
Foto: Thais Iervolino/Amazônia.org
"O problema de fazer uma boa cobertura jornalística na Amazônia seria a falta de quadros contratáveis na impresa local." Essa foi a afirmação -- infeliz, diga-se de passagem -- do jornalista Claudio Angelo Monteiro, editor de ciência e meio ambiente do jornal Folha de S. Paulo, que participou da terceira etapa de um ciclo de palestras sobre Jornalismo Ambiental, em Belém.
Anteriormente, já passaram pelo evento, o jornalista Alexandre Mansur, editor da revista Época e do blog 'O Planeta' e o jornalista Marcos Sá Corrêa, que dispensa comentários. Mas, foi com Claudio Angelo que o assunto ganhou polêmica, em meio a um público de estudantes e jornalistas.
Acredito que, em partes, o Angelo não está errado, mas sem dúvidas parece ter falta de conhecimento para discutir o assunto. Mas, atenção! Conhecimento e experiência são coisas diferentes, ainda mais, na nossa profissão.
Ele é editor de Meio Ambiente, mas nunca tinha ouvido falar no nome de Manoel Sena Dutra, conhecia apenas a "fama" de Lúcio Flávio Pinto e desconhecia o trabalho de José Raimundo Pinto, com quem dividiu a mesa de debates. Esse trio forma um bom exemplo de especialistas no assunto.
É certo, que eles fazem parte de uma geração em que os repórteres se pautavam e os jornais impressos podiam bancar despesas de viagens pela região. Mas, só quem vive na Amazônia sabe das dificuldades de isolamento geográfico (distâncias); perigos por brigas de terras que envolvem fazendeiros, pistoleiros e agricultores; e principalmente, a falta de apoio.
O fato, é que, atualmente, as empresas de comunicação, seja qual for o veículo, não dão atenção para questões ambientais. Preferem fazer o factual. "A violência está pautando as redações e os diretores das emissoras, não necessariamente, são jornalistas; o que aumenta o desinteresse no tema 'Amazônia'. ", explica o jornalista Manuel Sena Dutra.
Claudio Angelo explicou a afirmação, com o argumento de que a cobertura, em Belém, perdia a qualidade, pois um jornalista ganha um salário de R$ 700,00. O profissional acaba tendo que arranjar um segundo ou terceiro emprego e não pode se dedicar a apenas um, como acontece no sudeste do país.
Para a jornalista da Embrapa, Ruth Rendeiro, "é constrangedor e decepcionante a dificuldade que há em se 'vender' uma pauta quando os assuntos são mais complexos. Os que fazem imprensa na Amazônia parecem não estar dando muita atenção para o que ela significa interna e externamente."
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