Nesta segunda-feira (20), o jornal
Diário do Pará trouxe a seguinte manchete: "Ensino médio ameaçado de 'apagão'. " Veja abaixo a situação do nosso Estado e do resto do país - que não é nenhma novidade -, mas que lhe ajudará a argumentar, quando defenderem erroneamente investimentos mal planejados em infra-estrutura, como no PAC; deixando prioridades, como educação e saúde, às moscas.
A reportagem é de Carla Ferreira.
"Relatório da Câmara da Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), com base na pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC), afirma que o Brasil pode viver um “apagão do ensino médio” nos próximos anos.
A estimativa aponta a necessidade de algo em torno de 235 mil professores no nível de ensino básico em todo o país. No Pará, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sintepp), 26 mil professores trabalham na educação nas redes públicas municipal e estadual e, de acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), é necessária a contratação de 12 mil novos professores para suprir toda a demanda existente.
O estudo aponta um déficit maior nas áreas de Física, Química, Biologia e Matemática - estima-se a necessidade de 55 mil professores de Física, sendo que de 1990 a 2001 as licenciaturas da área só formaram 7.216 educadores.
Dados de 2003 revelam que apenas 30% da população entre 25 e 64 anos havia concluído ao menos a etapa final da educação básica, enquanto a Alemanha forma 83% e o Chile 49%.Além da questão quantitativa, outro problema a ser enfrentado no ensino médio, de acordo com o CNE, é a formação dos professores.
As únicas áreas em que mais de 50% dos professores têm licenciatura na disciplina ministrada são Língua Portuguesa, Biologia e Educação Física.
Segundo o Conselho, as causa são a falta de investimento na educação - o Brasil investe só US$ 1.008 por aluno nessa etapa de ensino, enquanto a Argentina investe US$ 2.378. Além do problema salarial, o baixo interesse pela carreira docente é conseqüência das condições inadequadas de ensino, da violência nas escolas e da falta de um plano de carreira.
Anos e anos de luta marcam o ensino brasileiro, segundo o coordenador do Sintepp, Eloy Borges. “Há um déficit muito grande na educação e não é só de professores, mas também de investimentos e estímulos para seguir a carreira. No Pará, um professor ganha em média R$ 500 por mês”, disse.
Em 2003, foi lançado o livro “Ensino Médio: Múltiplas Vozes”, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco) no Brasil em parceria com o Ministério da Educação (MEC).
Foi a maior pesquisa do ensino médio já realizada, abrangendo 13 capitais brasileiras: Rio Branco, Macapá, Belém, Teresina, Maceió, Salvador, Cuiabá, Goiânia, Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
É nessa pesquisa que se começa a esmiuçar as desigualdades sociais e a heterogeneidade das situações entre as capitais brasileiras, ou seja, a situação do ensino médio no país inteiro.
Verificou-se que quanto ao perfil do professor a maioria - cerca de 60% dos pesquisados -, encontra-se na faixa etária entre 30 a 49 anos, sendo que apenas 21% têm menos de 29 anos. Na maioria das capitais pesquisadas os professores se declaram insatisfeitos com o salário, índice maior entre os que trabalham em escolas públicas.
Alguns não conseguem nem ter computador em casa - há lugares que este total é em torno de 40%. Em 30% dos casos o professor não tem acesso a computador no próprio estabelecimento de ensino, caracterizando a exclusão digital.
Os professores da rede pública são os menos privilegiados: as percentagens de docentes que admitem não dominar a informática variam, dependendo da capital, de 24,6% a 7,2% nas escolas públicas e 7,7% a 1,2% nas escolas privadas."