sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Narradores da Amazônia

No Brasil, há 220 países autônomos sendo destruídos. A afirmação é do jornalista gaúcho Felipe Milanez, editor da revista National Geographic Brasil, palestrante convidado do evento “Jornalismo ambiental: os desafios da cobertura jornalística na Amazônia”, realizado nesta quinta-feira (27), no Gasômetro (Parque da Residência). Para ele, no país, se vive um processo rumo ao holocausto se observado o genocídio de povos indígenas e povos tradicionais, temática central do evento.

Milanez destacou que o grande desafio aos jornalistas é convencer editores de que aqui na Amazônia há coisas mais interessantes que os assuntos restritos publicados na grande mídia. “Meu foco hoje é denunciar e alertar sobre o que está sendo destruído no país. Fazer um texto interessante para atingir mais leitores é uma forma de dar um grito”, reforçou o jornalista. “No contato com os índios quando trabalhei na Funai percebi como eles são maltratados pela mídia. A gente os trata como oprimidos e o que se quer é a terra deles”, criticou.

Ele mostrou exemplares da revista Brasil Indígena, impresso que editou quando trabalhou na Funai, com fotos que mostram diversas formas de organização dos povos indígenas, como os Chiquitano e Way-way, e de outros massacrados, que resistem apenas duas ou três pessoas. Do povo Kanoê, por exemplo, sobraram dois, os demais foram dizimados nas décadas de 70 e 80. “Publiquei a matéria Sombras da Selva, na National, que conta a história dos dois índios Piripkura achados no ano passado”, comentou.

Leia a matéria na íntegra, no site 'Pará Negócios'.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Dois crimes, dois extremos

Alguém saberia me dizer a diferença entre os paraenses José Francisco Vieira e Deusivania dos Santos Souza? Ambos, foram assassinados, durante esta semana, só que ele, em Belém e ela, em Marabá, sudeste paraense.

A respota é simples: status social. Ele tinha, ela não. Ele era advogado de uma grande rede de supermercados da cidade, além de ser genro do proprietário. Ela era esposa de um policial militar.

Talvez, isso explique a presença de três delegados, no local do crime de Francisco e nenhum no de Deusivania. Ela não era importante para chamar "tanta atenção" das autotidades e da imprensa, além de instigar o "interesse" da Polícia Civil para que o crime fosse solucionado, não é?

Será que ainda há dúvidas sobre qual dos dois crimes será solucionado primeiro? As minhas críticas não buscam diminuir o prestígio do advogado, mas a situação parece está invertida. Vamos aos fatos:

- Francisco foi morto, na entrada de sua residência, de acordo com a polícia, em uma tentativa de assalto. O circuito interno de vigilância da casa gravou a ação dos assaltantes.

- Deusivania estava na carona de um mototáxi quando foi perseguida e morta. O motociclista também pegou um tiro no pescoço e corre o risco de ficar paraplégico.

Eis a minha inquietação: o primeiro caso não parece ser mais fácil para a polícia de ser solucionado, do que o outro? Afinal, há a gravação que possibilitará a identificação dos criminosos, logo.

Isso chama-se "inconsistência de status", onde as situações foram influenciadas positiva e negativamente, respectivamente, sobre os status sociais que lhe diferenciam. É triste, mas é isso. Status.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O voto americano visto do Brasil


Por Luiz Weis/Observatório

"Na sua ampla cobertura da eleição nos Estados Unidos, a imprensa brasileira deu uma idéia de como funciona – se é que o verbo é esse – o processo de votação no país.

É um processo essencialmente voter unfriendly – já não bastasse a eleição ser indireta, uma contrafação do proclamado princípio “um homem, um voto”. São, como se sabe, 538 homens (e mulheres) os membros do colégio eleitoral que em última análise escolhem o presidente – “mais iguais”, portanto, do que os 169 milhões de eleitores do país.

O colégio eleitoral, a propósito, foi instituído pelos “pais fundadores” dos Estados Unidos, os signatários da Declaração de Independência de 1776, com a intenção assumida de contrabalançar o poder político da maioria absoluta da população com direito de voto – os homens livres não proprietários de terras.

Das regras para o registro de eleitores aos procedimentos de votação, uma coisa e outra podendo variar de estado para estado ou de distrito (county) para distrito, o sistema é um convite para ficar em casa no dia da eleição.

Ficar em casa, aliás, é modo de dizer: dia de eleição é dia de trabalho – razão por que este ano milhões de americanos, muitos deles presumivelmente eleitores de Obama, enfrentaram horas de fila no domingo nos lugares que permitem o voto antecipado. O Estado de S.Paulo da segunda-feira trouxe uma boa matéria a respeito, descrevendo a situação numa seção eleitoral de Palm Beach, na Flórida.

Os mecanismos de votação – como ficou escancarado na mesma Flórida quando da primeira eleição de George W.Bush, em 2000 – são um convite ao erro e à fraude."

Leia a matéria na íntegra aqui.