quarta-feira, 11 de junho de 2008

"Homenagem" de grego


O dr. Mario Pinnoti foi o primeiro prefeito de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e entre outros cargos, Ministro da Saúde no governo de Getúlio Vargas e JK, além de membro da Academia Brasileira de Medicina. Faleceu em março de 1973. Mas, é aqui no Pará que uma "homenagem" deve estar fazendo-o se remexer no túmulo de tanta vergonha.

A precariedade do Hospital Pronto-Socorro Municipal Mario Pinotti - conhecido por nós, como Pronto-Socorro da 14 -, que leva o nome do médico sanitarista, nunca esteve tão ruim. Não que antes fosse melhor, mas é incrível, como nada é feito para melhorar o quadro geral do lugar.

Funcionários que trabalham no HPSM da 14, me disseram que os elevadores estão quebrados há mais de um mês. Agora imaginem, como é feita a descida de pacientes e cadáveres pela escada, já que não há outro jeito. Eu sinceramente não acredito, que o diretor do HPSM não perceba a situação do lugar. Que tipo de direção é essa?

A maioria dos médicos não aguentam mais dar plantões, pois sabem que no depósito, não há materiais básicos, como gaze, água boricada e seringas. Então, como trabalhar? Como fornecer direitos básicos à população que não tem condições de pagar um plano de saúde?

Os casos mais graves que conseguem passar pela porta de entrada do Pronto-Socorro e ganham a chance de serem atendidos, têm que ter paciência e dividir espaço com macas, outros pacientes e acompanhantes, pelos corredores apertados do hospital.

Essas macas, para quem não sabe, são chapas de ferro, sem lençol, ou colchão. Quer conforto, faça que nem alguns pacientes: coloque uma camisa embolada ou uma bolsa na nuca. Garanto que é o máximo que irá conseguir.

Não é difícil presenciar cenas de acompanhentes dormindo em pedaços de papelão, em baixo das macas, pois não há acomodação adequada; de pessoas carregando soro durante horas, pois não há um suporte para engatá-lo; de acompanhantes puxando macas, pois não há assistência de enfermeiros; do corpos dividindo espaço com camas e resto de equipamentos empilhados no necrotério.

Entendo que o Pronto-Socorro tenha que suprir uma demanda de ocorrências do interior, devido às prefeituras, despacharem seus pacientes na porta do hospital. Mas, porque não tentar resolver estes problemas logo, ao invés de acusar a falta do repasse de verbas do Estado ao município. Afinal o Estado, por sua vez, rebate dizendo que faltam verbas do Ministério da Saúde e no final das contas, quem paga o pato são os infelizes dependentes da rede de saúde pública.

O pior é que, como estamos em ano eleitoral, foi colocada uma placa bem grande, em frente ao hospital, anunciando obras de ampliação do espaço. Ora, isso é um desrespeito com o trabalhador. Para quem não sabe o nome disso é "obra de visibilidade", elas costumam aparecer em nessa época. Quer ver? Basta contar o número de placas 4x3 m que estão espalhadas pela cidade - algumas até despertando revolta de moradores, pois a publicidade está ok, mas nada de máquinas pesadas e trabalhadores.

Também é semelhante a que o prefeito de Ananindeua, Helder Barabalho, está fazendo nos acostamentos da BR-316. Ah... se ele soubesse o número de ruas que precisam de asfaltamento e saneamento, para o lado de lá.

As manchetes dos jornais da cidade vira e volta estampam em suas capas que a saúde municipal está um "caos". Aprendi que "caos" não é a determinação certa para ser usada corriqueiramente, mas sim, quando houver acontecimentos como o fim do mundo (!), ou catástrofes inimagináveis. Mas, me pergunto, se alguma coisa acontecer comigo e eu for levado com urgência ao HPSM, não seria bem capaz de ser o "fim do mundo" pra mim?

Bom, só faltam as coisas lá por Nova Iguaçu não estarem andando tão bem, também, não é?

2 comentários:

Anônimo disse...

Em Nova Iguaçu, sinceramente, eu não sei.
Mas lá em Macapá o negócio tá pegando.

Abs,
C.F

José Brito disse...

Sei bem o que estás falando. De vez em quando, vou a Macapaba, e não compreendo como a capital de um estado, que se esforça para crescer, continua empacada em ruas esburacadas e sem sinalizações. Mas, é claro, que esses são apenas alguns problemas de uma cidade que é conhecida por ficar no meio do mundo e tem lugares bonitos, como a Lagoa dos índios, e ao mesmo tempo tão mal aproveitados. Acho que esse é o pricipal problema de lá: falta gerência.

Abs!