quinta-feira, 11 de junho de 2009

As hidrelétricas nos rios da Amazônia

Fonte: Pará Negócios
Um dos principais críticos do sistema de geração de energia via hidrelétricas, Glenn Switkes, coordenador da ONG International Rivers, concedeu entrevista por telefone à IHU On-Line para falar do desenvolvimento de projetos de produção de energia na Amazônia. Enfático, o estadunidense aponta impactos sociais e ambientais bastante importantes para a vida daqueles que vivem nas regiões que serão inundadas e que vivem dos rios. “No caso do Rio Madeira, nossos estudos mostram que é bem possível que a espécie que irá dominar os lagos é a das piranhas, que criam situações muito perigosas e de pouca qualidade de alimentação para as populações locais. As inundações, que podem ser uma coisa catastrófica, também irão interromper o caminho de vários nutrientes favoráveis à agricultura”, salienta Glenn.

Jornalista, cineasta e historiador, Glenn Switkes representa a International Rivers na América Latina e vive no Brasil há muitos anos. Tanto que já conhece o problema de grande parte dos nossos rios, principalmente aqueles que serão modificados em função desse projeto de desenvolvimento via construção de hidrelétricas na Amazônia. “Eu acho que a visão de conquistar os rios da Amazônia com a construção de grandes barragens é antiquada, obsoleta, que vem dos anos 1980, ou seja, é uma visão militar de ocupar a Amazônia e transformá-la numa estratégia econômica e política”, critica.
IHU On-Line – Quem defende a construção das hidrelétricas diz que para garantir energia é preciso avançar na Amazônia. Em quanto tempo o Brasil irá sentir as consequências da evolução desses projetos sobre a floresta?
Glenn Switkes – O Brasil está numa situação muito tranquila em termos de energia nesse momento. O consumo de energia está abaixo do nível consumido no ano passado, principalmente devido à recessão econômica. É um momento muito oportuno para o país reorientar seu planejamento energético. Então, primeiro, não há emergências, ninguém está ameaçado a ficar a luz de velas, por isso os projetos não precisam sair “na marra”. Segundo: eu acho que a visão de conquistar os rios da Amazônia com construção de grandes barragens é antiquada, obsoleta, que vem dos anos 1980, ou seja, é uma visão militar de ocupar a Amazônia e transformá-la numa estratégia econômica e política por parte de gente mal intencionada e ignorante, mas principalmente de grandes empreiteiras que querem construir essas barragens de qualquer forma. Sabemos bem o nome delas: Camargo Correa e Andrade Gutierrez, Odebrecht. A política está justificada pelos interesses de quem está empurrando o projeto. Os rios da Amazônia são os corredores da biodiversidade da floresta. Mexendo com isso, o impacto será muito sério na possibilidade de sobrevivência da floresta e dos povos da floresta.
Veja a entrevista na íntegra aqui.

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