domingo, 26 de agosto de 2007

"Eu não sei quem errou"

Em entrevista exclusiva ao jornal Estadão, no domingo (26), o Presidente Lula foi encurralado com alguns questionamentos, e acabou deixando transparecer que não é está tão perdido como muitos pensam, e que sabe sim, quem saõ os culpados pelos atos corruptos no seu governo. Mas é claro, não revelou nomes. Leia abaixo:

O que ficou da investigação do mensalão, no seu primeiro mandato?
Ficou o seguinte: quem erra paga. (...) Tem gente que acha que isso é um trauma. Para mim, não. Para mim, isso é um canal de desobstrução da democracia brasileira.

Quem errou, presidente?
Eu não sei quem errou.

O PT errou?
O PT não errou. Eu acho que pessoas do PT podem ter errado.

O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) errou?
Não me perguntem, eu não sou juiz. Eu acho que quem errou pagará pelo erro que cometeu. Agora, o que eu quero para mim, para os meus amigos e para os meus adversários é que todos tenham direito à defesa.

Até hoje, o sr. não disse quem o traiu.
Nem vou dizer. Porque não é necessário. O PT não merecia passar pelo que passou. E isso faz parte da história contemporânea do País. Não faz parte do passado, não.

leia na íntegra a entrevista

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Precisa-se de professor

Nesta segunda-feira (20), o jornal Diário do Pará trouxe a seguinte manchete: "Ensino médio ameaçado de 'apagão'. " Veja abaixo a situação do nosso Estado e do resto do país - que não é nenhma novidade -, mas que lhe ajudará a argumentar, quando defenderem erroneamente investimentos mal planejados em infra-estrutura, como no PAC; deixando prioridades, como educação e saúde, às moscas.

A reportagem é de Carla Ferreira.

"Relatório da Câmara da Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), com base na pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC), afirma que o Brasil pode viver um “apagão do ensino médio” nos próximos anos.

A estimativa aponta a necessidade de algo em torno de 235 mil professores no nível de ensino básico em todo o país. No Pará, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sintepp), 26 mil professores trabalham na educação nas redes públicas municipal e estadual e, de acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), é necessária a contratação de 12 mil novos professores para suprir toda a demanda existente.

O estudo aponta um déficit maior nas áreas de Física, Química, Biologia e Matemática - estima-se a necessidade de 55 mil professores de Física, sendo que de 1990 a 2001 as licenciaturas da área só formaram 7.216 educadores.

Dados de 2003 revelam que apenas 30% da população entre 25 e 64 anos havia concluído ao menos a etapa final da educação básica, enquanto a Alemanha forma 83% e o Chile 49%.Além da questão quantitativa, outro problema a ser enfrentado no ensino médio, de acordo com o CNE, é a formação dos professores.

As únicas áreas em que mais de 50% dos professores têm licenciatura na disciplina ministrada são Língua Portuguesa, Biologia e Educação Física.

Segundo o Conselho, as causa são a falta de investimento na educação - o Brasil investe só US$ 1.008 por aluno nessa etapa de ensino, enquanto a Argentina investe US$ 2.378. Além do problema salarial, o baixo interesse pela carreira docente é conseqüência das condições inadequadas de ensino, da violência nas escolas e da falta de um plano de carreira.

Anos e anos de luta marcam o ensino brasileiro, segundo o coordenador do Sintepp, Eloy Borges. “Há um déficit muito grande na educação e não é só de professores, mas também de investimentos e estímulos para seguir a carreira. No Pará, um professor ganha em média R$ 500 por mês”, disse.

Em 2003, foi lançado o livro “Ensino Médio: Múltiplas Vozes”, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco) no Brasil em parceria com o Ministério da Educação (MEC).

Foi a maior pesquisa do ensino médio já realizada, abrangendo 13 capitais brasileiras: Rio Branco, Macapá, Belém, Teresina, Maceió, Salvador, Cuiabá, Goiânia, Curitiba, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

É nessa pesquisa que se começa a esmiuçar as desigualdades sociais e a heterogeneidade das situações entre as capitais brasileiras, ou seja, a situação do ensino médio no país inteiro.

Verificou-se que quanto ao perfil do professor a maioria - cerca de 60% dos pesquisados -, encontra-se na faixa etária entre 30 a 49 anos, sendo que apenas 21% têm menos de 29 anos. Na maioria das capitais pesquisadas os professores se declaram insatisfeitos com o salário, índice maior entre os que trabalham em escolas públicas.

Alguns não conseguem nem ter computador em casa - há lugares que este total é em torno de 40%. Em 30% dos casos o professor não tem acesso a computador no próprio estabelecimento de ensino, caracterizando a exclusão digital.

Os professores da rede pública são os menos privilegiados: as percentagens de docentes que admitem não dominar a informática variam, dependendo da capital, de 24,6% a 7,2% nas escolas públicas e 7,7% a 1,2% nas escolas privadas."

sábado, 11 de agosto de 2007

Inocência Roubada

Saiu no jornal O Liberal, desta sexta-feira (11):

"Pará é o 4º Estado que mais usa o Disque Denúncia 100 para fazer denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes

A pesquisa divulgada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos aponta o Pará como o quarto Estado brasileiro em número de denúncias contra abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.

Conhecido como Disque Denúncia 100, o serviço recebe denúncias de violência contra menores em todo Brasil. As acusações são classificadas por categoria, como exploração sexual comercial, pornografia, negligência, abuso sexual, violência física e psicológica e tráfico de pessoas (independentemente da idade da vítima).

Entre as cidades paraenses, Belém se destaca com o maior número de denúncias. Os registros apurados entre 2003 e agosto de 2007 indicam 1.039 acusações, o que representa mais de 60% das ligações do Estado.

Conforme os dados da Secretaria Especial de Direitos Humanos, a violência física e psicológica, seguida da negligência, são as categorias com maiores números de denúncias na capital. Juntas, representam mais de 700 registros, seguidos de 149 ocorrências de abuso sexual e 115 casos de exploração sexual comercial."

Mas a verdade, é que a maioria dessas covardias acontecem dentro de casa, ou seja, cometidas pelos próprios familiares. Na realidade, a denúncia chega a ser feita e o inquérito instaurado, mas a demora na burocracia brasileira faz com que essas queixas sejam retiradas, e com isso, os culpados não sejam punidos.

Basta conciliar os números de queixas, com o números de culpados postos na cadeia, para ver a discrepância evidente. Não basta denunciar, tem que ter coragem e seguir em frente.