quinta-feira, 21 de junho de 2007

Campanha "Por um Brasil melhor"


Estou confuso. O dicionário teima em me falar que denominamos de juiz, "um cidadão investido de autoridade pública com o poder para exercer a atividade jurisdicional, julgando os conflitos de interesse que são submetidos à sua apreciação", ou seja, não só declara como ordena o que for necessário a tornar efetiva a tutela jurídica.

Certo. Mas, tanto poder não deveria ser melhor distribuído, ou até, menos centralizado em uma única pessoa? Não tiro o mérito dos acadêmicos de direito que estudam durantes 10, 15, 20 anos, almejando em se tornar um juiz ou um desembargador. Mas alguma coisa está errada.

Afinal, isso não facilita que aconteçam casos como o noticiado na terça-feira (19), na capa do jornal O Liberal, onde trazia a seguinte manchete: "Juíza sai da cadeia após seis meses". Até aí tudo bem (???), nada que fugisse da rotina dos jornais - nem das operações da Polícia Federal -, mas ressalto aqui dois pontos: a imagem capaz de vender a notícia e o fato dessa juíza paraense conseguir fraudar quase R$ 90 milhões no cargo de aposentada.

A fotógrafa Shirley Pennaforte conseguiu retratar uma imagem interessante, no momento em que a juíza Maria José Ferreira deixava o Comando dos Corpos de Bombeiros, onde estava "presa" - entre aspas, porque quarto com ar-condicionado e outras regalias não fazem parte de uma realidade dos presídios.

O que me chamou atenção foram todas as informações que atribuí no momento em que vi a imagem. Na foto, Maria José passa um aspecto de deboche, no melhor estilo: "Vocês acharam que eu iria ficar presa por muito tempo?", além de se apresentar como a cara mais lavada do mundo, dizendo as únicas palavras que me incentivaram a escrever esse post: "Sou inocente".

Ei, cadê a ética da magistratura brasileira?Não são eles que devem dar o exemplo? Até o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) criado na tentativa de frear a corrupção que assola o Judiciário - hoje, com dois anos de ação - está com dificuldades para diminuir a participação fraudulenta desses desonrosos representantes.

Talvez vocês estejam achando que eu esteja estereotipando a juíza, portanto, partiremos do princípio de que um juiz brasileiro, aposentado ganha em média R$ 6 mil - fora os benefícios do cargo -, portanto a única explicação que se pode tirar, é que Maria José não se adaptou ao estilo de vida de aposentada e por isso teria tentado fraudar quase R$ 90 milhões de uma conta de um Banco do Brasil de Augusto Corrêa, no Nordeste Paraense.

Ela foi solta para que pudesse responder em liberdade o inquérito policial, já que foi denunciada por estelionato, formação de quadrilha, falsificação de documento particular e falsificação ideológica.

Porque, todo mundo sabe que ela tem que refazer certos "laços de amizades" para não voltar a ser presa - não que isso fosse difícil de fazer enquanto estivesse presa, mas facilita as ações, não é?

Mas sabe que até concordo com ela? Afinal a pobre senhora estava ganhando quase o quíntuplo do que recebia quando estava na ativa.

Por isso, a partir de hoje, iniciarei uma campanha para aumentar os salários dos juízes aposentados. Talvez, essa seja uma alternativa para que casos como o de nossa exemplar autoridade pública deixem de acontecer. Radicalismo? Não, não realismo mesmo... e um pouco de sarcasmo também.

Ainda hoje, irei enviar o meu pedido ao Congresso Nacional. Alguém sabe o e-mail de lá?

2 comentários:

Unknown disse...

Fala Zé Brito!
Bacana o que li por aqui, e nos outros posts.Vida longa ao blog e divirta-se.
Volatarei sempre pelo Cordel.
Abs e obrigadíssmo pela visita ao Quinta.

Anônimo disse...

Eu li todos os seus pensamentos! Muito pertinente seu blog rapaz. Dá raiva saber umas verdades sobre nosso país... mas é a verdade e não devemos esconde-la.
Abraços