sexta-feira, 30 de maio de 2008

Certo ou errado?


O STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou, na quinta-feira (29), pesquisas com células-tronco embrionárias no país. O Supremo rejeitou uma ação direta de inconstitucionalidade contra o artigo 5º artigo da Lei de Biossegurança que permite a utilização, em pesquisas, dessas células fertilizadas in vitro e não utilizadas.

Seis ministros do tribunal votaram a favor das pesquisas. Outros cinco sugeriram mudanças na lei. Anteriormente, o voto do ministro Cezar Peluso havia sido contabilizado pelo Supremo como favorável às pesquisas, mas a informação foi retificada e o ministro foi classificado no grupo dos que pediram alterações na lei.

A ação foi proposta em 2005 pelo então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, que defende que o embrião pode ser considerado vida humana. O STF não chegou a proibir as pesquisas com células-tronco embrionárias, mas muitos pesquisadores ficaram receosos em continuar com os estudos, em razão do impasse jurídico.

As células-tronco embrionárias são consideradas esperança de cura para algumas das doenças mais mortais, porque podem se converter em praticamente todos os tecidos do corpo humano. Entretanto, o método de sua obtenção é polêmico, porque a maioria das técnicas implementadas nessa área exigem a destruição do embrião.

Fonte: Folhapress

O vermelho-vivo da Amazônia


Stuart Grudgings
Agência Reuters


Uma das últimas tribos indígenas ainda sem contato com o resto do mundo foi fotografada do alto, e as imagens divulgadas na quinta-feira mostram seus integrantes com os corpos pintados de vermelho-vivo, brandindo arcos e flechas. A tribo vive no Acre, perto da fronteira com o Peru, e segundo a Funai está ameaçada pela extração ilegal de madeira da Amazônia.

A foto é uma rara comprovação de que esse grupo de fato existe. "O que está acontecendo nesta região é um crime monumental contra o mundo natural, as tribos, a fauna, e mais um testemunho da completa irracionalidade com a qual nós, os 'civilizados', tratamos o mundo", disse o sertanista José Carlos Meirelles, da Funai, segundo nota da ONG Survival International.

Numa das fotos, que pode ser vista no site, dois índios pintados de vermelho se preparam para disparar flechas contra o avião, sob o olhar de outros índios.

Outra foto mostra cerca de 15 índios sob ocas, alguns deles também preparando flechas para disparar. "O mundo precisa acordar para isto, e garantir que seu território esteja protegido em concordância com o direito internacional. Do contrário, em breve eles estarão extintos", disse Stephen Corry, diretor da Survival International, entidade que apóia povos indígenas em todo o mundo.

Das mais de cem tribos isoladas do mundo, mais de metade estão no Brasil e Peru, segundo a Survival International, e todas correm riscos de perder suas terras, serem assassinados ou sofrerem epidemias.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Galeria Amazônica


A Amazônia sob as lentes do fotógrafo Henrico Dohara chamam a atenção pela qualidade e capacidade de reunir elementos que identificam o cotidiano dos paraenses. Quem quiser, pode acessar o Flickr dele, para concordar sobre o que digo.

Apesar do Henrico não fazer jornalismo, e sim, psicologia, acredito que ele já desponta nessa profissão, com um olhar muito importante para a fotografia, que acredito ser uma característica dos jornalistas.

O "feeling", que surge quando se está diante de um fato e percebe que o assunto pode virar notícia, é o mesmo para o Dohara, que o usa para captar cenas inusitadas pela capital e interior paraense. Vale a pena ver!

domingo, 11 de maio de 2008

A loira e a igreja


Parece até título de piada. E de fato, o é. Ainda estou buscando um adjetivo para a capa do jornal "Amazônia", deste domingo (11). A matéria principal da capa é a celebração católica de Pentecoste, que aconteceu ontem, no estádio do Mangueirão. É considerada, segundo o jornal, uma festa sobre o nascimento e unidade da igreja. O problema é a tal loira.

O interessante é que bem ao lado, a imagem sensual da modelo Viviane Bruneri, chama atenção para a divulgação do primeiro filme pôrno da moça. Nessa hora, inconscientemente, os dois extremos chamam a atenção.

Que diariamente há uma foto apelativa como essa na capa deste jornal, todos os paraenses sabem - e muitos até aprovam -, mas o fato da imagem do arcebispo de Belém, Dom Orani Tempesta, estar tão próxima do vulgar, merece um post.

Maio de 68: estudantes x repressão


"Os Estados Unidos estavam mergulhados na guerra no Vietnã e se agitaram com o assassinato do líder negro Martin Luther King Jr. A Europa entrou no furacão das revoltas estudantis. E o Brasil, com o endurecimento do regime militar, entrou numa fase de censura política e dura repressão policial. Esses foram os principais acontecimentos que fizeram o mês de maio de 1968 entrar para a história.

Dezenas de milhares de pessoas participaram de manifestações em Paris trocando agressões com os policiais da Compagnie Républicaines de Securité (CRS), a tropa de choque francesa. Mas, para além das barricadas, coquetéis molotov e pedras de calçamento atiradas, os manifestantes tinham como arma as palavras, espalhadas em cartazes e pichações com slogans irônicos e anti-autoritaristas como: 'A imaginação ao poder', 'Abaixo o realismo socialista. Viva o surrealismo', 'Ceder um pouco é capitular muito', 'Consuma mais, viva menos' ou 'A humanidade só será feliz quando o último capitalista for enforcado com as tripas do último esquerdista'.

No Brasil, um dos slogans de maio de 68 foi eternizado por Caetano Veloso e Gilberto Gil em 'É proibido proibir'. Apresentada no Festival Internacional da Canção da Rede Globo naquele ano, a canção foi vaiada pelo público provocando a famosa reação irritada de Caetano: 'Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? (...) vocês não estão entendendo nada!'."

Fonte:
Globo.com

Veja o especial sobre o assunto aqui.

sábado, 10 de maio de 2008

Cuba e a mídia digital


Por Alberto Dines
Observatótio da Imprensa

A grande festa do jornalismo espanhol transcorreu na noite de quarta-feira (07). Ontem, El País, um dos melhores jornais do mundo, deu uma bonita chamada na sua capa e dedicou sete páginas à entrega do 25º Prêmio Ortega y Gasset dedicado como sempre à valorização da imprensa livre, valente e comprometida. O grande destaque da noite foi a cadeira vazia da blogueira cubana e filóloga Yoani Sanchez, que não foi autorizada a deixar seu país para receber o galardão referente ao jornalismo digital.

O blog de Yoani Sánchez, Geração Y, é uma dos maiores fenômenos da internet. Está no ar apenas desde março do ano passado e há poucos dias a sua autora foi incluída pela revista Time entre as 100 personalidades mais influentes do mundo. Na entrevista que concedeu a El País Yoani Sánchez diz que está surpresa com a repercussão mundial das suas "vinhetas desencantadas" sobre a realidade cubana. "O fato de que repararam numa pessoa tão simples com eu me surpreende gratamente. Estamos acostumados em ver sempre os famosos recolhendo os louros."

Como é do seu feitio, Yoani não fez um comício, apenas remarcou a sua passagem para Junho. E declarou a El País: "As mudanças chegarão a Cuba. Mas não através do script do governo".

Uma tragédia e uma comédia

Por Mino Carta
Carta Capital

"Que levaria o pistoleiro paraense Rayfran das Neves Sales, vulgo Fogoió, a assassinar a missionária americana Dorothy Stang com seis tiros de boa pontaria, em Anapu, a 600 quilômetros de Belém, em fevereiro de 2005? Fervor antiamericanista? Defesa da paz social ameaçada na região por uma revolucionária de 74 anos disposta a incentivar invasões de propriedades privadas?

Condenado no primeiro processo, Fogoió fora sentenciado a 27 anos de prisão. Na terça 6 de maio, sua pena foi aumentada para 28 anos pela 2ª Vara do Júri de Belém. Fez jus ao segundo julgamento por ter sofrido pena superior a 20 anos. Em compensação, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, vulgo Bida, acusado de ser mandante do crime e condenado a 30 anos de reclusão no primeiro processo, desta vez foi absolvido por 5 votos a 2. Simples como a invenção da água quente."

Leia a matéria na íntegra aqui.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Angústia



"Em Curralinho, de 2001 a 2005 foram apresentadas 27 denúncias de exploração sexual de menores e a promotoria não levou nenhuma para frente. Em Chaves, que está no extremo norte da ilha, estamos tendo notícias faz duas semanas de que apareceram duas meninas de 12 anos engravidadas por avôs. No Tajapu, rio de intenso tráfego que transporta pessoas e mercadorias entre Belém e Macapá, veja o que acontece: pais jogam as meninas de 12 a 16 anos nas balsas para se prostituírem. Em troca recebem três quilos de carne ou cinco litros de óleo diesel. Por outra parte, tem meninas e meninos menores de idade nesse rio que voluntariamente entram nesse dinamismo destruidor e bárbaro. Percebemos que faltam medidas para enfrentar essa realidade que não é nova e cuja intensidade é aguda. Não se está refletindo suficientemente e isso angustia muito. Na verdade todas as problemáticas que o Pará apresenta são velhas. Não é pela presença do governo do PT, da Ana Júlia, que agora acontecem realidades novas. Podemos dizer que se intensificaram realidades sociais que antes existiam. Por que houve essa intensificação, eu não poderia dar uma resposta adequada. É um fenômeno sociológico rápido, violento, que não tem tido respostas das autoridades". (Dom José Luiz Azcona, bispo do Marajó)

retirado do blog da
Franssinete Florenzano

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Liberdade de imprensa?




"Um banco ameaçou tirar o patrocínio se eu não me retratasse no ar. A TV Cultura perdeu o compromisso com a liberdade editorial", disse Salete. A emissora diz que a demissão dela não teve relação com o comentário. Será?

terça-feira, 6 de maio de 2008

O jornal de "um homem só"


Por Nathália Duarte
Redação Portal IMPRENSA (16/07/2007)


"Um jornal alternativo que completa 20 anos de existência em setembro deste ano, o Jornal Pessoal não dá retorno financeiro e não teve uma trajetória das mais fáceis. Idealizado pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto e criado no Pará, o veículo nasceu da necessidade de um espaço que não era dado pela grande imprensa.

O curioso é que nem mesmo Lúcio, seu idealizador, acreditava que o veículo duraria tanto tempo. Idealizador que, aliás, faz jus ao nome do jornal que criou: O jornalista é responsável sozinho pela redação, edição, distribuição e defesa jurídica do veículo.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Lúcio Flávio Pinto conta a história do jornal independente que movimentou a cobertura de imprensa no nordeste e fala de suas expectativas e receios quanto ao futuro do jornal.

IMPRENSA - Como surgiu a idéia de fazer um jornal como o Jornal Pessoal e por que fazê-lo praticamente sozinho?

Lúcio Flávio Pinto -
Em setembro de 1987, eu tinha uma reportagem completa sobre o assassinato do ex-deputado estadual Paulo Fonteles, que demarcaria uma escalada de crimes de encomenda e políticos no Pará. Dizia tudo que naquele momento era possível saber. Inclusive que os dois homens considerados os mais ricos do Pará tinham alguma coisa a ver com o atentado. Só não tinha onde publicar a matéria (que, depois, viria a ser premiada com o Prêmio Fenaj, o primeiro dessa premiação de curta duração). Então criei um jornal para apresentá-la ao distinto público e tentar contribuir para que aquele crime não ficasse impune. Achava que o JP ia persistir por certo tempo e evaporar, como a regra desse tipo de publicação. Mas ele sobreviveu, inclusive à minha determinação de acabar com ele para que ele não acabasse comigo, o que esteve perto de acontecer ao longo dessa história. E o faço sozinho porque é o tamanho mínimo possível. Se pudesse escrevê-lo por psicografia, o faria. Como não sei desenhar, a ilustração e edição ficam com meu irmão, o Luís, o artista da família (que tem quatro jornalistas em sete irmãos). O resto é comigo. Eu grito fecha! E viro contínuo. Outro fecha! E me transformo em burocrata. Mais um fecha! E assumo a função de editor. Outro grito desse e me metamorfoseio em jornaleiro. E assim a Lusitana roda e o JP circula.

IMPRENSA - Como você mesmo citou, jornais alternativos não costumam durar muito tempo. O que você acha que garante, já há 20 anos, a sobrevivência do Jornal Pessoal?
Lúcio -
Depois de 21 anos com um pé na grande imprensa e outro em publicações alternativas, quando comecei a fazer o Jornal Pessoal estava convencido de que só há uma maneira de ser realmente independente: aceitar ser pobre. Assim, montei a estrutura mínima (um homem só) para suportar minha opção editorial: fazer um jornal sem publicidade. Desta vez, além de não alimentar ilusões sobre a adesão dos anúncios, eu simplesmente os recusei desde o início. Iria viver só da venda avulsa do jornal. Tinha certeza de que continuaria pobre, mas pelo menos estou chegando aos 20 anos.

IMPRENSA - Por que não aceitar publicidade?
Lúcio -
Quando fiz um jornal alternativo em bases convencionais (com equipe e publicidade), em 1975, eu vi que até mesmo agências não queriam programar o Bandeira 3, mesmo levando seus 20%, porque discordavam da linha editorial independente ou tinham receio dela, já que não podiam interferir nela. Eu tive que fazer as vezes de contato e batalhar para conseguir uns poucos anúncios, dados mais em função da relação pessoal. Isso era muito desgastante e sempre deixava um halo de ação entre amigos. Por isso decidi que o Jornal Pessoal teria que viver sem se submeter a esse desgaste porque sua linha editorial era clara: publicar tudo de importante, doesse a quem doesse. E o órgão do corpo humano que mais dói, conforme já estamos ficando carecas de saber, é o bolso. Disse Delfim neto pela boca de lorde Keynes."

Leia o resto da entrevista aqui!