quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Só um não basta!

Dados do Serviço de Arquivo Médico e Estatística, do único hospital, no Pará, que possui referência no Centro de Tratamento de Queimados, o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), afirmam que 66% dos atendimentos realizados de janeiro a setembro de 2007 foram em crianças menores de 14 anos.

As crianças são as maiores vítimas dos acidentes com queimaduras. O agente causador mais comum é o líquido quente com 124 casos, seguida por líquido inflamável com 57 casos. Quanto ao grau de queimaduras, identificou-se no período, 249 lesões de 2º grau e 58 lesões de 3º grau. Acrescenta-se ainda que a maioria das crianças tinha lesões combinadas dos três graus de queimaduras.

Mas foi constatado ainda, que o CTQ atende pacientes de todos os municípios do interior, por isso lideram as estatísticas, com 78% de participação no número de pacientes. Como pode um estado do tamanho do Pará, não ter no mínimo, mais um ou dois hospitais que sejam referência no tratamento de queimados?

Conversando com a Coordenadora do Centro de Tratamento de Queimados do HMUE, Dra. Leila Resegue, que também é funcionária da Secretaria de Saúde do Estado, fui informado de que já foi aprovado a criação de um hospital, no interior do Pará, que seja referência no assunto, mas a demora ocorreria, devido a não acharem um local que seja de fácil acesso ao maior número de muncípios possíveis.

Mas enquanto não resolvem essa problemática, casos como o do menino Arielson Braga de Melo, de apenas 3 anos de idade, voltarão a acontecer. A criança veio de Altamira, oeste do Pará, para Belém, e passou quase três horas sob forte calor, dentro de um carro à porta de entrada do HMUE sem receber nenhum atendimento.

A criança que teve queimaduras em 80% do corpo, conseguiu vir a Belém, após o Prefeito da cidade ter conseguido que um avião o trouxesse, mas não garantiu a sua vaga no hospital, em Belém.

Segundo a assessoria de Comunicação do Hospital Metropolitano, o menino não foi recebido porque não estava referenciado para Tratamento Fora de Domicílio (TFD), e que também não houve comunicação do hospital de Altamira com o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital, que tem 20 leitos ocupados e um excedente de 18 pacientes com queimaduras no setor de emergência, que não é o local adequado para esses pacientes.

E agora, Governadora Ana Júlia e Secretário Halmélio Sobral, o que vocês farão a respeito disso? Esperarão que esse assunto ganhe repercussão na mídia nacional, como o caso da prisão da menina de 15 anos, para que seja feito algo? Vamos se mexer!

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