segunda-feira, 15 de junho de 2009

A consciência falta, mas o interesse grita

Por Fábio Góis/Congresso em Foco

Aproveitando o do Dia Mundial do Meio Ambiente, organizações não governamentais (ONGs) que lutam pela causa ecológica divulgaram, no dia 5 de junho, uma lista com os “amigos e inimigos” da Amazônia, classificados nas categorias “espécies nativas” e “espécies exóticas”. A relação é o carro-chefe da primeira edição do Prêmio Amigo e Inimigo da Amazônia e foi elaborada pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, entidade que agrega mais de 600 organizações.

A designação das “espécies nativas e exóticas” diz respeito aos deputados e senadores representantes dos estados da Região Amazônica. Entre os amigos “nativos”, estão a senadora Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente e referência mundial na luta pela preservação dos biomas, e o deputado Sarney Filho (PV-MA). As “espécies exóticas” benquistas têm como representantes, entre outros, os senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Cristovam Buarque (PDT-DF).

Já na subcategoria “espécie nativa inimiga” estão os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Kátia Abreu (DEM-TO) – esta, persona non grata por, entre outras credenciais, ser presidente da Confederação Nacional da Agricultura e representante da bancada ruralista no Congresso. Os “inimigos exóticos” são, entre outros, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Valdir Colatto (PMDB-SC) – presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária e, como diz a lista, “autor do projeto de Código Ambiental que revoga o núcleo central da legislação ambiental brasileira”.

Veja a reportagem e a lista na íntegra aqui.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

As hidrelétricas nos rios da Amazônia

Fonte: Pará Negócios
Um dos principais críticos do sistema de geração de energia via hidrelétricas, Glenn Switkes, coordenador da ONG International Rivers, concedeu entrevista por telefone à IHU On-Line para falar do desenvolvimento de projetos de produção de energia na Amazônia. Enfático, o estadunidense aponta impactos sociais e ambientais bastante importantes para a vida daqueles que vivem nas regiões que serão inundadas e que vivem dos rios. “No caso do Rio Madeira, nossos estudos mostram que é bem possível que a espécie que irá dominar os lagos é a das piranhas, que criam situações muito perigosas e de pouca qualidade de alimentação para as populações locais. As inundações, que podem ser uma coisa catastrófica, também irão interromper o caminho de vários nutrientes favoráveis à agricultura”, salienta Glenn.

Jornalista, cineasta e historiador, Glenn Switkes representa a International Rivers na América Latina e vive no Brasil há muitos anos. Tanto que já conhece o problema de grande parte dos nossos rios, principalmente aqueles que serão modificados em função desse projeto de desenvolvimento via construção de hidrelétricas na Amazônia. “Eu acho que a visão de conquistar os rios da Amazônia com a construção de grandes barragens é antiquada, obsoleta, que vem dos anos 1980, ou seja, é uma visão militar de ocupar a Amazônia e transformá-la numa estratégia econômica e política”, critica.
IHU On-Line – Quem defende a construção das hidrelétricas diz que para garantir energia é preciso avançar na Amazônia. Em quanto tempo o Brasil irá sentir as consequências da evolução desses projetos sobre a floresta?
Glenn Switkes – O Brasil está numa situação muito tranquila em termos de energia nesse momento. O consumo de energia está abaixo do nível consumido no ano passado, principalmente devido à recessão econômica. É um momento muito oportuno para o país reorientar seu planejamento energético. Então, primeiro, não há emergências, ninguém está ameaçado a ficar a luz de velas, por isso os projetos não precisam sair “na marra”. Segundo: eu acho que a visão de conquistar os rios da Amazônia com construção de grandes barragens é antiquada, obsoleta, que vem dos anos 1980, ou seja, é uma visão militar de ocupar a Amazônia e transformá-la numa estratégia econômica e política por parte de gente mal intencionada e ignorante, mas principalmente de grandes empreiteiras que querem construir essas barragens de qualquer forma. Sabemos bem o nome delas: Camargo Correa e Andrade Gutierrez, Odebrecht. A política está justificada pelos interesses de quem está empurrando o projeto. Os rios da Amazônia são os corredores da biodiversidade da floresta. Mexendo com isso, o impacto será muito sério na possibilidade de sobrevivência da floresta e dos povos da floresta.
Veja a entrevista na íntegra aqui.