Na noite de segunda-feira (07), o telejornal da TV Record Belém, o Pará Record teve uma abertura diferente. Iniciou com um editorial narrado pelo jornalista Rogério Spinelli, sobre mais uma vítima da violência de Belém. Mais uma.
Veja abaixo, o texto na íntegra, escrito pelo diretor de jornalismo da emissora, João Plaza, que apesar de paulistano, mostra que já conhece bem o lugar:
"A violência está dando as cartas em Belém. A criminalidade desenfreada faz com que as pessoas vivam prisioneiras dentro das próprias casas, cercadas de grades por todos os lados. Os bandidos agem à vontade. À luz do dia, sem medo de nada. Não há hora nem local para o ataque.Pode ser em qualquer lugar: parada de ônibus, saída de banco, dentro do carro ou no transporte coletivo, ninguém se sente seguro.
O pior é que a sociedade como que vai aceitando que não consegue preservar a dignidade; que não consegue lutar contra o mal; que aceita essa terrível sentença do marasmo, da estagnação, da falta de atitude... Isso tudo é preciso que tenhamos em mente, é fruto de péssimas administrações públicas, acovardadas em gabinetes refrigerados, tendo à disposição o hordas de seguranças para suas atividades pessoais, enquanto o povo, o cidadão comum, não sabe mais se terá de volta para casa, o filho que saiu para ir à escola... É isso mesmo: para a escola. Não é saída para a balada, não... é violência no meio da tarde. No portão da escola.
Há 19 dias, uma família inteira vive num hospital o drama de um garoto de 17 anos... Gilberto foi baleado na porta do colégio onde estudava. Foi “de bobeira”, como se diz quando alguém sofre violência gratuita, sem qualquer provocação. Uma dupla de assaltantes chegou de moto e rapidamente limpou a garotada. Celulares, dinheiro, e alguns pertences rapidamente trocaram de mãos. Não houve nenhuma reação.
Mas, quando a dupla já estava de partida, o garupa da moto vira-se e atira no meio do grupo de colegiais. Uma bala atinge Gilberto e devasta-lhe o abdome. A partir daí, foram 456 horas de sofrimento e angústia. Uma luta desesperada pela vida de um jovem atingido covardemente. Ao final, o deslace, na tarde deste domingo.
Fica o registro de uma família em desespero. Um filho ceifado na flor da idade. Um garoto do bem. Criado com amor. Uma vida que se preparava para estar a serviço de outras vidas. Vivia longe da maldade. Mas presente numa sociedade que vai se acostumando, perigosamente, com a convivência com a marginalidade, a viver numa cidade sitiada."
Um comentário:
Parabéns pelo blog, Brito! Louvável a iniciativa de garimpar notícias relevantes e privilegiar o bom jornalismo. Muito bom o editorial...traduziu o sentimento de todos nós! Somos reféns da violência!
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