"O uso de cartões corporativos por servidores públicos federais revela gastos que em vários casos fogem do previsto na legislação. Entregues a motoristas ou servidores não qualificados para ordenar despesas, o cartão é usado, na maioria dos gastos em todas as pastas, com material de construção, ferragens, supermercado, material elétrico, além estabelecimentos que fornecem produtos ou serviços pessoais, como drogaria, lavanderia e até lojas de revelação. Há faturas em nome de lojas de enxoval, copa e material de casa.
O descontrole na distribuição dos cartões e nos gastos joga por terra a proposta de usar esse instrumento para custear gastos emergenciais e em viagens. É o caso de um pagamento de R$ 1.400 em favor da DF Sinucas, loja especializada em material de lazer, como mesas de sinuca, tênis de mesa e totó feito pelo Ministério das Comunicações, em 4 de maio de 2007. Esse gasto foi feito pelo servidor Francisco R.M. Silva, lotado na Coordenação Geral de Recursos Logísticos.
O escritório da Funai em Governador Valadares (MG) gastou com o cartão corporativo R$ 70.020 em 2007, quase tudo em saque de dinheiro vivo por motoristas, auxiliares de ensino e assistentes administrativos.A servidora Oswaldina Salomão Ferraz Rocha foi uma das portadoras de um dos cartões e fez vários saques em dinheiro, num total de R$ 6.400 em 2007.
Outra colega dela na Funai, a auxiliar de ensino Eliete Oliveira Xavier, gastou R$ 17.020,80, sendo R$ 15.746 mil em saque direto no caixa.O escândalo dos cartões já derrubou a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, e agora aponta para o Planalto.
Está em articulação uma CPI para investigar, entre outras possibilidades de abuso, o gasto de R$ 55 mil por um segurança da filha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lurian Cordeiro da Silva."
Por Gustavo Paul, Maria Lima, Demétrio Weber e Gerson Camarotti - O Globo
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
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