cada vez que escutava-a, tentava arranjar uma explicação para essa exaltação.

Talvez, seja pela linguagem simples, ao qual, o sofrido povo nordestino arranjou para mascarar a miséria e o abandono do poder público; apresentada através de versos melosos e ritmados, que exaltam tradições populares e o folclore nacional, e é claro, com o "jeitinho brasileiro".

Já o resto do título "de uma mente sã", ironiza a velocidade em que vivemos, cobrindo nossas tarefas diárias, implorando por mais algumas horas no dia, deixando-nos à beira da loucura. Mas loucura essa, responsável pelo surtos que caracterizam um verdadeiro "dia de cão", seja no trabalho, na rua, ou em casa. Quem já assistiu ao filme "Um dia de fúria", com Michael Douglas sabe do que estou falando.

É isso, por hoje é só! Mas devido a empolgação da estréia, logo, logo, haverá mais textos aqui... Volte Sempre!