
Acho que, na infância, todo mundo gostaria de ter super poderes ou pelo menos ser amigo de um super-herói. Mas, foi depois de grande que percebi a sorte que tinha. Havia um super-herói mais perto do que eu imaginava.
Mal passava pelo portão da casa da Vó Lia e um muleque vinha correndo e se atirava nos meu braços, com a certeza de que eu iria segurá-lo - era o meu primo, Felipinho. Me lembro, que foi com ele que comecei a carregar crianças até o teto, para que elas enxergassem todo mundo do alto, o mundo dos adultos, pelo menos uma vez. O que continuo fazendo, com qualquer criança pequena que conheço, apenas para receber as gargalhadas inocentes e os pedidos de "de novo" - como ele fazia. Mas, sem sombra de dúvidas, o que ele mais gostava era quando eu o fazia voar deitado que nem o super-homem, ou escalar as paredes como o homem-aranha. Ah sim, o Homem-Aranha. Para quem não sabe, ele era o verdadeiro Homem-Aranha (o meu menino-aranha). É verdade, agora já posso fazer essa revelação, já não importa mais manter a sua identidade secreta.
O meu anjinho partiu para uma missão em um lugar bem, bem, bem distante, só para proteger a todos nós. Já se passaram meses e ele ainda não voltou, e começo a desconfiar de que não o veremos tão cedo. Hoje, é aniversário dele, dia 19 de dezembro - ele estaria completando sete anos - , mas não desconfie da pouca idade, quando ele vestia a máscara vermelha, tudo mudava. Ele pulava pelos sofás da sala, como se estivesse enfrentando os arranha-céus de Nova Iorque, lutava com o meu irmão Pedrinho, como se ele fosse o seu mais temido vilão, e quando a mãe dele chegava, após um dia de trabalho, ele abraçava-a como se fosse a sua a amada Mary Jane. Ele era especial, e veio até nós por um motivo especial: nos ensinar a ser fortes, enfrentar uma batalha de cada vez, e nunca, mas nunca, recuar.