sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Soberania Nacional



O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou esta semana o julgamento sobre a homologação (que é uma autentificação dada por uma autoridade) da reserva indígena Raposa Serra do Sol. O território, de 1,7 milhão de hectares, localiza-se no Estado de Roraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela e Guiana. O governo homologou a demarcação contínua da reserva, mas ação contesta a decisão e propõe demarcação em ilhas.

Veja abaixo os interesses envolvidos:

Governo Federal - Integrantes do governo argumentam que a Constituição dá ao Executivo o poder para demarcar terras indígenas. Alegam ainda que a demarcação de reservas indígenas em terra contínua não representa um risco à soberania nacional, pois tais áreas continuam a ser da União. Os índios têm apenas o usufruto delas. As Forças Armadas e a polícia continuam a ter livre acesso a esses territórios, complementam.

Políticos de Roraiama - Invocando o desenvolvimento econômico de Roraima, políticos de diversos partidos -- da base aliada ou de oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva -- criticam a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol em terra contínua. Sustentam que os índios têm dificuldades em obter renda, e que os produtores rurais lá instalados garantem grande parte da arrecadação dos municípios e do Estado.

Militares - Os militares são contrários à demarcação de terras indígenas em áreas contínuas localizadas em regiões fronteiriças. Os oficiais do Exército acreditam que a política põe em risco a soberania nacional e acham que organizações não-governamentais e grupos indígenas podem criar movimentos separatistas nesses territórios. Os militares também dizem que a liberdade de ação das Forças Armadas pode ser questionada pela Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, assinada pelo Brasil. Em abril, o comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, afirmou que a política indigenista brasileira é "lamentável, para não dizer caótica."

Índios - Os índios estão divididos. Os que lutam pela demarcação em terra contínua sustentam que só assim seus povos terão como caçar, pescar e crescer. Outros, aliados dos produtores rurais, preferem a demarcação de diversas reservas separadas e querem que os não-índios possam ter acesso a esses territórios.

Arrozeiros - Plantadores de arroz, que correm o risco de serem expulsos da área, argumentam que tem falhas o laudo antropológico feito pela Fundação Nacional do Índio, do Ministério da Justiça, que sustenta que o território de Raposa Serra do Sol era ocupado e historicamente uma terra indígena.

O texto é de Fernando Exman, da Agência Reuters.

"Com a boca na butija"

Marília Góes, mulher do governador do Amapá e secretária de Inclusão e Mobilização Social do Estado¹, foi gravada em reunião com beneficiários de um programa estadual pedindo votos para o candidato do PDT à Prefeitura de Macapá, Roberto Góes, primo do governador Waldez Góes (PDT).

A Folha de S. Paulo teve acesso ao áudio da reunião, realizada por Marília na sexta-feira. A denúncia foi encaminhada ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) pela coligação "Frente pela Mudança", que envolve o PSB do candidato Camilo Capiberibe, o PSOL e o PMN. O juiz eleitoral Marconi Pimenta pediu o auxílio da Polícia Federal para investigar o caso.

Presentes à reunião, duas beneficiadas pelo programa Renda para Viver Melhor também denunciaram o que consideraram uso da máquina pública, o que é crime eleitoral.

Na reunião, Marília se apresenta como "a secretária que paga o benefício de vocês". E pergunta se todos receberam a ajuda mensal de R$ 207,50. Depois, emenda: "Vão me dar presente? Então, nós estamos em um período eleitoral, como eu já disse. E época de eleição é complicada. Vocês lembram da campanha passada, da primeira eleição do governador".

Marília, então, faz uma série de críticas a ações da prefeitura e ao atual prefeito, João Henrique (PT), e pede: "Vamos eleger um parceiro do governador". Diz que não foi à reunião "para falar mal de ninguém". "Mas eu vou apresentar meu candidato para vocês."

Ela sugere ao público, formado principalmente por beneficiados pelo programa de Waldez Góes, que diga o número do candidato. "Qual o número do Roberto?" A resposta --"12"-- é dada em coro.

Depois, contrariando o que havia dito de não criticar outros candidatos, afirma que Capiberibe, principal adversário de Góes segundo as pesquisas, foi contra uma campanha do Estado por um banco de leite materno. "Uma pessoa dessa não tem compromisso com a vida", afirma. "Um homem desse que como deputado estadual já fez um absurdo, imagine se for eleito prefeito."

No fim, enfatiza: "A gente está apoiando o Roberto, que é o número 12. É por isso que eu peço o voto de vocês. E que peçam para a amiga e quem peçam para o amigo", diz. "E vocês sabem que neste ano Macapá tem segundo turno. Se nós conseguirmos ganhar no primeiro turno, no dia 5 termina a eleição e a gente pode tocar a vida novamente."

Outro lado - O secretário de Comunicação do governo do Amapá, Marcelo Roza, diz que Marília está de férias desde 1º de agosto e que foi apenas convidada a participar da reunião."Ela não organizou nada, não convocou as pessoas e não estava exercendo a função de secretária. Não caracteriza, portanto, crime eleitoral."

Fonte: Folha de S.Paulo

¹ - Para quem não sabe, o governador Waldez Góes é campeão de nepotismo. No ano passado, foram listados 69 familiares empregados na sua gestão.

Garoto-propaganda disputado II

Lá, no Estado do Ceará, a gravação do presidente Lula foi feita para enganar os eleitores, e aqui em Belém, será que acontece a mesma coisa? Eu quero entender quem é o verdadeiro candidato a prefeito da capital do 'companheiro', José Priante ou Mário Cardoso?

Ambos estavam usando declarações em vídeo do "garoto-propaganda" -- mais diputado do que o Carlos Moreno, da Bombril, diga-se de passagem --, a do Priante foi gravada quando disputou o Governo do Estado (e perdeu), e a de Mário, quando disputou uma vaga no Senado (e também perdeu).

Antes da campanha, o presidente tentou chegar a um acordo e convencer os dois partidos a lançarem uma chapa única, mas nada feito. Inclusive, o PT já tinha até entrado na Justiça pedindo a suspensão do vídeo do Priante, mas ganhou quem foi mais rápido.

Garoto-propaganda disputado

Por Kamila Fernandes
da Agência Folha/Fortaleza

"A Justiça Eleitoral decidiu proibir a veiculação de supostos depoimentos do presidente Lula em favor de dois candidatos a prefeito no interior do Ceará. O motivo é que as gravações eram falsas, feitas por um imitador que buscava reproduzir, além da voz, até as figuras de linguagem que o presidente costuma usar.

A fraude aconteceu nos municípios de Granja (a 353 km de Fortaleza) e Acopiara (a 345 km). Nos dois casos, os candidatos são coligados com o PT e já usam a imagem do presidente Lula em seu material de campanha impresso.

No rádio, porém, decidiram colocar uma fala falsa do presidente. O texto é muito parecido nos dois casos, com Lula cumprimentando todos com o tradicional "companheiros e companheiras", afirmando que "nunca na história desse país se fez tanto para melhorar a vida das pessoas" e declarando apoio ao candidato da coligação - em Granja, Romeu Aldigueri (PPS); em Acopiara, o prefeito Antonio Almeida (PTB).

Nos dois casos, a voz é a mesma, do imitador apelidado de Fox. O responsável pelas duas campanhas também é o mesmo: o cientista político Fabner Utida, de Fortaleza.

A Justiça Eleitoral entendeu que nos dois casos a fala pode levar o eleitor a um engano, e por isso determinou a retirada do ar. Ainda assim, segundo Utida, outros candidatos com os quais ele nem trabalha o procuraram nos últimos dias para também fazer uma versão do depoimento de Lula."

Ouça a gravação da voz do Lula aqui

Amazônia: ontem e hoje


O jornal Folha de S. lançou o primeiro capítulo do livro"A Floresta Amazônica", que faz parte da coleção "Folha Explica", escrito por Marcelo Leite - doutor em ciências sociais pela Unicamp e colunista da Folha . O livro explica o modelo atual predatório de ocupação e exploração econômica da região e trata da necessidade racional de revisar, desde a raiz, as noções mais correntes sobre o ecossistema da floresta amazônica.

Da biopirataria à biodiversidade, da problemática extração da madeira aos promissores projetos de manejo sustentável, o autor trata das interações imediatas do ecossistema da Amazônia com as populações humanas e com o clima regional e mundial. E demonstra a necessidade latente de quantificar, explorar e distribuir o valor da floresta de maneira sustentável.

Leia a introdução do livro aqui

Compre o livro aqui

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Caso isolado?


Troque seu voto por um pinto
Por
Goltara

Nesse país das maravilhas
Onde tudo pode acontecer
Tem gente comprando votos
Pra mais depressa se eleger
Ou então trocando por pinto
Pros seus eleitores satisfazer!

No Bol, eu, muito curioso
Essa notícia visualizei
Lá no estado de Rondônia
Em Porto Velho, destaquei
Quatro mil pintos na caixa
D`uma mulher eu avistei!

Maria Cristina de Freitas
É uma boa cabo eleitoral
Do candidato Sandro Gonzaga
Explicou a Polícia Federal
Que prendeu as pessoas citadas
Dum Partido Verde estadual.

Após uma denúncia anônima
Feita ao TRE daquele estado
Os agentes federais gravaram
Conversa de um cabra safado
Prometendo dar muitos pintos
Pra todo o seu eleitorado!

No dia do acontecimento,
Os "homis" chegaram disfarçados
Também entraram na fila
Pra ter os pintinhos amarelados
Maria Cristina foi entregando
Com os "zói" já revirados!

Gonzaga, candidato a vereador
No momento não se encontrava
A Maria que levou os pintos
Sua saia até levantava
"Teje presa", falou um federal
Nesse hora, ela quase se mijava!

O advogado do pretendente
A um cargo de vereador
Falou que é costume do mesmo
Fazer esse gesto de amor
Ele doa pinto o ano todo
E as mulheres dão muito valor!

Foi detido à noite em sua casa
Pro Presídio Urso Branco foi levado
Pagou mil e quinhentos reais
E noutro dia foi liberado
A cabo eleitoral também, solta,
Responderá pelo crime praticado!

O Partido Verde de Rondônia
Disse que é um caso isolado
É só um candidato a vereador
Que teve o "estoque" confiscado
A Justiça entregou a "mercadoria"
Que foi motivo de alegria
Pois, pra Pestalozzi foi doado!

Mamada - Parte 2

"Com três parentes contratados em cargos de confiança de seu gabinete, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) sugeriu a criação de cotas para escapar da súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe o nepotismo nos Três Poderes.

O senador quer trocar o princípio constitucional, invocado pelo Supremo para proibir a contração de parentes, por 'uma legislação mais flexível'. Esta, segundo ele, iria permitir abrir vaga no serviço público para 'parentes com reais qualificações'.

Mozarildo não explicou os critérios que abonariam a sua tese de que os parentes qualificados de autoridades poderiam, sim, continuar empregados no setor público, enquanto que os demais teriam de se submeter a concursos..."

Clique aqui para ler a matéria do G1, na íntegra.

Obs: Vale lembrar que o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) já havia levantado a questão.

Clientela Vip


Algumas notícias importantes eu deixo passar batido aqui no blog, por falta de tempo e por este não ser um portal jornalístico, mas sim um lugar para discutir os absurdos quem arregalam os olhos da nossa sociedade. Por exemplo,muita gente viu que o Supremo Tribunal Federal aprovou, na última quarta-feira (20), a súmula (o que é isso?) que regulamenta o uso de algemas no país.

Para que não entendeu, eu explico: agora, está restrito o uso de algemas aos casos em que há risco de agressão ou fuga - ou seja, todos os tribunais do país ficam obrigados a seguir a mesma orientação do STF. Além disso, o agente público que usar indevidamente as algemas poderá responder a ação penal e a processo administrativo, e ter que pagar indenização a quem passar pelo constrangimento. E o mais polêmico: a prisão poderá ser anulada, assim como os resultados das investigações que levaram às prisões.

Isso é briga de peixe grande, mas o que me tirou do sério foi a declaração do senador Demóstenes Torres (DEM) admitindo, após a aprovação da regulamentação do uso de algemas, n, que a votação foi acelerada pela prisão do banqueiro Daniel Dantas. “Admito que o projeto foi aprovado rapidamente em razão da clientela vip que passou a freqüentar a cadeia”.

Que beleza! Agora a gente pode ver quem manda e desmanda no alto escalão... Será que é uma precaução, no caso de algum "bam-bam-bam" ser preso? Mas, não se preocupe senador, nós sabemos que o senhor trabalha duro para para melhorar os problemas do nosso país.

O cordel abaixo é de Davi Calisto Neto:

Inversão de valores

"Os políticos da Nação
Só pensam nos seus propósitos
Nas contas aumentam os depósitos
Sem nenhuma inibição
Os pobres não têm razão
Nem tem como reclamar
O povo tem que mudar
Os políticos sem pudor
Aprender a dar valor
A quem pensa em trabalhar..."

Leia o cordel na íntegra aqui.

sábado, 23 de agosto de 2008

Quando o pouco se torna muito


Retirado do
site do Amarildo

Mamada


A Folha de S. Paulo , deste sábado (23), informa que os Governadores de Alagoas, Maranhão, Pará e Tocantis tentam escapar da súmula do Supremo Tribunal Federal, que pede a exoneração imediata de todos os parentes de políticos que ocupem cargos públicos, até terceiro grau nos três Poderes. Os quatro Estados citados afirmam que os familiares contratados são secretários de Estado, portanto não se enquadram na súmula.

Eis a parte da matéria que nos interessa: "No Pará, a governadora Ana Júlia Carepa (PT) tem dois parentes trabalhando em órgãos estaduais. Um irmão é secretário-adjunto de Esportes e um primo é funcionário da Secretaria dos Transportes. Para o governo, os dois não se enquadram nas proibições da súmula. O irmão tem cargo de "caráter político", e primo é parente de quarto grau, diz o governo."

Este é o famoso jeitinho brasileiro, que só encobre as mazelas do país. Deixa o rico, mais rico e o pobre, mais pobre. Nada novo, apenas que quem devia coibir, continua deixando passar... E é por isso, que acredito fielmente nas palavras de Millôr Fernandes: "Generalizando-se a corrupção, instaura-se a justiça".

Porque, infelizmente, esses governantes darão um jeito de manter seus parentes bem próximos. Afinal, eles são "importantes" para a administração pública... Bom, pelo menos na opinão deles!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Os fatos falam por si

Sinceramente, acho uma verdadeira falta de respeito com a população, as candidaturas do ex-senador e ex-presidente da CDP, Ademir Andrade, e a do ex-secretário estadual de saúde, Fernando Dourado, para vereadores de Belém.

Para quem não lembra, o primeiro foi acusado de chefiar a quadrilha que provocou um rombo de R$ 7 milhões, com licitações fraudulentas e desvio de receita. O outro, acusado de improbilidade administrativa em sua gestão, pode ter beliscado mais de R$ 5 milhões da verba destinada à saúde pública do Pará.

Aí, me vem o 'todo-poderoso' Supremo Tribunal Federal e diz que "os candidatos sem sentenças condenatórias ou até mesmo os sentenciados, cujas demandas se encontram em grau de recurso, deverão ter mantidas as suas candidaturas, com base no princípio da presunção da inocência." Inocência? Só se for a política do 'non-sese', isso sim... Péra lá! Tô achando que tá mais para carnaval fora de época...

Com essa letra de cordel, de autoria de Gustavo Dourado, dá até para fazer uma marchinha:

"Chega de malabarismos
Roubos nas licitações
As quadrilhas do orçamento
As famosas comissões
Cadeia para os corruptos:
Corruptores...Tubarões...

O Governo para o Povo:
Sem canalha no Poder
Mais escolas e empregos
Mais salário e prazer...
Um choque de Honestidade:
Pra tudo subverter..."

Leia o cordel inteiro aqui.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O 'achado' de 2008


Tenho que escrever alguma coisa aqui, sobre o melhor filme de 2008, na minha opinião. Na verdade, um dos melhores que já assisti na vida. Não que na minha lista tenha apenas filmes premiados, mas "Era uma vez...", de Breno Silveira, de fato, é aquele do tipo que dá vontade de assistir de novo (depois de passadas aquelas 2 horas comentando sobre ele).

O diretor de "Dois filhos de Francisco" acertou em cheio na idéia do filme, mas o desenrolar da trama é o triunfo. É o que faz você querer perguntar a todo mundo: "Você já assitiu 'Era uma vez...'? E você já?"

Não vou falar o que acontece no filme, muito menos o final, mas as características que formam os personagens, somado a história e a qualidade do elenco - em especial o ator Thiago Martins (foto) - se transformam em um verdadeiro achado.

Não gosto de resumir o filme, porque parece que diminui ele. É o seguinte: Um jovem, morador de uma favela do RJ, se apaixona por uma garota rica, que mora em frente a barraca onde ele vende côcos e lanches na praia. A grande sacada são as decisões que os protagonistas tomam, quando, já paixonados, percebem que os mundos completamente opostos em que vivem, começam a distanciá-los e o preconceitos que velam a sociedade parecem impedir a idéia de um amor verdadeiro. Garanto: não é clichê!

Assista a uma prévia do filme:


Cordelizando

Abaixo, um belo exemplo de uma literatura de cordel, que se adequa perfeitamente ao perfil deste blog. O texto é de 2003, mas nem precisa avisar, pois parece ser atemporal. Veja só:

Versos do Governo Lula e dos seus 13 males
Por Sebastião Firmino

Treze males atormentam
Treze males desesperam
Treze males violentos
Fazem da vida uma guerra
Neste Brasil altaneiro
Que tem quase um ano inteiro
De um governo que emperra.

O primeiro grande mal
É deslavada mentira
Lançada com tanta ira
No governo federal
Prometendo fazer tudo
Tivesse ficado mudo
Era no caso ideal.

O segundo é a distância
Que o governo tá do povo
Pois o presidente novo
Parece que tem a ânsia
De retirar os direitos
Deixando insatisfeitos
Matando a esperança.

O terceiro é a falsidade
Com que aquele sorriso
Ganhou os votos precisos
Pra depois fazer ruindade
Aliado a A.C.M.
O que todo mundo teme
É o fim da caridade.

Dúvida é o quarto mal
Que assola a nação
Deixando todos na mão
Já dá até no jornal
Qual a nova má ação
Que o Lula, ex-peão
Fará antes do Natal?

Aflição é o quinto mal
E também não é bonito
O Brasil está aflito
Com a bagunça geral
Só falta agora o governo
Criar uma lei a esmo
Acabando o Carnaval.

Mas além da aflição
Tem também muita doença
Que o governo não pensa
Em estender sua mão
Pois a verba da saúde
Querem mandar amiúde
Pra alimentar ilusão.

Sétimo mal, injustiça
É teste de paciência
Pois aumenta a violência
E não melhora a polícia
Virou um país sem lei
Pois nem no tempo do Rei
Havia tanta carniça.

O oitavo é a saudade
Que o povo agora tem
De um sonho que retém
E não virou realidade
Um operário no poder
Precisava se conter
E não inflar a vaidade.

Por nono vem a maldade
Que fazem a cada hora
O governo não decola
No campo nem na cidade
Só se botassem num dique
Pra esquecer Fernando Henrique
Com sua capacidade.

Décimo é a crueldade
Que o governo do PT
Faz pra todo mundo ver
Cerceando a liberdade
A seus próprios militantes
Que não esqueceram o antes
Nossa solidariedade.

Número onze, a tristeza
Que chegou inesperada
Com o governo de fachada
Fazendo do povo presa
A nação tá infeliz
Isso todo mundo diz
Cadê a nossa beleza?

Número doze é o descaso
Que têm com o Brasil
E seu povo varonil
Para quem deram até prazo
Mas aumenta o desemprego
E ninguém mais tem sossego
Isso não é por acaso.

Número treze, a fome,
Eu tenho que abordar
Ele não vai acabar,
Se acabar mudo meu nome,
Pois é tudo enganação
Um embuste, uma invenção,
Pois Lula é quem mais come.

Treze males atormentam
Treze males desesperam
Treze males violentos
Fazem da vida uma guerra
Neste Brasil altaneiro
Que tem quase um ano inteiro
De um governo que emperra.


***Peco por nunca ter me atentado, de fato para a idéia do blog (literatura de cordel + jornalismo) . Mas, depois da sugestão Vanessa Russel, vou mudar isso. Afinal essa é a graça!